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1. É possível cantar vitória mesmo perdendo 37 mil votos, baixando 0,1% desde as últimas autárquicas e recuando 5,7% em relação às eleições legislativas de 2011? É. O CDS foi apontado como um dos vencedores desta mais recente noite eleitoral tendo por base as fraquíssimas expectativas quanto ao seu desempenho nas urnas. E, claro, também graças à conquista de cinco câmaras, juntando quatro ao antigo bastião de Ponte de Lima: Albergaria-a-Velha (Aveiro), Vale de Cambra (Aveiro), Velas (Açores) e Santana (Madeira). Fraco pecúlio para um partido que já governou as câmaras de Lisboa e Aveiro, entre várias outras. Portas, com o seu reconhecido talento para sound bites, apressou-se a falar no "penta" centrista. Mas a verdade é que o partido recua no terreno eleitoral. Um sinal de alarme deve acender-se no Largo do Caldas já a pensar nas futuras legislativas. Que podem tardar menos do que alguns imaginam.

Primeiro desafio: como travar o declínio eleitoral do CDS?

 

2. Os parceiros menores das coligações costumam ser os mais prejudicados. Assim tem sido no Reino Unido, onde muitos liberais-democratas já se questionam se fizeram bem em coligar-se com os conservadores, e assim aconteceu na Alemanha, onde a CDU de Angela Merkel corroeu dois parceiros sucessivos: primeiro os sociais-democratas, entre 2005 e 2009, e agora os liberais. Os primeiros ainda não se recompuseram, os segundos acabam de ser riscados do mapa eleitoral. Este é um risco que Portas corre ao manter-se na coligação, sobretudo em tempo de grave crise económica e o país sob intervenção externa no plano financeiro. A sua margem de manobra é muito estreita: se move um pé para a esquerda, pode ser acusado de deslealdade a Passos Coelho; se move um pé para a direita, perde a autonomia partidária. No fim da estrada, arrisca-se a não agradar a gregos nem a troianos.

Segundo desafio: como manter a autonomia do parceiro menor da coligação governamental?

 

3. Do ponto de vista estratégico, a prazo, interessa ao CDS manter uma posição quase equidistante entre as duas principais forças políticas, recuperando e actualizando uma antiga tese de Freitas do Amaral quando liderava o partido. Um PSD forte, como chegou a suceder no tempo de Cavaco Silva, sentirá sempre a tentação de engolir o CDS, considerando o eleitorado deste partido uma espécie de prolongamento natural do seu. Por outras palavras: o PS, para governar, precisará amanhã tanto do apoio parlamentar dos centristas como hoje necessita o PSD. Um primeiro teste real a esse cenário vai ocorrer na Câmara Municipal do Porto, agora presidida por Rui Moreira, que para ser eleito contou com os votos do CDS. Portas não dirá nem fará nada, daqui para a frente, que inviabilize uma futura coligação governamental PS-CDS, evitando ao mesmo tempo que essa atitude lhe suscite o ódio das hostes de Passos Coelho. Desafio difícil, a pôr à prova os dotes de equilibrista do vice-primeiro-ministro.

Terceiro desafio: como estender pontes para o PS sem perturbar as relações com o PSD?

 

4. Portas é o líder partidário há mais tempo em funções no País: dirige o CDS desde 1998, exceptuando o curto interregno protagonizado por Ribeiro e Castro no biénio 2005-2006. Cabe-lhe lançar os alicerces para um novo ciclo de vida no partido, distribuindo responsabilidades por dirigentes mais jovens. Um ciclo cuja existência depende menos da sua dimensão eleitoral (neste momento é a terceira força política mais representada no hemiciclo de São Bento) do que da sua capacidade de continuar a influenciar a acção governativa. Para tanto, há que superar um antigo problema interno de falta de quadros e a natural desmobilização das gerações mais jovens para a vida política.

Quarto desafio: como renovar o partido, tornando apelativa a sua mensagem política?

 

5. Tal como o actual primeiro-ministro, o líder do CDS está refém dos resultados da política económica do Governo. E precisa inequivocamente que os mínimos sinais de melhoria sejam evidenciados aos portugueses em tempo útil para determinar o voto. De nada valerá tentar separar as águas reclamando uma responsabiilidade menor do CDS quando destacados dirigentes deste partido ocupam as pastas da Economia e da Segurança Social, já para não falar da promoção do próprio Portas a vice-primeiro-ministro ocorrida na remodelação governamental de Julho e que amarrou ainda mais os democratas-cristãos ao destino do executivo.

Quinto desafio: até que ponto poderá a situação do País ameaçar o futuro do CDS?

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10 comentários

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De Ferrugem a 07.10.2013 às 18:53

Desafio fundamental: como deixar de dar reviravoltas umas a seguir às outras, numa série infindável?
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De Pedro Correia a 10.10.2013 às 22:22

Atlovariver mes acitílop áh oãn.
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De Ana a 07.10.2013 às 21:57

"Primeiro desafio: como travar o declínio eleitoral do CDS?" É o próprio CDS que vai rebentar com o partido.
"Segundo desafio: como manter a autonomia do parceiro menor da coligação governamental" Simples. A honestidade e fazer valer os princípios do CDS e o PSD ou aceita ou nada feito.
" Terceiro desafio: como estender pontes para o PS sem perturbar as relações com o PSD?" Este CDS de Portas não tem dignidade, nem moral, para fazer coligações com ninguém.
"Quarto desafio: como renovar o partido, tornando apelativa a sua mensagem política?" Não pode renovar o partido enquanto fizer exactamente o contrário daquilo que apregoa. É um partido do faz de conta e que se está a enterrar num poço demasiadamente profundo..................................
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De Vasco a 07.10.2013 às 22:40

Para manter a sua base eleitoral o CDS precisa de fazer o que promete no seu programa eleitoral. Nesta legislatura fez tudo ao contrário daquilo que atraiu os eleitores. E nas próximas eleições vão pagar muito caro por essa desfaçatez, alienando 10% de votantes na Abstenção
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De Pedro Correia a 08.10.2013 às 18:21

Nunca custa prever que o CDS deverá ser penalizado nas urnas, embora muito dependa da data em que se realizarão as legislativas. Mas a prova real de sobrevivência do partido, que nunca está definitivamente garantida, será ditada pela sua utilidade na formação da próxima coligação governamental, tenha ela o formato que tiver.
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De da Maia a 08.10.2013 às 11:27

Viu vez de ter parceiro politicamente defunto, sem pensão de viuvez.
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De Pedro Correia a 08.10.2013 às 18:17

A pensão de viuvez está p'la hora da morte.
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De da Maia a 08.10.2013 às 18:23

... ora ora, é de orar hora a hora.
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De João Pedro a 08.10.2013 às 15:35

Não sei se é de propósito ou não, mas reparo que o título do post é "os cinco desafios de Portas", e não "os cinco desafios do CDS-PP", o que simboliza bem quão grande é a identificação entre o partido e o homem que em tempos disse que era "o anti-poder".
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De Pedro Correia a 08.10.2013 às 18:16

Não é o único partido onde isso sucede, João Pedro. Mas no caso do CDS é mais flagrante essa identificação entre o líder e o partido do que em qualquer outro. O que é uma debilidade estrutural óbvia do CDS.

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