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Hoje é dia de greve. E depois?

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 19.01.09

A greve dos professores parece ter atingido um nível de adesão próximo do registado em 3 de Dezembro. A greve parece-me justa e justificada, pese embora alguns empolamentos e desvios em relação à causa que a determinou . Talvez valha a pena, porém, perguntar: que vão os professores fazer com esta greve?  Verão satisfeitas as suas reivindicações? Tenho algumas dúvidas...
Não vendo as suas reivindicações satisfeitas, que farão a seguir? O mais lógico seria que punissem o PS nas eleições legislativas. Irão fazê-lo? Uma pequena percentagem talvez, mas a maioria, face às alternativas existentes, abster-se-á e uma minoria votará à esquerda. Os professores lembram-se dos tempos em que Manuela Ferreira Leite foi Ministra da Educação e, provavelmente, não querem repetir a experiência.
O mesmo raciocínio poderá ser aplicado aos funcionários públicos, que foram os “bombos da festa” do governo Sócrates. Foi sobre eles que o PM despejou toda a sua arrogância, para mostrar ao país que com ele tudo seria diferente, porque tinha pulso forte.  Perderam inúmeras regalias, foram vilipendiados e quase rotulados de ignorantes, incompetentes e preguiçosos mas, olhando para a alternativa que se lhes oferece, lembram-se de imediato que foi Manuela Ferreira Leite quem  começou por lhes congelar os salários.
Resumindo: professores e funcionários públicos poderiam, com o seu voto de protesto, derrotar Sócrates, mas no momento de votar, a maioria pensará  “p’ra melhor está bem está bem, p’ra pior já basta assim”.
Muito provavelmente, em Outubro teremos a mais elevada percentagem de abstenção alguma vez verificada em Portugal numas eleições legislativas e Sócrates voltará a ganhar. Falta saber  se ganhará  com ou sem maioria absoluta, o que dependerá em grande parte do nível de abstenção. Daí que a abstenção seja um adversário mais temível para Sócrates do que é  Manuela Ferreira Leite.

Será contra a abstenção que Sócrates terá de travar a sua maior luta. Não será, porém,  a piscar um olho à esquerda, depois de ter governado quatro anos fazendo uma política de favorecimento aos interesses da direita, que Sócrates irá convencer os indecisos e desiludidos a dar-lhe mais uma oportunidade. Mas, sobre isso, escreverei noutro dia.
 

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4 comentários

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De Once a 19.01.2009 às 15:07

Hoje é dia de Greve, e depois? Pergunta e bem Caro Carlos .. Hoje era dia de Greve dos professores e na minha realidade houve um que aderiu. Perto da hora do almoço, mais de 90m sem aulas de 6º ano e a diligente directora de turma convida a classe para uma pesquisa na biblioteca e um almoço em conjunto. Aderiram os 26 alunos satisfeitos.
Hoje era dia de greve, mas os professores da minha realidade já perceberam que não é prejudicando os alunos que vão conseguir lutar pelos seus direitos. Hoje é dia de greve e logo à noite quando ouvir as noticias sei que vou ver e ouvir de tudo e dar graças por viver a realidade que escolhi.
Gostei do seu post. E espero sinceramente que se corte o mal pela raiz. Porque sementeira em campo danado não dá fruto que chegue para o fado.

:) desculpe o testamento
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De Pedro Oliveira a 19.01.2009 às 17:12

A mim faz-me muita ,mas mesmo muita confusão como é que gente letrada ainda vai na cantiga do Senhor Mário Nogueira, será que não são capazes de formar uma ordem profissional e falar a outro nível com o governo? até quando os senhores professores se deixam ir pela campanha detes senhor que não dá aulas para aí há 30 anos e que quer é um panelão na CGTP?
Não há pachorra!
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De Leonor Barros a 19.01.2009 às 17:29

A greve foi convocada pela Plataforma Sindical composta pelos 14 sindicatos de professores. Não há pachorra realmente.
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De João Sá a 19.01.2009 às 17:38

Esta greve é, acima de tudo, uma greve pela democracia e pela defesa da escola pública. A avaliação é apenas um pormenor que, ainda assim, é uma forma de despertar os professores mais umbiguistas. Por isso, o ministério da educação tem o meu agradecimento, por conseguir união na diversidade. É aí que reside a riqueza.

Caro Pedro Oliveira, o Senhor Mário Nogueira, como qualquer um de nós, terá gente a quem agrada e gente a quem desagrada. Não é isso que está em causa. Neste momento a questão está noutro patamar e os sindicatos são essenciais. Não se monta uma estrutura capaz de um dia para o outro. Ainda assim apareceram vários movimentos e associações (MUP, APEDE, CDEP, proMOVA, ...) que têm desempenhado um papel fundamental, até servindo de "lanterna" aos sindicatos. Todos estão de acordo no essencial. Acha que a esmagadora maioria dos professores (gente letrada, como diz) vão na cantiga de alguém?
Não vá o senhor na cantiga de um discurso anti-sindical que já tem mais bolor que o bolor de algumas (friso, algumas) estruturas sindicais.

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