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Pós-eleitoral (1)

por Pedro Correia, em 26.05.14

1. A perda de autonomia do CDS face ao PSD em sucessivos escrutínios eleitorais ameaça torná-lo uma espécie de Verdes do PCP. Começou nas autárquicas, prosseguiu nas europeias. Se esta tendência se prolongar nas legislativas, o parceiro menor da actual coligação governamental mergulha na irrelevância.

 

2. Um pouco por toda a Europa, face à pressão dos extremismos, os resultados eleitorais potenciam soluções de bloco central. Neste sentido, o escrutínio de ontem é o primeiro capítulo da "grande coligação" destinada a concretizar-se em 2015. Dispensando os pequenos partidos, naturalmente.

 

3. Atenção aos especialistas em marketing político: os slogans eleitorais devem ser sempre avaliados em função não só da véspera mas também do dia seguinte. Aquela que parecia a melhor mensagem, a do Bloco de Esquerda, transforma-se numa das piores à luz dos resultados concretos. "De pé" anteontem, de rastos agora.

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12 comentários

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De José Mexia a 26.05.2014 às 12:51

Concordo consigo em quase tudo, mesmo na questão do CDS se tornar irrelevante por causa do PSD, mas discordo quando diz que começou nas autárquicas. Basta ver os resultados para confirmar isso. Até ao PSD o CDS roubou câmaras.
Cumprimentos
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De Pedro Correia a 26.05.2014 às 18:00

Viva, caro José Mexia.
Respeito a sua objecção mas mantenho a minha tese: mesmo a gerir cinco câmaras, num total de 308, o CDS mantém-se um partido quase irrelevante ao nível do poder local. A maioria dos cargos que obteve nas autárquicas foram através de coligações, com o PSD a funcionar como barriga de aluguer.
Claro que há o caso do Porto. Mas é tão particular que não funciona como tese geral.
Um abraço, extensivo a todos quantos fazem o simpático 'Nortadas'.
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De FD a 26.05.2014 às 13:30

Exacto. O CDS nunca foi nem é para os seus militantes apenas um anexo do PSD. Já os Verdes nunca foram mais do que isso mesmo, posso estar enganado, mas já alguma vez se submeteram a um escrutínio por si? Onde é que começa um e acaba o outro? O que há no CDS é uma ligação demasiado forte a dois Governos e ao seu líder, que secou a alternativa (diga-se de passagem também não teve argumentos para o derrubar), prolongou a sua permanência numa espécie de limbo em que o final não se avizinha e finalmente alienou algum do seu mais recente eleitorado por meio do cumprimento das metas da troika. Enquanto Portas se mantiver e a alternativa válida não surgir, estes seus militantes irão estar neste dilema tanto para si como para quem vota neles.
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De Pedro Correia a 27.05.2014 às 01:51

Os Verdes mantêm uma relação incestuosa com o PCP. Fica tudo em família: nunca ousaram pôr um pé fora daquela 'casa comum'.
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De Berloque dos 4 a 26.05.2014 às 13:57

Pobre Catarina toda contente - não se enxerga, a rapariga.
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De Pedro Correia a 26.05.2014 às 17:56

Ela não fala: grita. E ontem estava visivelmente irritada com as perguntas dos jornalistas. Que se limitaram a cumprir o seu dever, que é esse mesmo. Fazer perguntas.
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De Carlos Duarte a 26.05.2014 às 14:50

Caro Pedro Correia,

1) Daí a importância do CDS se afastar do PSD, especialmente desta ala pseudo-liberal, e regressar um pouco à origem: democracia-cristã.

2) Pois. Convém saber se essa necessidade de "união ao Centro" não acaba por alimentar os extremos. A UE precisa de pensar muito bem o que quer ser e fazer no futuro e, em grande parte, voltar ao modelo de União de Estados Soberanos e abandonar de vez a ideia confederalista.

3) Eheheh
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De Luís Lavoura a 26.05.2014 às 15:26

voltar ao modelo de União de Estados Soberanos e abandonar de vez a ideia confederalista

Uma confederação é uma união de Estados soberanos que partilham a defesa e as relações externas. É o modelo suíço. Ninguém na União Europeia quer tal coisa - os Estados-membros não pretendem abdicar da sua defesa (a começar pelo facto de alguns desses Estados serem neutros, os restantes serem membros da NATO) nem dos seus negócios estrangeiros. Portanto, a União Europeia não tem qualquer ideia confederalista.

A União Europeia é de facto uma coisa muito estranha, pois pretende ser uma federação sem no entanto ser uma confederação. É uma originalidade histórica.
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De da Maia a 26.05.2014 às 15:52

Concordo que a pressão de união ao centro é uma forma de abrir caminho aos extremos.
Pode não ser em 2015, mas será depois.

O que interessa perceber é o seguinte.
A maioria da população tem razão para estar descontente?
- Tem!
Que forma tem neste regime para expressar isso?
- Manifestações inconsequentes?
- Dispersão de votos em micro-partidos ou novos partidos sem projecto?

O regime está a chutar para canto, mas arrisca o canto dos cisnes antes do abate.

O que é mais surpreendente?
- Os 7,2% concentrados em Marinho Pinto?
- Os 7.5% de nulos e brancos (245 mil votos)?
- Os 10% nos outros partidos pequenos?

Esta soma de 25% não está longe da votação da AP e representa eleitores que foram votar, e que não estão enquadrados na representação política da AR.
Acresce a isso os 65% de abstenção.

Portanto, está-se a falar de brioches e não de pão.
Os partidos continuam a olhar para o seu umbigo, a pensar como hão de sobreviver perante os resultados.
Esquece-se que neste momento o que está ameaçado não é o CDS que ficou engolido pelo PSD, é o regime representativo, pois não representa a população.

O processo habitual é a pandilha dos 4 ou 5 fazer as contas a si, não querendo mais gente sentada à mesa do orçamento.
Porém, acho que já passámos muito essa fase.
O regime se quer sobreviver tem que se reinventar.
Para se reinventar, não é boa ideia excluir alternativas... apenas empurrará as pessoas para soluções extremas. Para se reinventar tem que aceitar e enquadrar alternativas viáveis dentro do jogo democrático.

Este resultado da direita e o eclipse do CDS é perigoso.
O PNR foi sempre negligenciado e acha-se que não tem margem de crescimento, porque é marginal, e suprimido de toda a comunicação social.
Porém, estas coisas pegam-se... o aparecimento em força da Frente Nacional em França pode gerar filhos em Espanha e Portugal. É conhecido ser assim... basta aparecer uma liderança e uma estrutura menos óbvia.

Para aspecto mais ridículo, tem sido a CDU a erguer a bandeira do nacionalismo... mas a CDU não tem o perfil de acolher os descontentes de todos os quadrantes.

Por isso, era bom que quem controla a comunicação social, fazendo dela um instrumento despótico de controlo do poder, tivesse em atenção que está a fechar um mau génio numa garrafa com rolha frágil, há gases que se formam... e o resultado nem sempre é um banho de champanhe!
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De rmg a 26.05.2014 às 18:36


Muito bom .
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De Zélia Parreira a 26.05.2014 às 22:38

De pé em cima da prancha de surf, a tal disciplina que segundo o BE deveria ser incluída nos planos curriculares. Nem sei o que é mais ridículo, se é apresentar propostas sobre currículos escolares numa campanha às eleições europeias, se é imaginar os meus filhos a terem aulas de surf na barragem de Alqueva.
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De Pedro Correia a 27.05.2014 às 01:43

Meteram água, Zélia.

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