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1. O Bloco de Esquerda transforma cada declaração política num juízo de carácter sobre quem comunga de convicções opostas às suas, passando por sistema atestados de impureza ética aos adversários políticos. Os seus responsáveis exigem, a todo o momento, demissões pelos mais diversos motivos. Esta ética da responsabilidade, curiosamente, detém-se à porta da sede nacional do Bloco. Porque o BE pode falhar todos os objectivos e perder todas as eleições sem haver uma demissão nos seus órgãos decisórios. Uma duplicidade ainda mais difícil de entender após estas autárquicas, em que o Bloco perde 43 mil votos, recua de 3% para 2,5% em média nacional, deixa fugir a única câmara de que dispunha e não consegue eleger um vereador em qualquer cidade de grande ou média dimensão. Apesar do ruído mediático que ainda provocam, os bloquistas -- com apenas cerca de seis mil militantes e uma notória escassez de quadros partidários -- parecem condenados à irrelevância política. É inevitável uma revisão global de procedimentos, para assumir erros e corrigir a rota. Desde logo porque a ética da responsabilidade não pode ser só para os outros: há que começar em ca(u)sa própria.

Primeiro desafio: como aumentar militantes e reforçar quadros para evitar novas derrotas?

 

2. Paira no BE um sentimento de orfandade. O seu fundador e líder histórico, Francisco Louçã, era uma personalidade carismática que falava muito para além das fronteiras partidárias e até do reduto ideológico dos bloquistas. Louçã conseguiu operar uma espécie de milagre: fazer surgir um movimento unitário das cinzas da decrépita extrema-esquerda portuguesa. Com a sua partida voluntária, há pouco mais de um ano, vieram novamente à tona os antigos tiques e vícios estruturais das pequenas facções que constituem o Bloco e que de alguma forma desmentem o próprio nome do partido constituído em 1999 com uma agenda política inovadora em matéria de costumes e tendências sociais, logo vampirizada pelo PS de José Sócrates. Esgotada essa agenda, o Bloco não pode voltar a ser dominado pelas velhas facções extremistas da década de 70, sob pena de se descaracterizar por completo e até desaparecer.

Segundo desafio: como retomar o carácter unitário do Bloco, superando guerras de facções?

 

3. Os sinais de modernidade que os bloquistas trouxeram à política portuguesa parecem esgotados. E alguns são manifestamente inadequados. Talvez nenhum tenha sido tão prematuro e desajustado como a liderança bicéfala instalada no partido desde a partida de Louçã. Na tentativa apressada de superar as restantes forças partidárias em demonstrações de igualdade de género, o BE copiou o modelo adoptado pelos Verdes alemães e pelo Partido de Esquerda fundado em França por Jean-Luc Mélenchon, sem reflectir bem nas limitações e nos inconvenientes desta bicefalia. Que manifestamente não resulta, por mais vibrantes que sejam as intervenções públicas de Catarina Martins e por mais experiente e respeitável que seja João Semedo, ex-membro do Comité Central do PCP que abandonou as fileiras comunistas em nome dos valores da cidadania e da liberdade de consciência. E não resulta porque dispersa a mensagem, induz uma ideia de fragmentação na opinião pública e prejudica a identificação dos portugueses com o projecto bloquista. Além do mais, para que precisará o mais pequeno partido português de dois líderes?

Terceiro desafio: deve ser abandonada a actual liderança bicéfala?

 

4. A dada altura, o Bloco de Esquerda parecia ser um sério concorrente do PCP. Sobrava-lhe no entanto em novidade mediática o que lhe faltava em enraizamento social. Nisto, os bloquistas são incapazes de se bater com os comunistas, há décadas com forte implantação na sociedade portuguesa, particularmente na vida autárquica e no mundo do trabalho. Sem representantes nos órgãos do poder local, com uma presença irrisória no movimento sindical, o BE tem-se limitado praticamente a replicar o discurso de protesto característico dos comunistas, parecendo querer ultrapassar o PCP em radicalismo -- o que ficou bem patente na moção de censura apresentada ao governo Sócrates logo após a candidatura presidencial "unitária" de Manuel Alegre e a intransigente recusa em conferenciar com os representantes da tróica em Portugal. Havendo original, tornam-se dispensáveis as cópias.

