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A violência só pode aumentar

por Fernando Sousa, em 27.11.13
"É impossível sossegar indefinidamente os cidadãos”, disse esta manhã, em entrevista à Antena 1, o sociólogo Moisés Martins, director do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. Sem uma mudança das políticas que são contestadas, a violência dos protestos deverá aumentar nos próximos tempos. O investigador argumenta que a classe política em geral – com a condescendência dos média – descolou do país real e dos cidadãos reais, ou seja, do sofrimento da população. Refere ainda que é difícil para os cidadãos terem voz, visto que o espaço público foi tomado de assalto pela classe política, com os profissionais da informação a desistirem de informar e formar os cidadãos cercando-se de analistas comprometidos com os partidos, pelos banqueiros e financeiros. O poder político, que feitas as contas ao pormenor representará uma minoria do eleitorado, espera dos cidadãos um desespero, um sofrimento, um protesto "cordato", isto é, que não incomode. A raíz do problema é o sistema político e económico em que vivemos. E não atacando a raíz do problema, a violência só pode aumentar. Uma entrevista a ouvir aqui

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31 comentários

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De Vento a 27.11.2013 às 13:48

A afirmação de que "a violência só pode aumentar" deve ser isto mesmo, isto é, um exercício de reflexão social que alerte para as causas que a conduzem e não como uma fatalidade.

Acrescentar algo mais, depois de ouvido o sociólogo, seria querer colocar-me em bicos de pés.
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De Fernando Sousa a 27.11.2013 às 14:37

Não resulta outra coisa de toda a entrevista.
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De Vasco a 27.11.2013 às 13:52

Nada, nos canhanhos da Sociologia, indica que a falta de coesão social resulta em violência, e o que observamos é a diluição da coesão social. Os isctés andam a querem assustar o pagode e ainda nem foram perguntar nada ao Moisés — esse está mortinho para ver barulho nas ruas para ver se nos cola aos árabes.
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De Fernando Sousa a 27.11.2013 às 14:41

O "pagode" já anda assustado,Vasco. Só falta o resto, a faísca.
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De Vento a 27.11.2013 às 15:32

Você tem de ir para a Rússia, América Latina e EUA, África e outros sítios mais para verificar que a causa da violência é exactamente o problema da coesão social.
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De Vasco a 28.11.2013 às 00:00

Os problemas nesses sítios que indicou não são comparáveis e também não é a falta de coesão social que provoca a violência. Coesão Social não é ter o pessoal todo sentadinho à volta da fogueira a cantar cantiguinhas de escoteiros, é a possibilidade, ou não, de num território as instituições manterem as expectativas dos grupos sociais organizadas. O Acordo Ortográfico ameaça mais a coesão social em Portugal do que ameaçaria uma guerra entre o norte e o sul, por exemplo.
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De Joanete a 27.11.2013 às 15:12

Se saíssemos do Euro é que isto lá ia.
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De Joanete a 27.11.2013 às 17:53

Acho que, para haver violência a sério, nada melhor.
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De Fernando Sousa a 27.11.2013 às 17:54

Ah, se for por aí não duvido!...
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De Vasco a 28.11.2013 às 00:03

Isso implicava coragem, e ter um rumo, coisa que as nossas classes governantes (por serem partidárias) não possuem.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 27.11.2013 às 15:14

As opiniões do sociólogo Moisés, servem apenas para estribar os dislates soaristas. Considerar as acções dos sindicatos controlados pelo partido comunista, como as "invasões" de ontem a quatro ministérios, como o barril de pólvora que só está à espera da faísca, parece-me não só um exagero, como um perfeito disparate.
Os portugueses estão a passar tempos dificeis, mas a sua grande maioria, ou seja o sector privado, trabalhadores e empresários, já fez o seu próprio ajustamento. Só quem vive do OGE, ou seja dos impostos dos que já aceitaram fazer os sacrificios, não o fez e recusa-se a fazê-lo. Neste momento apenas vemos funcionários publicos e pensionistas da CGA a protestar, chegando-se até ao cúmulo, de ver a presidente da associação dos reformados defender sem se rir, que se devem aumentar os impostos, para não mexer na sua, e de outros como ela, opípara reforma.
Se o barril de pólvora está aí à espera que lhe incendeiem o rastilho, porque é que ninguém consegue organizar uma manifestação como a do 15 de Setembro? porque a grande maioria dos que lá foram, já viram o filme: eles e as sua familias fizeram os sacrificios, e os que eles sustentam através dos seus impostos, não querem prescindir de uma parte das suas prebendas.
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De Fernando Sousa a 27.11.2013 às 16:26

