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Vêem-se gregos, os cipriotas ...

por jpt, em 18.03.13

 

Viajei no Chipre em 1982, o primeiro inter-rail. Ficou-me uma imagem meio esbatida, pelo tempo e não só. Lembro o Muro de Nicósia, que achei pouco imponente e bem estranho (até porque na altura os "turcos" infiéis não eram os inimigos, estes vinham mais do norte), o alegre convívio júnior, até esfuziante, uma fome combatida a cervejas e muito ocasionais spaguetis e estes magníficos mosaicos de Paphos. Foi uma semana, depois voltámos à Grécia, inebriados pela história no Peloponeso, e pela fome vivida e as cervejas bebidas.

Pelo Chipre e cipriotas ficou-me este carinho, de memória. Agora vejo que lhes esbulharam as poupanças. Não sei que lhes terá acontecido e o que terão feito para se chegar a este desenho. Cheira-me que é o princípio do fim. Do quê não sei, mas de alguma coisa será. Não que me surpreenda, cá por casa muito disso se falou há uns dois anos. Emigrantes remediados, pequeninos aforradores, pensámos que o dinheiro (a moeda) entregue à guarda dos gabirús poderia desaparecer. Nas conversas amigos mais sábios na vil matéria aconselhavam: compra dólares, não os guardes em Portugal (e arredores).

Ora aí está. Hoje vê-se grego o cipriota e eu não disse nada ... amanhã ver-se-á grego o búlgaro e eu não direi nada ... depois de amanhã, ver-se-á grego o ... É ir ler o Brecht, que tem uma ladaínha dessas.

Solução? Simples. Ponham o dinheiro no estrangeiro, mesmo que seja pouco. Num estrangeiro. Escolham bem. Façam como os gabirús. E, se puderem, vão atrás dele. Não deles. Dele.

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13 comentários

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De Alexandre Carvalho da Silveira a 18.03.2013 às 14:51

"Ponham o dinheiro no estrangeiro"? isso já eles fizeram, os russos que transformaram os bancos do Chipre em gigantescas "máquinas de lavar". Até o Putin lá deve ter algum, considerando o modo como ele se referiu ao assunto.
A GASPRON ofereceu-se para pagar o resgate de Chipre (100 000 milhões de euros, coisa pouca para aquela gente). Porque é que não se ofereceu para pagar o nosso? afinal foram "só" 78000 milhões...
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De jpt a 18.03.2013 às 16:23

Ter-me-ei explicado mal. Eu não acredito que os cipriotas leiam os meus postais no DO e no ma-schamba. Daí que o "pirem-se daí" é mais para os caros patrícios que têm as suas poupanças nos euros portugueses nos bancos portugueses.
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De juromenha a 18.03.2013 às 15:25

" Viajei no Chipre..."
Aculturação?...
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De jpt a 18.03.2013 às 16:21

Não conheço a palavra, desculpar-me-á não poder responder.
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De Fernando Lopes a 18.03.2013 às 19:18

Involuntariamente ou não, está a dar o conselho que os alemães, holandeses e quejandos, querem que seja dado. Financiar a banca do norte da Europa com o meu dinheirinho? Nem depois de morto.
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De jpt a 18.03.2013 às 21:29

Encontrou um sentido no textito que não está lá. Nem literal nem esconso.
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De rmg a 18.03.2013 às 22:54


Não percebi de todo o seu último parágrafo .

É também dirigido a quem tem 5 ou 10 mil euros no banco ?
Põe-se o dinheiro em algum sítio especial que agora me escapa por mais que se tente saber escolher ?
Vai-se atrás dele e leva-se a família toda ?

Já pedi a um filho meu que agora anda aí pelas suas paragens que lhe pergunte pessoalmente .

Cumprimentos

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De jpt a 19.03.2013 às 05:10

O seu filho que me contacte. Com todo o gosto eu farei um desenho explicativo que ele lhe poderá enviar. Pois, como se torna dolorosamente óbvio, ler não é o seu forte. "A Gente não lê" cantou o Rui Veloso.
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De jpt a 19.03.2013 às 20:38

rmg comentou mas o seu comentário não entrou. Com toda a certeza porque na edição dos comentários eu me enganei e em vez de "aprovar" coloquei um involuntário "rejeitar". Aqui coloco o comentário de rmj (transcrito da cópia por email):