Quarto desafio: como superar eleitoralmente o PCP?

 

5. O BE só revelará utilidade, à esquerda, se tiver ambições de governo. Ou seja, se estiver receptivo a uma futura coligação com o PS, único partido português com hipótese de constituir alternativa à actual maioria governamental. Se imitam os Verdes alemães na liderança bicéfala, por maioria de razão também devem imitá-los nesta matéria: os ecologistas atingiram a maioridade política em Berlim ao aceitarem coligar-se em 1998 com o chanceler social-democrata Gerhard Schroeder. Uma bem sucedida coligação que durou sete anos, consolidou os Verdes como partido de âmbito nacional e levou o seu líder, Joschka Fischer, ao cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros.

Quinto desafio: haverá alguém no Bloco disposto a ser o Joschka Fischer português?

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24 comentários

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De Luís Lavoura a 08.10.2013 às 15:28

as limitações e os inconvenientes desta bicefalia que manifestamente não resulta

Não entendo estas afirmações. Quais são os inconvenientes da bicefalia - e refiro-me a inconvenientes para o Bloco e não para os jornalistas que querem falar sobre ele? Em que é que a bicefalia não resulta?

Desde que a bicefalia foi implantada, não tenho visto quaisquer dissensões ou assincronias entre os dois dirigentes. Não vejo, por isso, por que motivos diz o Pedro que a bicefalia não resulta.

A minha ideia é que o Pedro está a falar como jornalista e, de facto, está a transmitir a ideia de que é chato para os jornalistas ter um partido com duas cabeças. Quebra-lhes as rotinas (os vícios).
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De Pedro Correia a 08.10.2013 às 16:32

Ainda antes de ler o seu comentário acrescentei ao texto uma parcela que faltou na transcrição e já constava da versão original, escrita no dia seguinte às autárquicas. Julgo que responderá às dúvidas que levanta.
Numa perspectiva jornalística, a liderança bicéfala é valorizada positivamente. Desde logo por ser novidade, pelo menos em Portugal, e o jornalismo apreciar e valorizar as novidades. O problema é que algumas novidades não tardam a produzir algum efeito de cansaço - e, quanto a mim, foi o caso desta. Não por haver falta de sintonia nos discursos de João Semedo e Catarina Martins, mas pelo efeito de eco que produzem, em muitos casos sem valor acrescentado.
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De joão Melo a 08.10.2013 às 15:42

excelente Pedro.muito bom
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De Pedro Correia a 08.10.2013 às 16:21

Obrigado, João. Forte abraço.
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De João Mateus a 08.10.2013 às 16:05

Eu acho que são exageradas (desajustadas?) as análises que têm sido feitas aos resultados do Bloco nestas eleições autárquicas.
É que, sendo os eleitores do Bloco pessoas bem informadas (pelo menos julgo que o são) sabiam bem o que estava em jogo nestas eleições (censurar o governo) e como tal, cada um, na sua autarquia, escolheu a melhor forma de o fazer, por isso os resultados do Bloco nestas eleições não podem ser vistos como uma visão total da força que este (ainda) representa.
No entanto é inegável que o Bloco, que á partida parecia surgir como uma verdadeira alternativa de esquerda ao PS e ao PCP, tem vindo a perder influência o que quanto a mim começou (como na altura logo escrevi) com a censura a José Sócrates (antecipadamente sabendo das consequências que daí adviriam) e continuou com a saída de Francisco Louçã sem dúvida o grande "leader" e porque, sinceramente, não se via no Bloco ninguém à altura de o substituir (Daniel Oliveira?)
Por isso acho que bastaria 4. deste artigo para caracterizar tudo o que correu mal no Bloco e, a partir daí, encontrar as melhores soluções para que as coisas mudem.
No entanto, tenho as minhas dúvidas que ainda se vá a tempo, pois hoje, ou se apanha o comboio quando ele passa ou, normalmente...perde-se!

