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Uma gestão desastrosa.

por Luís Menezes Leitão, em 17.06.13

 

Não me lembro de ter assistido a uma gestão mais desastrosa de uma greve como a que foi realizada pelo Governo. Desde o início ignorou o descontentamente existente na classe dos professores, julgando que tinha instrumentos à sua disposição para minimizar os efeitos da greve. Primeiro surgiu uma artilharia de comentadores, a tentar convencer a opinião pública de que a greve era ilícita ou imoral, tentando assim desmobilizar os professores. Depois o Governo ameaçou com a requisição civil, contando que o Tribunal Arbitral decretasse serviços mínimos, apesar de o ensino não estar legalmente tipificado como um dos sectores em que é possível essa designação. Perante a recusa do Tribunal Arbitral em decretar esses serviços mínimos, o Primeiro-Ministro ameaça alterar a lei, fazendo lembrar o Ministro da Guerra de Salazar, Santos Costa, que quando era acusado de estar a violar a lei, respondia que a lei estava na ponta da sua caneta.

 

Impossibilitado de decretar serviços mínimos, Nuno Crato lembrou-se então de convocar todos os professores para a vigilância, levando assim a que cada grevista tivesse nove suplentes. Mas mesmo com esta medida, a greve teve impacto e inúmeros alunos ficaram sem exames. O resultado foi pior de que se ninguém tivesse feito exame, levando a um enorme protesto dos alunos. Imagine-se como se sentirão alunos que viram os seus colegas com exame realizado, enquanto que eles não o puderam fazer, tendo necessariamente que fazer um diferente, o qual pode ser mais fácil ou mais difícil, discriminando uns estudantes em relação a outros.

 

Uma conclusão: para se ser Ministro da Educação não basta ter escrito um livro sobre o eduquês, por muito correcto que o livro seja. É necessário ter capacidade de gestão política, o que tem faltado totalmente a este Governo.

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13 comentários

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De Pois é a 17.06.2013 às 14:14

Ministra boa foi a Maria de Lourdes Rodrigues.
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De da Maia a 17.06.2013 às 14:37

Mao Mao... o e-duquês, o es-condês, ou o ex-baronês, foram outras tantas vezes simples cartões de visitas na lógica do "bater punho" para apresentação ao e-politiquês.

A noção do "serviço mínimo que não prejudica o serviço" é identificar o conceito de greve à possibilidade dos trabalhadores tirarem dias de férias (não pagos).

A baralhação dos conceitos reflecte a baralhação do poder perante os conceitos que criou.
Quando se pedem mais e mais braços legislativos, é porque se perdeu a cabeça, restam apenas os braços de força... duma besta irracional que se mexe sem nexo.
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De Anónimo a 17.06.2013 às 16:42

