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Ainda o discurso de Obama

por José Gomes André, em 21.01.09

Os meus companheiros de blogue já focaram muitos aspectos importantes do discurso, mas gostava de fazer duas observações adicionais.

Uma para destacar a presença da História americana na intervenção de Obama, que citou George Washington, parafraseou Jefferson e invocou Martin Luther King. Obama mencionou também as dificuldades do exército americano na luta pela independência, dos pioneiros na grande aventura da exploração do Oeste, ou dos imigrantes na sua tentativa para singrarem na América. Isto não é uma simples curiosidade, mas sim o sublinhar da grande narrativa comum americana, na qual encontramos de facto uma extraordinária capacidade de superação dos desafios. Há muita gente que ainda não percebeu o que quer dizer Obama com “esperança”. Não se trata de aguardar por soluções messiânicas, mas sim de apelar ao engenho e ao espírito de luta americanos – que nos momentos mais difíceis ergueram uma e outra vez os Estados Unidos.
Por outro lado, é notável a forma como Obama, partindo dessa referência a uma narrativa comum, apela ao esforço pessoal de cada indivíduo e à sua intervenção cívica – percebendo que o verdadeiro progresso de uma sociedade depende afinal do contributo de cada um dos seus membros. Estamos, pois, perante um verdadeiro elogio da cidadania – próprio aliás da tradição política americana – que destaca a singularidade de cada indivíduo, destacando simultaneamente o seu papel determinante num tecido social plural. É uma mensagem que o mundo de hoje – e em particular o espaço europeu (onde os indivíduos parecem cada vez mais avessos a assumirem as suas responsabilidades cívicas) – devia considerar atentamente.

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17 comentários

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De toulixado a 21.01.2009 às 03:34

Palpita-me que para a semana ainda nos estamos a empanturrar com o discurso...
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De Pedro Oliveira a 21.01.2009 às 09:25

Foi sem dúvida um discurso diferente do que normalment ouvimos nestas situações, a eficácia desse discurso infelizmente não depende só dele, há lá um congresso que de vez em quando teima em travar as boas intenções.
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De José Gomes André a 22.01.2009 às 03:54

É verdade, caro Pedro. Mas Congresso mais Democrata era difícil de arranjar...
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De Amêijoa Fresca a 21.01.2009 às 09:34

Num país de pioneiros,
desde os tempos coloniais,
precisa de grandes obreiros
nos comandos presidenciais.

Renasce uma nova esperança
com o Obama na presidência,
é fundamental a confiança
para nos livrar da decadência!
(ameijoafresca.blogspot.com )
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De Esgrouviado a 21.01.2009 às 10:07

O dr Bochechas é que vai ficar muito chateado por estarem sempre a falar em Deus.
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De Pedro Correia a 21.01.2009 às 10:07

Muito bem.
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De José Gomes André a 22.01.2009 às 03:51

Obrigado, companheiro!
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De Luis Melo a 21.01.2009 às 13:59

Caro José,

Ora nem mais...

Por mais que alguns queiram Obama não vai, com um passe de mágica, acabar com a guerra no Iraque, resolver o conflito israelo-palestiniano, fechar guantanamo e tirar os EUA da crise financeira.

Como dizes, muito bem "Há muita gente que ainda não percebeu o que quer dizer Obama com “esperança”. Não se trata de aguardar por soluções messiânicas, mas sim de apelar ao engenho e ao espírito de luta americanos – que nos momentos mais difíceis ergueram uma e outra vez os Estados Unidos."
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De José Gomes André a 22.01.2009 às 03:52

Obrigado pelo comentário e pela citação, caro Luís.
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De Leonor Barros a 21.01.2009 às 14:50

Gostei imenso do discurso e deste post :-)
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De José Gomes André a 22.01.2009 às 03:50

Obrigado, cara Leonor! :)
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De Carlos Santos a 21.01.2009 às 15:07

Caro JGA,

Excelente post.
A minha dúvida é se a responsabilidade individual nos iliba de darmos termos um juízo sobre as opçlões dos que nos governam. É evidente que concordo: há obstaáculos sérios ao fim da crise e Obama disse-o: Things are going to get worse before they get any better. O que faço no livro é discutir se havia vias complementares às que ele tomou para acabar com a crise. Emhttp://ovalordasideias.blogspot.com/2009/01/e-agora-obama-o-policy-mix-de-krugman.html apresento uma que é sugerida pelo Krugman, e depois por outros seguidores. Seria melhor? Isso é uma reflexão que deixo em aberto.
Um abraço,
Carlos Santos
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De José Gomes André a 22.01.2009 às 03:50

Grande Carlos, obrigado pelo teu comentário. Claro que devemos ter opinião sobre as políticas públicas... Não tenho defendido outra coisa! Quanto ao tema que discutes, confesso que sou pouco versado em temas económicos. Mas fizeste muito bem em deixar aqui o link para as tuas observações, que são claras e discutem em pormenor o grande desafio desta Administração - reabilitar a economia mundial. Grande abraço!
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De Blondewithaphd a 21.01.2009 às 18:27

E não era isto que era suposto esperarmos deste novo Presidente. Acho que a originalidade não está no apelo à matriz mitológica americana, está somente (e já é muito) na etnia do novo Presidente. O resto era expecttável.
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De José Gomes André a 22.01.2009 às 03:53

Não concordo, por razões óbvias. Mas respeito a sua opinião. Em todo o caso, desafio-o a encontrar estes elementos de apelo histórico e de superação tipicamente "americanos" num discurso de Bush em oito anos. Fico agradecido. Cumprimentos!
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De manuel palma a 21.01.2009 às 19:21

na mouche.
Cidadania.
Será o paradigma para o início de uma recuperação económica.

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