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De Pedro Correia a 08.10.2013 às 16:25

Julgo que o Bloco ainda vai a tempo de corrigir a rota. Mas não pode meter a cabeça debaixo de areia, fingindo que nada sucedeu.
Porque estas autárquicas foram, de facto, um enorme balde de água fria. Eram eleições em que - como bem diz - funcionaria muito o voto de protesto. Só que o BE acabou por não ser destinatário desse voto, num contexto político que o favoreceria à partida.
Os eleitores com razões para protestar contra o Governo preferiram nuns casos o PS, noutros a CDU e (em muitos outros) a abstenção.
Percebe-se mal, por exemplo, que os votos nulos tenham sido em maior número do que os votos no BE. No tempo de Louçã seguramente que nada disto se passaria.
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De Passante a 08.10.2013 às 17:31

Ai sim?
Então "Os eleitores com razões para protestar contra o Governo preferiram nuns casos o PS, noutros a CDU e (em muitos outros) a abstenção."?
Definitivamente não estamos a falar das mesmas autárquicas.
É que, no passado dia 29 em Portugal, as autárquicas deram na realidade, e entre outros, os seguintes resultados:
Independentes - 6,9% (344.566 almas)
brancos - 3,87% (193.334)
CDS PP - 3,04% (151.828)
nulos - 2,95% (147.124)
BE - 2,42% (120.914)
O que daqui tiro é tb o que me leva desde o início desta sua rúbrica a achá-la desinteressante como aliás já tive oportunidade de lhe dizer.
Daí que, como meu comentário final a esta cena dos desafios, vou escolher uma frase que, perdoe-me a imodéstia, até poderia eventualmente figurar na sua coluna Aforismos Políticos:
“Não repitas com teimosia o que comprovadamente está errado, isso é insistência e não persistência.”
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De Pedro Correia a 08.10.2013 às 18:02

Caro Passante: o seu aforismo não está mau, cumprimento-o por isso. E por falar em insistência: louvo a sua insistência em invocar os independentes. Acontece porém, se me permite, que os independentes não se tornam somáveis pelo simples facto de o serem. Por outras palavras: Rui Moreira não é somável a Isaltino Morais nem ao braço direito de Isaltino em Oeiras. Tal como o "independente" que ganhou a câmara de Matosinhos por não ter sido designado recandidato pelo aparelho local do PS não é somável à "independente" que ganhou a câmara de Portalegre por não ter sido designada candidata pelo aparelho local do PSD.
Tratando-se de independentes, com ou sem aspas, cada caso é um caso. Merecendo sobretudo análise a nível local, não a nível nacional. Com a óbvia excepção de Rui Moreira, que já foquei aqui:
delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5733077.html

Saudações democráticas.
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De Passante a 08.10.2013 às 19:54

Completo desacordo, seja qual fôr a motivação ou origem dos designados Independentes, há que perceber a razão de ser dos seus muitos votos.
Eu votei num independente.
Não votei contra os partidos.
Votei, isso sim, contra a gente que agora está nos partidos, sobretudo neste PSD e neste PS.
E, como eu, sei de muitos mais.
E, tanto quanto pude apurar, ele há gente nos partidos que está a matutar sobre a coisa.
Não cabe aqui uma análise aritmética dos resultados, que até nem é complexa. Contudo, e a título de exemplo, face a 2009 este PSD perdeu 450.000 votos, este PS perdeu 270.000 (é verdade) e esta coligação PSD/CDS PP perdeu 160.000 votos.
É um total de 880.000 votos.
Que não foram todos para os sacos do costume.

Li o artigo que refere, revisitei-o agora mesmo com muito gosto, não creio estar errado na minha opinião de que os Independentes são um fenómeno a ter em conta na política nacional, fenómeno que se tornará muito mais relevante se este PSD decidir começar a expulsar/punir filiados.
Daí o pensar que estou a persistir e não a insistir, coisa que, convenhamos, para além da perca de tempo é de muito mau gosto.

