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Do absurdo

por Leonor Barros, em 19.01.13

"Quem admite casamento "gay" pode aceitar uniões entre irmãos." Há quem conduza alcoolizado e há quem aparentemente não alcoolizado nos deixe a desejar que antes estivesse. Pelo menos havia razão para uma afirmação deste calibre.

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27 comentários

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De Cristina Torrão a 19.01.2013 às 15:43

Incrível! Pergunto-me que esquemas mentais terá gente dessa.

P.S. De qualquer maneira, não menorizemos o perigo de se conduzir alcoolizado.
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De Leonor Barros a 19.01.2013 às 15:45

Desconheço o que se passa nas mentes de gente desta, Cristina. Pensava até que já nem existissem.
Quanto ao resto, obviamente que não e não era esse o propósito deste post.
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De Adolfo Mesquita Nunes a 19.01.2013 às 17:59

Atenção que as declarações são de 2009, e por isso anteriores à consagração legal do casamento. E nelas o deputado em causa disse que podia vir a mudar de opinião. Pode ser que, anos passados, e casamento aprovado, já tenha mudado mesmo :)
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De Leonor Barros a 19.01.2013 às 20:11

Mesmo sendo antes da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, não te parece absurdo, Adolfo? Acho uma enormidade daquelas.
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De Adolfo Mesquita Nunes a 19.01.2013 às 21:29

Sabes a minha posição sobre o assunto :)
Quis apenas chamar a atenção para algo que me parece real: a consagração legal do casamento entre pessoas do mesmo sexo, sem que algum cataclismo daí tivesse surgido, moderou as posições de muitos. Pode ter sido esse o caso.
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De Helena Sacadura Cabral a 21.01.2013 às 14:28

Ó Adolfo és um crente impenitente na bondade da alma humana...
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De Adolfo Mesquita Nunes a 22.01.2013 às 14:46

Sou crente, e também na bondade da ama humana, Helena :)
E exactamente por conhecer tanta gente que, com a ausência de cataclismo social, moderou a sua (o)posição é que acho que poderemos, enfim, estar perante um desses casos!
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De Helena Sacadura Cabral a 22.01.2013 às 15:51

Deus te oiça, meu amigo.
E eles também!
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De Menezes a 19.01.2013 às 15:58

Pois. Agora pergunto que raio é o casamento.

Em princípio é um contrato legal entre seres humanos (apenas 2, em Portugal), com obrigação de prática "sexual" e de fidelidade na mesma prática. Bem, esta prática e fidelidade só é posta em causa por denúncia.

Este contrato legal pode ser dissolvido, com as devidas indemnizações, se um dos contratantes não consumar práticas sexuais ou se for infiel.

Se não fossem as obrigações de prática sexuais e de fidelidade, resumia-se a um contrato de coabitação (que não é) e partilha de bens comuns.

Por mim acabava com estes requisitos de casamento. Passava a ser apenas o referido "contrato de coabitação e partilha de bens comuns", podendo ser dissolvido quando uma das partes assim o desejasse.

A instituição "casamento" passava a ser exclusivamente religiosa.

O contrato, do ponto de vista jurídico, poderia ser feito entre qualquer nº de seres humanos, independentemente do sexo e dos fins a que se destina.

A moral subjacente ficava-se pela moral religiosa (na Católica não há casamento entre 2 homens, nem entre 2 mulheres, nem pode ser poligâmico ou poliândrico).

Esta solução acabava ainda com as ambiguidades do múltiplo significado da palavra sexo.

Afinal pode haver sexo entre dois homens? A biologia diz que não.

Neste caso específico (2 homens) há apenas a introdução do pénis (de um) no intestino (de outro), levando a que os pobres espermatozóides procurem um óvulo, intestino acima, e apenas encontrem merda.
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De Carlos Azevedo a 19.01.2013 às 16:12

Além de estúpido, não tem pudor em exibir a ignorância, porque não existe qualquer impedimento ao casamento entre primos (o impedimento no parentesco colateral vai até ao 3.º grau -- tios/sobrinhos).
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De Dobra a 19.01.2013 às 17:00

Quem faz afirmações destas, ou tem problemas para resolver com a sua própria existência ou é tão ignorante que o melhor é nem levar em consideração.
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De Herculano a 19.01.2013 às 17:27

Ai se a estupidez pagasse impostos...!
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De jpt a 19.01.2013 às 17:33

Engraçado, não só a questão levantada como a condução alcoolizada são temas fundamentais. Mas a notícia que está ligada remete para uma outra questão interessante: o deputado ladrão que ainda é vice-presidente do grupo parlamentar do PS.

