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66 anos para que reforma?

por Patrícia Reis, em 19.12.13

Aqui onde estou chove.

Leio as notícias no computador, abençoada internet (para umas coisas, não tanto para outras), e fico a saber que a reforma será então aos 66 anos.

Até eu chegar aos 50, decerto que passará para os 70. E assim sempre em frente até eu morrer sem reforma.

Como desconto desde os 17 anos, tenho 43, não sou de nenhum partido, não sou da maçonaria ou do opus dei, tenho por garantido que não terei reforma ou um emprego com um ordenado estrambólico.

A opção por ter uma empresa - mínima, mas de saúde controlada - deve-se à maternidade. Trabalhava uma média de 16 horas por dia nos jornais. Perdi algumas gravidez (não há plural). Pensei que tinha de mudar de vida se queria uma família e assim fiz. Fui para a Marie Claire, engravidei, tive um filho antes do tempo e, depois da baixa, no dia em que voltei, o dono da Marie Claire em Portugal, um senhor chamado Carlos Barbosa, acho que agora é presidente do ACP, decidiu fechar a porta à revista e inviabilizar o negócio entre a casa-mãe francesa e o grupo Lusomundo.

Fomos para a rua. Valeu-nos o sindicato dos jornalistas e a directora, Inês Pedrosa, que foi incansável.

Depois desta experiência, estive na Elle em part-time durante um ano e uns meses nos projectos especiais do jornal Público. A seguir, por causa da Expo98 (fiz a pesquisa em 1989 que deu origem ao primeiro documento oficial sobre a exposição), comecei a 004 com mais 4 pessoas. Ao fim de seis meses, fiquei com a empresa nos braços, sem saber mais do que sabia: sabia de jornais, de fechar páginas, de escrever e entrevistas.

Aprendi sobre impostos e pagamentos por conta, subsídios e muito sobre a natureza humana, ainda hoje aprendo, felizmente.

Nunca pensei que queria um emprego. Queria, e quero, trabalhar. Ponto.

Nunca pensei na reforma e chapa ganha é chapa gasta.

Os miúdos cresceram e eu consegui apanhá-los na escola às 16h20 durante anos. O mais novo só foi para a escola com três anos. É certo que nasceu numa sexta-feira e, por causa de uma exposição, na segunda seguinte estava a trabalhar comigo na Cordoaria.Quem tem uma empresa não tem 22 dias úteis de férias, não tem feriados ou fins-de-semana. Tem dias.

A reforma passou para os 66 anos. Ok.

Não faço ideia se vivo até lá, quem sabe?, posso morrer a qualquer momento.

O que me importa não é maldizer os políticos e as decisões, nada disso. Devo, aliás, dizer que me enerva muito quando se despreza o sistema político só com fel e não se contribui com uma ideia, uma acção. Dizer mal é tão fácil, não é?

Os meus filhos não querem ir viver para fora. Mesmo que não tenham reforma. Querem mudar o mundo. E eu, aos 43 anos, não quero mudar o mundo, mas acho possível ir mudando o país. Ter uma cultura de empresa saudável. Acabar com as bestas com aquelas coisas de plástico de matar moscas e mosquitos. Acho possível ser justo. Escrever e refilar para todas as entidades e, muitas vezes, para espanto de várias almas, ver mudanças, ter respostas.

Em resumo? Quem está à beira da reforma não terá grande simpatia, nenhuma simpatia, por este post e tem a minha compreensão. Quem tem menos idade do que eu, faria melhor em estar-se nas tintas com este tipo de decisão e continuar a trabalhar. É o que vou fazer.  

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4 comentários

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De Carlos Duarte a 19.12.2013 às 14:23

Cara Patrícia Reis,

Subscrevo por inteiro. Sem mais nem mas.
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De MJoão a 19.12.2013 às 15:46

Por mim.... aos 55 e com 33 anos de trabalho, acho que a reforma será lá para os 80. Que se dane , aturem-me !
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De Vítor Augusto a 19.12.2013 às 16:03

Tenho 48 anos e permita-me dizer que assumo exactamente a mesma postura que aqui descreve. Já sei que nunca me vou reformar, porque pura e simplesmente não irei chegar até lá. Também já me perguntaram de forma indignada, mas porque é que queres reformar-te mais cedo?, ao que respondi, não digo que quero reformar-me cedo nem tarde, mas gostaria que essa decisão fosse uma opção minha e não uma imposição provocada por comportamentos irresponsáveis de terceiros.
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De Ana a 19.12.2013 às 19:30

Tem toda a razão. Infelizmente neste país só temos deveres, direitos, esses, só para os senhores do governo. Já não se pode sonhar, nem imaginar o amanhã. Faz bem em pensar no trabalho, enquanto ainda o pode fazer, porque amanhã........

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