Os avisos de que os portugueses estão no limite não são de ontem nem exclusivos de Soares, Alexandre. Por outro lado não me parece um dislate a necessidade de mexer no sistema político, algo que os partidos recusam.
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De Tiro ao Alvo a 27.11.2013 às 21:42

O Silveira diz que só vê gente que come à mesa do orçamento a protestar, o que é verdade. Que é que o Fernando tem a dizer sobre isso?
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De Fernando Sousa a 27.11.2013 às 23:56

Digo que deve perguntar isso é ao Silveira. Mas se me disser quem é que, em Portugal, não come à mesa do orçamento talvez o possa ajudar.
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De Tiro ao Alvo a 28.11.2013 às 08:18

Obrigado, Fernando, fiquei esclarecido.
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De Fernando Sousa a 28.11.2013 às 11:23

Suspeito que não ficou esclarecido e a culpa é minha por não ter sido mais preciso, Tiro ao Alvo. Acontece que o Alexandre Silveira interpreta o relativo silêncio das ruas como um estado de amorfismo ou mesmo de rendição quando eu o pressinto como uma bolha que aumenta de tamanho silenciosamente. Por exemplo o presidente da associação de reformados não representa certamente a revolta dos associados. Melhor do que ouvi-lo a ele, é ouvi-los a eles, que também "comem à mesa" do OGE, para mal do pecado de serem portugueses. As tempestades são frequentemente antecedidas de períodos de aparente acalmia. Enfim, a questão não tem de ser continuadamente analisada no contexto da lógica político-partidária; há um problema sistémico, como diz, e a meu ver bem, Moisés.
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De Tiro ao Alvo a 29.11.2013 às 14:00

Não entendo qual a razão porque não publicou o meu comentário. Será que não o terá recebido? Na dúvida aqui vai uma cópia:
Fernando, não sei se o Silveira interpreta o silêncio das ruas como diz. O que ele disse, e eu concordo, é que quem mais faz barulho são os que comem à mesa do orçamento, ou seja os funcionários públicos, os empregados das empresas públicas e os pensionistas, e entre estes, essencialmente os abrangidos pela CGA, ou seja, os pensionistas que serviram o Estado, com grande destaque para os que beneficiam de chorudas pensões, como é o caso da presidente da APRE.
Quando o sociólogo Moisés diz que "é impossível sossegar indefinidamente os cidadãos”, está a dizer uma verdade de La Palice. Quando eu digo, com o Silveira, que os portugueses que trabalham no sector privado, na sua esmagadora maioria, não andam a fazer barulho, faço somente uma constatação.
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De Fernando Sousa a 29.11.2013 às 14:53

Não, Tiro ao Alvo, não recebi. E publico sempre - sempre! - os comentários. Principalmente os seus, que me aparecem genuínos e recebo com agrado. E não, não concordo com o Alexandre Silveira nem portanto consigo. Primeiro porque ouço, leio e vejo muita revolta que não sai à rua nem faz barulho, ou o que faz não é suficientemente mediático, incluindo do sector privado, tendo eu próprio participado em dois desses "barulhos", segundo porque entre os que fazem barulho há muitos funcionários públicos, incluindo professores, agentes das forças de segurança ou guardas prisionais, ou pensionistas lixados e mal pagos, que não têm de ficar calados só por comerem à "mesa do orçamento". Por fim e como lhe disse esta é apenas uma parte do problema maior a que se referiu o sociólogo, que é sistémico e que tem de ser repensado, e que foi o motivo de fundo do meu post, e o que me interessa.
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De am a 27.11.2013 às 15:18

Malogrado país que não muda:

1876
..." Quando os governos, pela necessidade de conservarem o poder, sacrificaram o progresso, e quando as oposições pela ambição de substituírem o governo sacrificam as ideias, a sociedade corre um iminente risco de ficar á mercê do acaso num funesto jogo de incompetências, se um terceiro poder não intervém, sustentando os direitos que tocam à capacidade. Este novo poder intermédio e consultivo, destinado a regular em proveito da civilização os conflitos dos partidos que governam com os partidos que resistem, deveria ser a Imprensa. Mas a Imprensa portuguesa parece ignorar que é essa a sua alta missão e, em vez de se considerar superior á politica e de a governar em nome da opinião, submete-se aos partidos e deixa-se dominar por eles, acompanhando-os nas suas ambições e servindo-os nos seus erros. De modo que o jornalismo não é o arbitro que decide, não é o juiz, que sentenceia; é apenas o rábula que enreda o beleguim que cita, o fiel de feitos que conduz os autos...."