Não gosto de me meter muito naquilo de que pouco sei. O caso do ensino e dos professores até há bem pouco tempo era algo que se me escapava. Porém, quando começou toda esta jigajoga, ou gigajoga, sobre o ensino e os professores, por ter alguns familiares ligados ao sector (preocupa-nos sempre com a família, quando o ambiente é bom. É o caso), comecei a estar mais atento e até mesmo a fazer umas perguntas sem que desse a entender que me estava a meter em assuntos que não me competem.
Vai daí, quero que entendam este comentário como um testemunho e também umas palavras de estímulo a todos os professores e professoras do básico ao universitário.
Sempre que visitava um dos irmãos, para ver também os sobrinho(a)s e com eles fazer um forrobodó, durante o fim-de-semana, dava sempre com aquela desgraçada agarrada a livros, testes e não sei mais o quê. Perguntando para que servia esse trabalho todo, respondia-me: tenho que preparar as aulas e verificar os pontos para poder acompanhar aluno a aluno conforme suas capacidades.
Meus sobrinhos, por parte de dois de vários irmãos, que fazem parte daqueles outros priveligiados, não obstante, neste caso, terem a mãe como professora no público, frequentam o ensino privado. Numa das conversas que com ela tive, relatou-me também que um dia tinha recebido um relatório ou bilhete da direcção da escola privada a informar que não fosse um certo de défice de atenção e um dos seus filhos, que é um excelentíssimo aluno, estaria a bater a escala da pontuação. Neste caso particular, a criança efectivamente tem um ligeiro défice de atenção. Situação comprovada por clínicos da especialidade e reportada à direcção da escola.
Ora bem, ela, ao ler aquilo, disse-me que tinha repondido do seguinte modo: "Pois é certo também que se um cego pudesse ver não necessitaria de nada nem de ninguém para o guiar". Compreendi com esta resposta que o que ela queria dizer era excatamente isso: que a criança estava diagnosticada, a informação tinha sido transmitida, e que competia a eles fazer o seu papel no sentido de ir exercitando a disciplina mental para que a criança ultrapassasse essa pequena e temporária limitação.
Parece-me, tendo em conta outros casos de estudantes na família que frequentam o ensino privado, em contacto também com pais de colegas da criançada, que as escolas privadas, entenda-se estas específicamente que não menciono, têm maior preocupação com resultados pouco trabalhosos que com aqueles outros em que envolve mais tempo e mais esforço.
Depois deste relato, espero que compreendam o seguinte: Fiquei com a sensação, por ter escutado vários professores do público, que estes para além de uma sobrecarga de trabalho, pois trabalham também em casa que nem escravos, têm uma adicional tarefa, isto é, personalizar e adaptar o seu ministério e magistério a cada aluno, repito, cada aluno, por forma a evitar exclusões. O dilema que me apercebi estarem eles a viver é o facto de não quererem deixar, como poderá talvez acontecer no privado, que nenhum aluno fique sem aquilo que lhe é devido, ou seja, a inclusão no conhecimento. No privado, por conhecimento, não acontece sempre assim. Acompanham mais e melhor os "capacitados" em detrimento dos "menos capacitados".
Perante estas circunstâncias verifico que para um pai ou uma mãe, que pode pagar, coloca-se o dilema de escolher o mal menor.
Como é possível exigir tanto de um professor quando a exigência maior é efectivamente aquilo que eles procuram fazer, isto é, acompanhar passo-a-passo Cada Aluno?
Concluo: haja respeito pelo(a)s professor(e)as, porra!!!!
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De lucklucky a 17.06.2013 às 16:56

Não. Esta foi a única coisa boa que este Ministro fez.

Para a educação totalitária que somos obrigados a sofrer a demonstração de mais um falhanço desta é sempre bem vinda.
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De Helena Ferreira a 17.06.2013 às 16:59

Colegas
seria bom que a comunicação social trabalhasse um pouco e fizesse contas do número de escolas publicas onde se realizaram todos os exames... as contas seriam diferentes das do sr ministro da educação. As contas dele apenas podem incidir com as das escolas publicas, pois foram apenas TODOS os docentes da escola publica que foram CONVOCADOS. Fazer malabarismo agora com a inclusão das privadas é fácil chegar aos 70%, mas mesmo assim tenho dúvidas.
Reparem que foram CONVOCADOS 110 mil professores da escola pública. Se pudéssemos jogar gratuitamente no euromilhões com 110.000 apostas, de certeza que teríamos um prémio bem mais gordo do que teve o sr. ministro.
Temos de fazer chegar esta premissa à comunicação social e exigir que façam as contas apenas com o que se passou nas escolas do ME, pois apenas os docentes do ME é que estão nesta luta.
Um abraço solidário para com todos os que se uniram nesta luta
Helena Ferreira - Braga
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De José Menezes a 17.06.2013 às 17:34

Tal como tinha decidido em plena consciência, hoje fui vigiar o exame. Fiquei espantado porque, à saída da escola, fui enxovalhado por colegas, batendo muitas palmas e dizendo que fiz muito bem que nas circunstâncias que ocorrem, não posso deixar de considerar ofensivas, fui fotografado e, por um colega de educação física, fui insultado e fui ameaçado com violência.
Embora não concordando, sempre aceitei a opinião de quem fez greve.
Aos colegas que me fizeram isto, mostrando nenhum respeito pela liberdade de opinião, perdoo porque me pareceram muito excitados, mas espero que reconsiderem. A decisão de voltarmos a ter uma relação de amizade normal está nas mão deles.
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De da Maia a 17.06.2013 às 21:18

Muito bem, no primeiro aspecto.
Quanto ao segundo, não sei, depende se sabia ou não que só alguns alunos iriam fazer exame.