" Deu-me a resposta que eu estava à espera que me desse , bem na linha das respostas com que corre toda a gente por aqui . Só que eu tinha que o confirmar pessoalmente e fiz uma pergunta "ingénua" , truque velho . Há no DO muitos autores de posts que consideram o espaço dos comentários uma mais valia porque lhes permite também aperceberem-se do retorno das suas ideias e eles próprios acrescentarem novos conceitos ao post original . Se passar por algumas caixas de comentários também me vê por lá , umas vezes dizendo besteiras (acontece) e outras vezes coisas menos parvas (também acontece). E também vê esses autores dialogando comigo de forma cordata . O que o Rui Veloso cantou eu sei porque tenho todos os discos dele desde que saíu o "Ar de rock". E o que o Brecht disse também sei porque teve a ver com um viver muito mais doloroso do que aquele que o motivou a si a invocá-lo . Uma coisa ganhámos os dois hoje . Eu deixo de ler os seus posts (aliás sempre bem escritos , o que não quer dizer que estejam sempre certos como V. acha) e o jpt deixa de perder tempo a dar-me respostas tortas (no mínimo) . Quanto ao meu filho acho que é melhor não lhe fazer desenho nenhum . Ele tem quase a sua idade e não anda aí própriamente por ver andar os outros . Talvez me possa fazer o desenho a mim um dia destes ."
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De jpt a 19.03.2013 às 20:43

Agradeço este seu comentário. Explicito os dois factores que gosto mesmo no bloguismo: a) ligações; b) comentários. Blogo como quem está à mesa, de um café, de um bar. É uma conversa, um feixe de conversas, e faço-o sem agenda nem objectivos que não sejam esses mesmos. O narcisismo da converseta, de nos fazermos ouvir e ouvir gente que interesse.
Nessas conversas - ou seja, também nos comentários - há de tudo. Há uma coisa, nas conversas de blog ou nas reais, para a qual não tenho a mínima paciência. É a desconversa. Se quiser ,se tiver paciência, releia este meu textito. E releia o seu comentário, que não tem qualquer cabimento nem justificação.
Ironia, sarcasmo, insulto, até porrada, quem bota em público sabe que isso pode vir, e às vezes bem surpreendentemente. Agora, desconversa? Para isso não tenho paciência.
Saudações e espero, e creio, que continue a ler com prazer e atenção o DO.
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De rmg a 19.03.2013 às 23:38


Também agradeço o seu comentário .

Desconversa por desconversa não sei quem foi o ovo e quem foi a galinha .
A minha observação foi concretamente dirigida ao seu último parágrafo no qual também não descortinei cabimento nem justificação pois não acredito que ache factível o que lá propõe para os que têem uns tostões que ninguém quer , são casados e com filhos meio crescidos - os verdadeiros "pendurados" destes filmes todos .

Portanto achei a sua "solução" o mesmo que achou o meu comentário , talvez porque tenho um filho que foi e outro que já voltou , os dois já quarentões e com filhos no liceu , a vida não lhes está fácil (nem a ninguém) e estes assuntos tornaram-se demasiado sérios para mim .

Continuarei a ler com prazer e atenção o DO .
Mas não todo , como lhe disse .

Que a vida lhe corra bem.
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De jpt a 25.03.2013 às 19:39

Reciprocidade minha nos votos de uma vida bem corrida. Quanto ao postal em causa, e ressalvando o óbvio facto de que cada um lê como entende, permito-me citar o meu texto no tal último parágrafo que lhe desagrada: "E, se puderem, vão atrás dele. Não deles. Dele." [do dinheiro]

Não gosta da opinião, não concorda? Ok. Mas o que aqui aponta como causa do seu desagrado não cola. O que eu acho? se puderem saiam. Que tem isto de errado, de afronta ou de dislate? O que eu acho? se têm algum dinheiro escolham bem, o melhor possível, onde o podem colocar seguro. O que tem isto demais?

Já agora, sou quase cinquentão, com filha no liceu. A vida não me está nada fácil. e tende como a tantos, a piorar (e de modo abissal). Saí (há muito). E o pouquíssimo dinheiro ("tostões" como diz) que tenho está fora (eu diria mesmo que já nem está). Nem tudo o que se escreve ou se opina tem que ser autobiográfico ou empírico. Aqui, neste caso, é. E como tal, e porque o assunto (da minha vida e da minha família), me é verdadeiramente importante, parece-me que não só o seu primeiro comentário é pura desconversa como esta sequência é totalmente inaceitável. Pensar antes de disparar em cima do estrado da própria (ou familiar) experiência.

Boas leituras. E todas as felicidades e sucessos para a família, que as dificuldades sejam ultrapassadas. As vossas. E as nossas também.
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De rmg a 25.03.2013 às 22:55


O tal seu último parágrafo do post não me desagrada nem me agrada , o problema era outro .
Não o percebi ? Não me percebeu ? Ponto final.

A net é assim e já o escrevi noutro sítio : andam ao estalo pessoas que se adorariam se estivessem cara-a-cara e adoram-se pessoas que andariam ao estalo se estivessem cara-a-cara .

Obrigado por me ter lembrado que não via há algum tempo o meu western favorito (Os Sete Magníficos), que vi pela 1ª vez em 1961 com 14 anos três vezes seguidas e muitas outras vezes pelo caminho ; estive a revê-lo há dias com o meu neto de 14 anos que ficou fã.

Uma semana depois só lhe posso dizer : como queira em relação ao tema principal e obrigado e igualmente em relação ao seu último parágrafo aqui.

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