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Então, o homem

por Patrícia Reis, em 27.06.13

Então, o homem, no café, cigarro pronto para ser aceso, lá fora, disse-me

 

- Sabe, a menina, não posso aderir à greve. Votei nestes gajos. Tem de existir uma certa coerência.

 

E eu, muito rápida, muito parva:

 

- Acha que sim? Pois, eu sei sempre achei que coerente uma vida inteira é um acto de estupidez, temos o direito a mudar de ideias.

 

O homem olhou-me. Calado. Depois sorriu, ou pareceu-me ver um qualquer sorriso, e saiu.

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7 comentários

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De José Menezes a 27.06.2013 às 22:48

Claro! E também podia não ter votado nestes gajos e não aderir à greve. A inteligência ou a estupidez seriam a mesma.
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De Luís Marques a 27.06.2013 às 22:53

Ele muito digno e a sua autocrítica também.
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De jj.amarante a 28.06.2013 às 00:26

É mais que legítimo mudar de ideias, quer por uma reflexão interior quer pela observação das consequências às vezes menorizadas com o adjectivo "colaterais". Mas para um votante no PSD ou CDS intelectualmente honesto bastaria constatar que o programa em que votou, ou se não leu o programa, as promessas mais sonantes feitas por Passos Coelho antes das eleições, foram na sua maioria atraiçoadas. Neste caso, a coerência exigiria a adesão à greve.
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De Costa a 28.06.2013 às 10:41

A adesão àgreve, não sei se exigiria. Uma vez mais o que tivemos foi o sector público em greve, agarrado como lapas aos direitos adquiridos, protegendo-se a si mesmo e altivamente alheado dos interesses e dificuldades dos outros, enquanto o sector privado, tenebrosamente espremido para sustentar o olímpico imobilismo do sector público, teve mais um dia em que "ir para o trabalho" - quem o tem, ainda - foi mais difícil. E obter do estado tudo o que a sua kafkiana burocracia exige (cabe perguntar se não, essencialmente, para fundamentar parte do emprego público), praticamente impossível.

O que a coerência exigirá será que não se volte a votar nestes que lá estão agora. Por aquilo que escreveu e porque esses que lá estão agora nada de verdadeiramente sério fizeram ou estão a fazer para levar à justiça os criminosos que os antecederam e, num punhado de anos, nos levaram à ruína presente. Pior do que isso, até lhes dão tempo de antena com a benção da televisão pública.

Nós, nós pagamos...

O que nos deixa, não votando nestes, não votando nos que os antecederam, não votando naqueles que cristalizaram algures em 1917, verdadeiramente órfãos políticos.

Costa
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De Tiro ao Alvo a 28.06.2013 às 18:01

Julgo ter entendido o que quis dizer, mas fiquei sem saber se a Patrícia fez greve, ou não.
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De Luís Lavoura a 28.06.2013 às 12:04

Parabens por ainda ser tratada por "menina".
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De CeC a 28.06.2013 às 13:08

Sem consideração politica na ponderação - quem sabe, até incluía sem uma noção real de tal -, a questão fica flutuar no que distingue a mudança da estupidez.

Profundo...

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