As Escolas que avançaram com a realização do exame, colocando em situação de iniquidade os alunos presentes, devem ser responsabilizadas pela prática de discriminação entre alunos.
Se não tinham pessoal suficiente, simplesmente não realizavam o exame.

Qual era a ideia de uns fazerem e outros não?
Era só a vontade de obedecer?
Onde estava aí o interesse dos alunos prejudicados?

Pela não realização do mesmo exame para todos foi violado o princípio de equidade consagrado na Constituição.
Os cúmplices dessa ilegalidade tanto podem ir do professor obstinado que queria distribuir o exame, como da Direcção da Escola que o queria realizar, até ao Ministério da Educação se deu ordens nesse sentido.

A única maneira que o Ministro tem de resolver esta total derrota, será anular este exame, e fazer novo exame em nova data, em todas as Escolas.
Ou seja, terá que ceder à exigência, porque apostou num braço de ferro negocial, onde perdeu.

Se não o fizer, estará a persistir numa situação de iniquidade, anti-constitucional... em qualquer Constituição democrática. Os alunos prejudicados facilmente podem colocar uma acção directa contra o Estado, até no Tribunal dos Direitos do Homem.

Há, é claro, comentadeiros profissionais, que se acham democratas, e contestam o direito legal à greve... ou seja, à não imposição de trabalho forçado. Enfim, parecem palhaços saídos do Séc. XIX, prontos para uma regressão para os velhos conceitos de servidão e escravatura.
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De José Menezes a 18.06.2013 às 07:45

Não fiz greve porque concordo com a decisão de Nuno Crato em mobilizar professores excedentários e acredito na sua palavra de que todos os professores efectivos (do quadro) são necessários e não serão despedidos. Estas foram as razões da Greve.

Isto, apesar de saber que há excesso de funcionários públicos em alguns serviços e sentir que a minha profissão não deve ter privilégios especiais em relação a outras.

Isto, apesar de saber que saber que na minha escola sou o último da graduação e saber que, havendo mobilidade, eu serei o primeiro a ir.

Isto, apesar de saber que na minha escola há excesso de professores do meu grupo (FQ) e que neste momento, tenho o horário completo, tendo apenas 8 blocos de aulas, sendo resto preenchido com PAA's, PEE's e PII's que não passam de formas da "escola estatal" enganar o "estado", com autorização superior, à custa do contribuinte.

Outras reformas já decididas por Nuno Crato:
-A realização de exames (concordo, qualquer avaliação tem de ser externa senão perde toda a credibilidade).
-A fixação de objectivos em vez de "programas oficiais" (concordo, nós já não os cumpríamos integralmente, cada ano que passa são cada vez mais disparatados, na vã tentativa de serem mais "próximos da realidade" ou "mais atraentes para os alunos" ou com "novas tecnologias", etc, quando o que está por detrás do insucesso na aprendizagem é simplesmente a indisciplina para a qual é politicamente perigoso atacar. (O "sucesso educativo" pedido pelos anteriores governos era medido pelo nº de reprovações e portanto foi fácil resolvê-lo).

Fico à espera que Nuno Crato encare de frente o problema da indisciplina que prejudica todas as famílias e em particular os meus próprios filhos. (Nos 2º e 3º ciclos tive de mover influências para os pôr em turma de "elite")
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De José Menezes a 18.06.2013 às 07:52

Já agora, respondendo por fim à questão levantada, acho que o facto de alguns alunos terem feito exame e outros não, foi mau para Nuno Crato e pode ser considerado uma derrota, mau grado meu.
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De Papiro a 17.06.2013 às 23:12

Coitado!
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De José Manuel Faria a 17.06.2013 às 19:17

Quando se julga todo poderoso: Crato findou!
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De Amendes a 17.06.2013 às 22:16

Uma coisa tenho a certeza:

- O teor do palavreado de todos contendores, com destaque para a AL- Frenprof contribuirá, indubitavelmente, para ao aumento da indisciplina nas aulas... Indisciplina dos alunos e professores!

Braga foi uma pequena amostra e ensaio!

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De Krasnodemskyi a 17.06.2013 às 23:51

Caro José Menezes,

Hoje foi o meu herói. Bem haja!

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