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Eusébio (da Silva Ferreira)

por João André, em 12.01.14

Apenas uma semana mais tarde começo a compreender que este é um mundo onde Eusébio já não vive de corpo presente. Até agora era uma realidade estranha, como se fosse uma piada nem de bom nem de mau gosto, uma espécie de notícia falsa, à qual se reage com um comentário simples de «isso não é possível pá, Eusébio não morre, é uma impossibilidade». E não falo da imortalidade que lhe estará reservada, falo da imortalidade daquelas personagens de ficção, como na banda desenhada em que Bruce Wayne terá sempre os seus 30 anos de idade e não envelhece de 1950 a 2010. Eusébio não pode morrer porque Eusébio nunca existiu.

 

Eu vi de perto o Eusébio da Silva Ferreira uma única vez, em Leiria, quando uma equipa de reservas do Benfica foi jogar com uma selecção distrital (que era o União de Leiria com mais um ou dois jogadores extra para compor o quadro). Aproximei-me, pedi-lhe um autógrafo, deu-mo e continuou a conversar com outras pessoas. Ainda o terei algures lá em casa, mas nem sei onde. Para mim foram mais preciosos o do Chalana (na altura regressado ao Benfica) e o do Hernâni. Eusébio da Silva Ferreira, o homem que me deu o autógrafo, não era Eusébio, o tipo que deu 4 aos norte-coreanos.

 

É por isso que a história do Panteão não me aquece nem me arrefece. Muito sinceramente, é uma discussão, neste momento, insensível. Eusébio antes de ser o Pantera Negra ou o King era Eusébio da Silva Ferreira, filho, pai, marido, avô, amigo. As pessoas que choram a morte de Eusébio da Silva Ferreira fazem-no independentemente do desaparecimento de Eusébio. Essas pessoas têm o direito de sepultar quem amam onde querem e sem intereferência de um povo que lhes quer retirar esse direito. Eusébio da Silva Ferreira deveria ficar sepultado onde está, no cemitério do Lumiar, o qual é público e onde qualquer pessoa pode entrar. O túmulo de Eusébio, o jogador e símbolo público, deve estar onde sempre esteve: na forma da estátua em frente do Estádio da Luz. Seria justo a Federação Portuguesa de Futebol pensar numa qualquer homenagem para o mundial e organizar algo com a federação moçambicana. Mais que isso não vale a pena.

 

Eusébio foi um futebolista e um embaixador do futebol do Benfica e de Portugal. Nessa qualidade, tem muitas homenagens. Eusébio da Silva Ferreira foi apenas um homem. O Panteão não é para ele.

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