Ramalho Ortigão
in Farpas.
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De Fernando Sousa a 27.11.2013 às 16:30

Um memo oportuno, am. Percebo-o. As Farpas são ricas de outros textos que teriam aqui todo o cabimento. Mas não sejamos fatalistas, não estamos assim tão iguais a 1876.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 27.11.2013 às 15:26

Post-scriptum Peço desculpa pelo abuso, mas gostaria apenas de acrescentar mais isto: durante os anos do PREC que aqui no Alentejo se estendeu até ao principio dos anos 80 devido às entregas da "reforma agrária", infelizmente vi-me envolvido, mais do que eu desejaria, em grandes confrontos nas ruas e nos campos alentejanos com os comunistas. Passaram-se aqui coisas que quem vive em Lisboa ou no Norte do país nem imagina, algumas dignas de filmes do faroeste. Acredite que não foi bonito de se ver, para nenhum dos lados, o que então se passou. Não gostaria por nada deste mundo voltar a esses tempos, e os comunistas nunca aprendem com a história.
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De Fernando Sousa a 27.11.2013 às 16:33

Deixe lá os comunistas, Alexandre; toda a gente, menos quem se adivinha, anda irritada. E não peça desculpa por ter opinião - pelo menos isso ainda pagamos.
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De JP a 27.11.2013 às 17:01

Nem mais. É que a situação já não é de segurança, mas sim de justiça.

As pessoas estão a sentir-se num beco. A TV só passa a posição oficial dos do costume, largas franjas da população estão arredadas do espaço mediático (quantos comentadores do espaço do PCP BE existem na TV face aos do "arco da governação").
As pessoas sentem que estão a ser roubadas e a passar dificuldades para salvar os do costume...

O aviso de violência não é do Soares ou dos "comunas". É o aquilo que se ouve à boca pequena em todo o país.

A continuar assim é apenas uma questão de tempo até que alguém se passe.
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De Fernando Sousa a 27.11.2013 às 17:38

Isso, JP. Estamos num carro a 150 à hora, numa estrada cheia de buracos, e só uns 15 por cento dos ocupantes é que acreditam no condutor...
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De Ana Teresa a 27.11.2013 às 17:43

Só não vê quem não quer que a paciência humana está quase a rebentar, esquecem que "paciência tem limites". Tudo na vida tem limites, mas estes senhores não parecem minimamente preocupados, dando mesmo a ilusão que estão no país das maravilhas. Claro, é tão bom o poder, só que esse também acaba porque nada é eterno, pois tudo indica que acabarão mal. Virá o dia, em que a história também os imortalizará como os piores dos piores.
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De Fernando Sousa a 27.11.2013 às 17:50

Não podem estar preocupados, Ana Teresa, porque sentem-se seguros no seu condomínio privado e com polícia à porta, crendo que isso é suficiente; não estudaram história...
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De am a 27.11.2013 às 22:39

É verdade, sim senhor.
À porta das casas de Mário Soares está sempre um de sentinela!

Não vá a turba turvar-se.
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De Fernando Sousa a 28.11.2013 às 00:00

É só um, há muitos anos, e deve ser rendido de vez em quando...
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De Paula a 28.11.2013 às 12:05

É só Mário Soares que tem um sentinela? Sejamos sérios e diga todos os ex Presidentes da República têm as referidas sentinelas. Explique é porque razão os actuais governantes quando vão de férias, levam um batalhão de policias para lhes assegurarem a sua privacidade? Se querem ir de férias com seguranças paguem-nas porque nem eu, nem os demais portugueses, temos de pagar seguranças privadas. Eles massacram-nos com cortes e impostos porque estamos em crise e depois dão-se a este luxo e a outros?
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De Fernando Sousa a 28.11.2013 às 13:18

É também o que eu penso, Paula.

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