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O fim do sonho em seis segundos

por Pedro Correia, em 22.11.13

 

Meio século depois, o mistério permanece. Quem foi o cérebro do assassínio de John Fitzgerald Kennedy? O 35º presidente dos Estados Unidos terá sido vítima de um psicopata de 24 anos, munido de uma espingarda de 12 dólares que o alvejou com dois tiros certeiros ao fim da manhã de 22 de Novembro de 1963 em Dallas, pondo fim em seis fatídicos segundos ao sonho americano?

Poucos acreditam hoje nesta versão do atirador solitário, tanto mais que o suposto homicida, Lee Harvey Oswald, viria por sua vez a ser assassinado, dois dias após a morte de Kennedy, na própria sede da polícia de Dallas por um indivíduo ligado à Mafia, chamado Jack Ruby.

A verdade é que nasceu aí a chamada “maldição Kennedy”, que viria a fazer outras vítimas. Três delas mulheres de algum modo ligadas ao jovem presidente que permaneceu apenas 1037 dias na Casa Branca.

 

A primeira foi amante de Kennedy entre 1961 e 1963. Chamava-se Mary Pinchot Meyer: era uma das mulheres mais deslumbrantes de Washington naquela época. Segundo os registos da Casa Branca, entrou 13 vezes no edifício naqueles dois anos – a última visita ao presidente ocorreu escassos dias ante do crime de Dallas. O seu fim foi igualmente trágico: em Outubro de 1964, quando passeava junto a um canal em Georgetown, foi alvejada com dois tiros – um na cabeça, outro no coração. O assassino nunca foi capturado.

Outra tragédia envolveu uma jornalista da estação televisiva ABC, que gozou de uma fugaz celebridade. Lisa Howard tinha 37 anos em 1963, quando funcionou como intermediária entre Kennedy e Fidel Castro. Deslocou-se várias vezes a Havana, nesse ano, e tornou-se íntima dos dois dirigentes, formalmente inimigos. A morte de Kennedy inviabilizou a aproximação a Cuba. Lisa não tardou a ser despedida da ABC. A 4 de Julho de 1965, ingeriu uma dose fatal de barbitúricos.

Outra celebridade televisiva da época era Dorothy Kilgallen, única jornalista que conseguiu entrevistar Jack Ruby na prisão e se preparava para contar a história dele num livro. Também ela apareceu morta, no seu apartamento, a 8 de Novembro de 1965. Os capítulos do manuscrito sobre Ruby nunca foram encontrados.

 

Uma das mortes mais misteriosas de pessoas ligadas a John Kennedy ocorreu escassos dez dias após o assassínio do presidente. A 2 de Dezembro de 1963, Grant Stockdale, grande amigo de Kennedy, caiu de uma janela do seu gabinete, situado no 13º andar de um prédio de escritorios em Miami. Não deixou bilhete de suicídio.

Stockdale, corretor da Bolsa e antigo embaixador norte-americano na Irlanda, andaria com problemas financeiros e a notícia do assassínio de Kennedy ter-lhe-á agravado uma depressão. Mas não faltou quem especulasse que alguém o empurrara da janela para calar segredos ligados ao trágico fim do presidente. Meses antes, quando velejavam em Palm Beach, Kennedy perguntara-lhe: “Achas que vou ser assassinado?” A pergunta – premonitória – ficou a pairar para sempre na memória perturbada de Grant Stockdale.

“Teria Oswald agido sozinho?”, questionava a capa da Life, na edição de 25 de Novembro de 1966. Muitos recusam ainda hoje acreditar nisso. E a maldição Kennedy permanece.

 

 

Imagens:

1. John Kennedy

2. Mary Pinchot Meyer

3. Grant Stockdale com Kennedy

4. Lisa Howard com Fidel Castro

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4 comentários

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De Luís Lavoura a 22.11.2013 às 09:29

pondo fim em seis fatídicos segundos ao sonho americano

Diversos (salvo erro três) presidentes dos EUA foram assassinados antes de Kennedy, e o sonho permaneceu e permanece (pelo menos nos mídia).

Qual era o sonho americano no tempo de Kennedy? Varrer o Vietname com napalm e bombardear maciçamente o Laos e o Cambodja?
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De Vento a 22.11.2013 às 12:34

Pedro,

nessa saga de suspeitas de assassinato esqueceu referir a Marilyn Monroe. Outra questão pertinente sobre a morte de Kennedy prende-se também com o desaparecimento das imagens (creio que a 314/315 ou 315/316) que foram confiscadas as senhor Zapruder.

Mas mais pertinente ainda é o facto do senhor Jonhson pretender (e foi) ser empossado Presidente dos EUA, com a presença da viúva de kennedy, no avião - o nr. 1 - que os transportou de Dallas juntamente com o corpo do defunto.

Mais ainda, a história da autópsia efectuada a Kennedy pelos homens da CIA/FBI contraditória com a primeira realizada em Dallas. Terá sido colocada a cabeça de Kennedy no caixão que recebeu seu corpo?

Mais ainda, como foi possível permitir que o carro de um PR se deslocasse a uma velocidade tão lenta que permitisse um atentado em triangulação sem possibilidade de falhanço? Este pormenor sempre foi conhecido, e qualquer pessoa que já tenho foi tiro e feito treino em tiro sabe que um esquema de triangulação com um alvo em movimento relativamente lento é sempre fatal para o mesmo.

Por último, a estória da bala mágica transformou-se em história.
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De Pedro Correia a 24.11.2013 às 17:19

As teses conspiratórias sobre a morte de Kennedy começaram dois dias mais tarde. Precisamente no momento em que o suposto assassino, Lee Oswald, foi por sua vez assassinado por Jack Ruby, figura do 'bas fond' de Dallas. Alegou Ruby que decidiu matá-lo para "poupar à senhora Kennedy o tormento de regressar a Dallas para assistir ao julgamento" do homicida.
Ninguém ficou convencido com isso.
Ruby morreu de cancro, na prisão, três anos depois.
A estranha sucessão de mortes de figuras ligadas de algum modo a Kennedy adensou o mistério. Julgo que nunca ficarão devidamente esclarecidos todos os contornos deste drama, que chocou a América e o mundo.
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De Vento a 25.11.2013 às 12:00

Pedro,

e a adensar esta questão da tese conspiratória, não esquecer o assassinato do Bob Kennedy.

Em certa medida a geração de Kennedy (dos políticos) faz-me lembrar o que está a contecer em Portugal e noutros países europeus. Há uma geração que pensa que tudo lhes é possível e permitido. É uma geração romântica que julga que pode mudar o mundo à sua imagem contrariando a visão de muitos.

A geração Kennedy, ainda que com alguns impulsos ideológicos, nada mudou na sociedade americana e no mundo. Mas o mito prevaleceu.

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