Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Greve dos professores portugueses

por jpt, em 04.06.13

 

Leio, estremunhado, que os professores portugueses ameaçam fazer greve nos próximos dias. E com isso afectando o processo final de avaliações e talvez até os próprios exames finais. Preocupo-me um pouco com a minha filha, empenhadíssima na conclusão da sua 6ª classe, e com viagem para férias em Portugal já marcada para o logo depois dessas provas finais. Espero que a sua concentração, tão organizada, e as suas férias, tão merecidas, não sejam prejudicadas pelas lutas sindicais dos seus professores.

 

A este propósito leio também umas choraminguices das confederações de pais. Que, sim Senhor, os professores têm toda a razão, a culpa "disto tudo" é do(s) governo(s), que a greve é justa, que o direito à greve é fundamental, mas ... por favor stôres não prejudiquem os nossos petizes, coitadinhos, deêm-lhes as notas e façam-lhes os exames, não lhes questionem o direito à educação. Que coisa! As greves são para serem feitas quando doem mais, para potenciar os seus efeitos de pressão. Quando doem aos patrões/empregadores e aos consumidores/utentes. Com limites claro, da racionalidade económica (sobrevivência organizacional), política (a das boas modalidades do regime) e, em última análise, do interesse nacional. Objectivamente nada disso está em causa com um hipotético atraso dos exames por via de uma greve.

 

Os professores consideram que devem fazer uma greve (por razões que desconheço, sendo que até tenho um longínquo apreço pelo actual ministro)? Façam-na. Como deve ser. Quando atrapalha mais. E quanto aos paizinhos: ou são contra os motivos da greve, e contestam-na. Ou aceitam-nos, e deixam-se de choradinhos.

 

(é claro que não haverá greve aos exames, é bluff para as primeiras páginas dos jornais. Ainda bem para a Carolina. Que não mereceria esta confusão. Mas que, com toda a certeza, não veria os seus (sacrossantos) direitos postos em causa caso ela viesse a ser realizada).

Autoria e outros dados (tags, etc)


6 comentários

Sem imagem de perfil

De José Menezes a 04.06.2013 às 11:49

Sou professor e declaro publicamente que não faço greve.
Não vejo razões nem dou razão aos sindicatos (e sou sindicalizado).

Alinharia em qualquer forma de pressão para obrigar a responsabilizar políticos e gestores públicos, presidentes de câmaras, e etc. que descaradamente nos prejudicaram, mesmo que isso não resolva a crise.

Concordo com as ideias do actual ministro Nuno Crato (já as conhecia antes de ele sonhar ser ministro) e, pelo que vejo, está a tentar cumpri-las. Isto dói a quem, por estupidez, sempre defendeu as "neo-pedagogias", absurdas, disfarçadas de muito modernas e inteligentes, claramente carimbadas pela "esquerda" (pus entre aspas porque não sei bem o que isso é).

Cumprimentos
Imagem de perfil

De jpt a 04.06.2013 às 14:04

Obrigado pelo seu comentário. Eu não estou informado sobre as razões da atitude dos sindicatos, não sei se a questão se prende com as concepções pedagógicas, se há um confronto entre as do ministro e as da corporação, que resulte nesta greve (mas duvido, normalmente as questões que levam à greve são menos estruturantes). Agora o que não consigo entender, e repito o sumo do postal, é o rame-rame das "confederações" dos paizinhos
Sem imagem de perfil

De José Catarino a 04.06.2013 às 14:34

Como professor aposentado, não me compete opinar sobre o protesto dos colegas no activo. Pelo que me limito a dizer que a greve, se avançar, será, prevejo, um fiasco. Bastará aos directores porem de serviço nesse dia todos os professores a escola e do agrupamento. Suponho que no actual contexto nada impedirá que, por exemplo, educadores ou professores do 1 ciclo vigiem provas do secundário (e vice-versa) até porque sempre foi política não pôr como vigilantes professores da disciplina.
Mais perigosa, mas completamente inviável, seria a greve dos correctores. Para que funcionasse, os sindicatos precisariam de assegurar o pagamento dos dias de greve desses colegas, e os sindicatos estão lá para receber, não para dar. Organização requer trabalho e militância e os sindicalistas têm mais que fazer. Nada, por exemplo.
Sem imagem de perfil

