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Para que serve o ministro?

por João Carvalho, em 27.06.09

Bruxelas começa a abdicar, finalmente, da rigorosa calibragem de fruta e legumes que decidiu impor e tem feito cumprir há anos. Com o pretexto (difícil de entender) de harmonizar o tamanho, cor e forma de 36 produtos agrícolas, andámos todos a desperdiçar e a deitar fora, durante anos e anos, toneladas e toneladas de bens alimentares que não encaixavam na padronização imposta por eurocratas inventores de ideias: a fruta e os legumes enjeitados nem sequer para concentrados e sumos serviam.

Graças à iniciativa da actual comissária europeia para a Agricultura, 26 desses produtos limitam-se a ter de respeitar aquilo que é essencial: só precisam de ser saudáveis e de estar limpos, em condições seguras e higiénicas para o consumo. As medidas absurdas foram revogadas e a normalização simples e racional vai entrar agora em vigor, a 1 de Julho.

Porém, se a iniciativa parece pacífica, desenganem-se: só nove países aprovaram estas regras simplificadas; 16 votaram contra e Portugal foi um dos dois países que se abstiveram. Mais: o ministro da Agricultura que temos não só se absteve como até se queixa das alterações e diz que apenas não votou contra por não estarem abrangidos dez produtos.

Jaime Silva quer lá saber se há fome e se há desperdício de comida. Ele afirma que está «de acordo com o princípio», mas acha que esta liberalização devia ser gradual.

A verdade é que cada Estado-membro pode determinar as exigências que entender. Portanto, com o ministro que ainda temos, parece provável que o alcance real da entrada no mercado de produtos hortofrutículas não-calibrados seja fraco: a ASAE deixará de ser uma dor de cabeça para quem coloca no mercado, mas as regras das grandes superfícies que compram sem ver poderá ser dominante.

Cross-section and full view of a ripe tomatoNão se sabe o que Jaime Silva queria, ao defender a aceitação apenas gradual de bens alimentares não-padronizados, mas bons para comer. Com a nossa agricultura (e as pescas) abaixo de uma expressão razoável, também não se sabe por que temos de manter um ministro que não cumpre o padrão exigível. Nem um director-geral: qualquer chefe de secção servia para dar conta do recado.

Os pepinos que não forem firmes e hirtos, por exemplo, o ministro acha que só deviam aceitar-se devagarinho? Não se entende. Por estas e por outras é que já não há tomates como antigamente: andam todos luzidios, todos iguais, todos amaricados.

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17 comentários

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De Leonor Barros a 27.06.2009 às 18:03

Não entendo esta mania da padronização, João. E concordo consigo, já não há tomate(s) como antigamente ;-)
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De Simao a 27.06.2009 às 18:40

Eu percebo pouco de Agricultura e concordo que é uma estupidez a padronização. Acho que não faz sentido e que é bom que tenha sido revogada.

Não sei os motivos por trás das declarações do Ministro da Agricultura. Mas não se dará o caso de com a revogação desses condicionamentos os mercados ficarem inundados e a competição ainda complicar mais a nossa agricultura?

Como disse não sei muito sobre isto, foi só uma ideia que me ocorreu.

Para além disso, e corrijam-me se não for verdade, actualmente a fruta disforme e feia não é enviada para instituições de caridade? Tenho ideia que não podia ser comercializada mas não era totalmente desperdiçada.... pelo menos por lei.
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De João Carvalho a 27.06.2009 às 20:07

Também não sou um entendido.
O objectivo do ministro ficou no escuro.
Os produtos não-padronizados vão fora, excepto os que são vendidos à sucapa.
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De João Carvalho a 27.06.2009 às 20:08

É que não mesmo, Leonor. Nem tomates, nem pachorra.
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De Luis Reis Figueira a 27.06.2009 às 22:02

Não sei, na verdade, se o ministro serve para alguma coisa, mas penso que, pelo menos, não deverá ser-lhe confiada a tarefa de seleccionar os pepinos e escolher os tomates: por certo, existirão à face da terra, seres infinitamente mais dotados e habilitados para tais tarefas.
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De João Carvalho a 28.06.2009 às 02:44

Seres que não queiram fazer isso devagarinho, não é?
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De Jorge Rego a 28.06.2009 às 01:47

Desde que foi imposta essa calibragem de fruta e legumes há já muito tempo, raramente consegui saborear uma mação, pêra, pepino, etc. que me soubesse bem. Por costume sempre que vejo uma das antigas mercearias que vendem fruta sem os prodígios da calibragem e do "design" é aí que eu compro. Não como frutas ou legumes feitos industrialmente. Prefiro uma estética mais tradicional aliada ao sabor autentico daquilo que como. Bruxelas que se entretenha com a couve de bruxelas que já é suficiente.
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De João Carvalho a 28.06.2009 às 02:46

Tens sorte, de cada vez que encontras uma mercearia que não se assusta com a ASAE...
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De Ana Vidal a 28.06.2009 às 17:25

A normalização dos produtos hortofrutículas é completamente anti-natura. Sempre foi uma medida estúpida e incompreensível para o comum dos mortais. Aliás, contraria em absoluto a cada vez maior apetência pelos chamados "produtos biológicos", que são a antítese deste conceito. A não ser que se tenha pretendido atirar esses produtos normais para um nicho de mercado com um preço muito superior, quando deviam ser eles a norma.
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De João Carvalho a 28.06.2009 às 17:44

Diiseste tudo, Ana. Toda a razão. E que fazemos do ministro?
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De Ana Vidal a 28.06.2009 às 18:00

Por mim, normalizava-o e exportava-o... o que achas? :-)
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De João Carvalho a 28.06.2009 às 19:23

Pode ser. Mas gradualmente... devagarinho...
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De Ana Vidal a 28.06.2009 às 19:31

Como os padrões são os médios da Europa e o ministro não é muito alto, a normalização passará por esticá-lo até chegar aos mínimos aceitáveis. Devagarinho, claro.
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De Pedro Correia a 29.06.2009 às 00:30

Também devia haver padronização para ministros. Os que tivessem formato de nabo deviam ser liminarmente rejeitados por estarem impróprios para consumo.
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De João Carvalho a 29.06.2009 às 00:38

Nabos, cabeças de abóbora, couves de Bruxelas, etc.
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De Viagens Lacoste a 29.06.2009 às 05:18

Já se festeja no Entroncamento...
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De João Carvalho a 29.06.2009 às 06:42

Imagino! Hehehe...

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