Obrigado pelas suas respostas, saudações retribuídas.
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De Pedro Correia a 08.10.2013 às 20:38

Meu caro, deixa aqui pistas estimulantes que procurarei destacar nos moldes que verá, se assim o entender.
Grato pela atenção e pela... insistência.
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De Beluga a 08.10.2013 às 16:41

Como já outros notaram, o partido de protesto chamado BE teve, há pouco, menos votos que os votos de protesto (os nulos - e nem vale a pena comparar os seus votos com os votos em branco).
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De Pedro Correia a 08.10.2013 às 18:03

Esses são votos inequivocamente de protesto. Totalmente legítimos. E que correspondem a gestos de cidadania também.
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De Tiro ao Alvo a 08.10.2013 às 18:15

Pergunta o Pedro Correia: "deve ser abandonada a actual liderança bicéfala?" E eu respondo-lhe: acho que nunca deveria te começado. Duas cabeças a superintenderem numa instituição, nunca dá bom resultado. Pode ser giro, pode alguém considerar moderno, podem alguns entenderem que é uma forma de mostrar respeito pela luta da igualdade de género, mas não é uma boa solução para a instituição assim governada.
Mesmo na família, são frequentes os desentendimentos, mesmo entre pais bem formados e que perseguem com empenho objectivos comuns, como seja o bem estar e o bom futuro dos filhos.É sabido que os filhos, percebendo que o pai não é igual à mãe, exploram a seu favor essas diferenças, pedindo coisas a um que sabem que o outro não daria?
Quanto ao que diz o Lavoura, não ligue por que ele é sempre do contra...
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De Pedro Correia a 08.10.2013 às 20:39

delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/5753979.html
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De Vasco a 08.10.2013 às 18:52

Bom trabalho intelectual --- mas em vez de fazer o trabalho deles, por que não deixar que se extingam naturalmente? ;)
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De Pedro Correia a 09.10.2013 às 23:03

Eu assisti de alguma forma ao nascimento do BE e gostaria que se mantivesse como força parlamentar por representar um segmento da sociedade que tem todo o direito de se ver representado politicamente. Lamento que o partido esteja a ser consumido por uma luta surda entre tendências internas que em nada o fortalecem, antes pelo contrário.
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De Vasco a 10.10.2013 às 09:51

Mas essas dissenções são também a expressão do segmento que tem o tal direito a expressar-se. Os partidos --e sobretudo no formato mentiroso, manipulador e oportunista que têm os nossos-- não são emanações superiores de valores individuais ou colectivos como acontece com outras instituições que representam a cristalização de valores e práticas comuns de um grupo ou de uma comunidade (um parlamento, por exemplo). Os partidos são o resultado da acção directa dos seus membros e as suas aspirações obrigam-nos a ter um código flutuante e a serem circunstanciais porque permanentemente a luta dos partidos é a luta pelos códigos de acesso às instituições que lhes garantem poder e continuidade. Obviamente, o seu fracasso é também o fracasso da sociedade. Temos demasiados exemplo de como esse fracasso se materializa, desde os atentados concertados ao património linguístico contra os cidadãos, ao fracasso na gestão dos serviços, na preservação das florestas, nas regras urbanísticas... Enfim, em quase tudo. Tem pena que esses aglomerados de interesses egoístas se esvaiam em fumo? Eu não.
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De Pedro Correia a 10.10.2013 às 17:42

O problema é sempre de alternativas, Vasco. Não haver partidos é sempre pior do que haver. A alternativa, aliás, nem seria a inexistência de partidos, pois a política tem horror ao vácuo. A alternativa seria o partido único, "baluarte da nação" ou "vanguarda dos trabalhadores". Para esse peditório não dou, obrigado.
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De da Maia a 08.10.2013 às 18:58

Nunca se tendo coligado a ninguém, o defunto BE nem serve para pensão de viuvez.
Acho que a morte de Miguel Portas foi mais marcante do que a simulada saída de Louçã... que foi mais uma passagem para comentador residente da SIC-N.

Muitos egos, muitos artistas, mas zero argumentos.
Ainda hoje não se percebe qual o modelo social que o BE preconiza.
Ao contrário do PRD que viveu de uma imagem de incorruptibilidade e firmeza de Eanes, ao BE isso nunca chegaria porque não vieram para abalar o centro, surgiram do aluguer de partidos revolucionários moribundos.