De ERS a 09.06.2013 às 21:08

1. a 6ª classe não existe há muitos, muitos anos.
2. Parabéns à Carolina, empenhada e que já tem férias merecidas !!!! para depois dos exames.
3. Parabéns ao api que parece não perceber que a percentagem do exame face à nota final dificil/ , e nete caso, decerto que não, a transição para o 7º ano.
4. E quando a Carolina esmerada começar a ter maiores dificuldades no 7º ano, et pour cause - pergunte os professores grevistas e aos anão grevistas - não desanime.
5. O pp Marcelo Rebelo de Sousa está neste momento a dizer que os professores têm razão.
6. Não sou professora, se pensa que sim. Mas gosto que quem fala e escreva, saiba do que fala. E o senhor não sabe.
Imagem de perfil

De jpt a 10.06.2013 às 04:25

ERS obrigado pelo seu comentário. Como o coloca em lista numerada responder-lhe-ei do mesmo modo:
1. claro que não. Nem sei quando terá existido. "Classe" é um velho termo abandonado na terminologia escolar (quando em meados dos 1970s eu cumpri este passo chamava-se ciclo preparatório, 1º e 2º anos; e antes eram os "anos" do liceu). Acontece que este não é um documento oficial.
2. Obrigado, em nome da minha filha.
3. É um bocado incompreensível o que me diz - acontece nisto do teclar em comentários - mas interpretá-la-ei tentando não desinterpretar. Em que passo do texto encontra alguma referência ou preocupação com a "percentagem do exame face à nota final", com a questão da ponderação do exame face à avaliação contínua? Para quê o sarcasmo de me dar parabéns por algo que não percebo (segundo diz) quando é assunto que nem refiro? Que tipo de lógica é essa?
4. Quando a minha filha tiver (e quando tem) dificuldades na aprendizagem claro que tento perguntar junto dos seus professores como poderei (poderemos, em casa) ajudar, não desanimando. Em relação aos professores que tenho encontrado sempre encontrei disponibilidade para colaborarem nesse aspecto, não vejo aí nenhum motivo para desânimos [Não digo o mesmo quanto à sua disponibilidade para debater questóes mais abrangentes, algo excêntricas aos programas escolares mas ligadas à prática da escola, da "comunidade escolar" como ouço referir no jargão. Mas não será isso, também, razão para desânimos].
5. O que o professor Marcelo Rebelo de Sousa diz não me é particularmente relevante (e tenho até bastos receios que o seu púlpito televisivo permita que o homem da política da vichyssoise ascenda à presidência, algo tétrico para a gravitas política de que o país precisa como nunca). Mas já que me refere a opinião de MRS, apoiando os professores: onde encontra no texto a expressão explícita (ou, vá lá, implícita) de que eu não concordo com a razão (ou razões) dos professores. Aliás, onde encontra no texto que o assunto são os professores e as suas reivindicações?
6. eu sou professor. E gosto que quem fale e escreva, por exemplo comentando textos em blogs, perceba o que leu antes de opinar. E, no seu caso, lamentavelmente, não percebeu. Pungente incapacidade. Pior por ser um tique habitual, esta associação da tresleitura com a opinião altaneira. Dantes dizia-se bazófia, mas o termo foi sendo abandonado no quotidiano. Aplica-se-lhe. Com justiça
Sem imagem de perfil

De ERS a 10.06.2013 às 08:49

Meu caro: aprecio sua acutilância e demais linguagem que remete para necessidade de mostrar que sabe escrever, argumentar, ser capaz de um texto coesa e coerente. Não aqui esgrimir quem escreve como.
Gosto de boa prosa e o seu comentário é muito melhor do que o que escreveu no post em questão. Parabéns. Sabe muito bem como muitos e muitos professores não têm esta sua competência, ou , como agora se diz, serão capazes de atingir esta meta mínima.
Agradeço todas as refªs, mm a da vichyssoise. Sabe bem que nesta petite histoire tb entra o Paulo Portas. E este tb tem o saber falar e argumentar. Houvesse mais como ele e V. Exª e eu ficaria ainda mais grata por perceberem a greve dos professores.
Tudo o que resta serão,então, bazófias.
Atentamente, ERS

Comentar post





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D