Assim, deram vida a um corpo que tinha a cabeça morta, aliás duas cabeças não chegam para disfarçar a ausência de cabeça que ali está. Podem voltar a subir nas legislativas ou europeias, por via do voto de protesto, mas será mais um enredar na ilusão. Os corpos partidários podem viver décadas sem cabeça, como são prova disso os outros - MRPP, POUS, etc... estes UDP e PSR também estavam habituados a isso, e nem mudariam.

Tiveram um bónus pela mediatização que resultou da fragilidade do PS pós-Guterres, mas esse efeito de novidade acabou. Nunca saíram de um nicho lisboeta, nem querem sair, são um mero clube de pseudo-intelectuais que ganhou formato partidário.
A juventude que chegou ao BE foi rapidamente consumida pelas técnicas de liquidação dos velhos. Afinal, aquele pessoal da UDP e PSR tinha muita lide de boicotes de RGAs e similares, aprendidas nos idos tempos do Verão Quente.

Essas cabeças da direcção garantem essencialmente que não haja qualquer cabeça, e que se mantenha tudo numa constante indefinição, que é a única forma de conjugar coisas inconjugáveis.
As cabeças da liderança são o perfeito retrato de ausência de cabeça, e por isso não há nenhuma cabeça a rolar... se houvesse algo a cair era toda a estrutura do BE, e isso a própria estrutura garante que não acontece.
As vozes dissonantes da direcção do BE são simplesmente afastadas, e por isso ao BE, tal como ao PCP, nem se conhecem facções activas...
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De Pedro Correia a 09.10.2013 às 22:59

É pouco claro o modelo de sociedade que o BE defende. Isso tem sido notório desde que começou a actual crise na Europa. Por um lado, diz-se um partido europeísta; por outro, quer denunciar unilateralmente os compromissos financeiros que Portugal assumiu perante as instituições internacionais. Por um lado, defende a adesão plena do nosso país à UE, incluindo a moeda única; por outro, mantém resquícios revolucionários, defendendo (por exemplo) a nossa saída imediata da NATO.
Enquanto não flexibilizar e rectificar algumas destas posições, dificilmente o BE poderá ser um futuro parceiro estratégico do PS para uma eventual solução governativa. E sem esse desígnio o partido esgotar-se-á nas acções de protesto. O problema é que, nesse particular, o PCP faz mais e melhor.
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De Anónimo a 08.10.2013 às 21:48

Pedro,

como já comentei há uns posts atrás, o Bloco, depois da travessia deste deserto, que reside na perda brusca de dois vultos, Louçã, o visionário muito inteligente e profundo conhecedor dos mecanismos económicos e financeiros, e Miguel Portas, o mediador também inteligente e sensível, encontrará inevitavelmente seu caminho. Aliás, eles têm terreno fértil para progredirem: não têm vícios, vivem numa realidade que anseia por novidades mais ou menos imaculadas e existe um campo para lavrar que necessita de um quê de lucidez que faça despertar a semente.
Bem, mas é necessário não entrarem com invenções acerca de piropos, porque coisas destas entornam o caldo.
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De Pedro Correia a 09.10.2013 às 22:49

O Bloco tem um problema de projecto e um problema de identidade. E tem também um problema sério de quadros qualificados: só isto explica que o co-líder do partido, que já é deputado, tenha também sentido a necessidade de se candidatar a vereador em Lisboa.
Outro problema, simétrico a este: o voto jovem urbano, que o BE chegou a captar em número considerável, tem-lhe fugido nas últimas eleições.
Reitero: na minha perspectiva, o BE não pode ser uma espécie de PCP em versão mais pequenina. O BE deve desempenhar na política portuguesa um papel semelhante ao desempenhado pelos Verdes na Alemanha desde a década de 90. Para isso, necessita de maior flexibilidade estratégica. Mas primeiro tem de limar as arestas internas, que não são poucas.
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De Anónimo a 10.10.2013 às 11:48

Pedro,

concordo com a sua perspectiva.

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