Quanto ao assunto em si (a "táctica do susto" para o lóbi homossexual, o "desquema" mental que aqui é referido): parece-me mais do que é óbvio que deitar abaixo os preconceitos contra a homossexualidade abre caminho para deitar abaixo os (meros) preconceitos contra o (chamado) incesto.

E não estou alcoolizado.
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De Teresa Castelo a 20.01.2013 às 07:19

Não abre caminho nenhum porque contra o casamento gay existem apenas preconceitos. Contra o casamento incestuoso existem motivos que assentam na igualdade, na liberdade e maturidade e no consentimento. O incesto costuma envolver uma relação de poder de um (o detentor da autoridade, por exemplo, o pai) sobre o outro que é exercido desde a infância. Uma criança que tenha sofrido abusos sexuais por parte de um parente próximo poderia facilmente ser coagida ou obrigada a casar com o abusador quando atinge a maioridade, legitimando assim o abuso.
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De jpt a 20.01.2013 às 18:59

Não vou ser aqui o paladino do casamento "incestuoso" (nem de outra qualquer coisa). Mas é óbvio que o que aqui coloca é uma "satanização" das relações ditas incestuosas. Nem a vou rebater. Pois sou do tempo do papel químico, e tudo o que se vai eriçando contra o que se acha incesto foi dito contra o que hoje é tão necessário aceitar (a homossexualidade). Não tem ponta por onde se lhe pegue.

Isto não tem nada a ver com o deputado do PSD (que leio nos comentários ter dito isto já há anos). No fundo, não tem nada a ver com nada, que é o radical estado da discussão sociólogica em Portugal. Um conjunto de atoardas, em regime de can-can. Nada mais. E, aí sim, concordo com este postal, com dançarinas, músicos e espectadores, bêbedos. Todos.
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De Teresa Castelo a 23.01.2013 às 23:05

A satanização não é minha, mas sim de quem usa o argumento da bestialidade, incesto e bigamia para equiparar a homossexualidade às piores formas de incesto. É nesse sentido que surge a minha resposta que, por isso, não carece de rebatimento. A mesma táctica foi usada contra o casamento inter-racial que, a determinada altura, também foi "tão necessário aceitar" e, claro está, muito do que se diz contra o incesto também foi dito contra a homossexualidade. Caso as relações incestuosas venham a reunir aceitação e consenso suficientes para se avançar com a possibilidade de legalização, dir-se-á desse casamento o mesmo que se dirá da poligamia, etc.

A questão é: não existe qualquer razão superior para aceitar a conclusão de que o casamento homossexual abre a porta ao incesto sem aceitar a conclusão de que o casamento tradicional (entre 2 heterossexuais sem grau de parentesco próximo) faz a mesmíssima coisa. Se se considera que este último não abre esse caminho então não se pode considerar o mesmo do outro.
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De jpt a 24.01.2013 às 06:50

Não tenho vontade de polémica sobre isto, até porque assunto veterano no bloguismo (bem anterior às já velhas declarações deste deputado, sabe-se lá porquê agora recuperadas). Mas permita-me referir que nem ele, apesar dos seus intentos e da canhestra forma de argumentação, nem aqui se falou de "bestialidade" (presumo que entendida no seu sentido habitual de relações sexuais com animais, eticamente reprováveis, até porque desprovidas de concordância mútua [mesmo lembrando o célebre episódio de Papillon, de Charriére, que tanto chocou a minha geração] dada a refutação de livre-arbítrio à restante fauna).

Nem mesmo de "bigamia" (uma ilegalidade, até porque assente, na nossa conceptualização, de uma falcatrua, a clandestinidade que obsta ao livre-arbítrio, à concordância mútua que funda o casamento nas nossas sociedades de tradição cristã - e que será talvez o nosso traço mais distintivo, apesar de tão pouco falado e tão esquecido no actual relativismo). Falou o deputado, então, de casamento entre parentes próximos, dito incestuoso. Também não falou de obrigações, nem violações.

Toda a posterior argumentação apenas mostra que o conjunto de preconceitos que estão associados ao incesto veio ao de cima, irrompem como se automaticamente accionadas.


Não é o casamento homossexual que "abre a porta" à refutação do incesto ou - já agora - da exigência legal da monogamia. É o redesenhar das formas prescritas de casamento na nossa sociedade que "abre essa porta". E que permite reflectir e constatar que as nossa exigências assentam em meros preconceitos. Ou opções sociais. E que não há mais nada do que isso para as defender. E nisso o deputado tem (canhestramente, ou até contra ele próprio) razão. O casamento homossexual bem que nos poderia deixar pensar em aceitar outras formas de casamento - e mais do que as "incestuosas" (raio de nome) seriam as poligâmicas as mais imediatas. E até necessárias (face à monoparentalidade exponencial, quantas vezes deficitária, e face à necessidade de reforçar as formas familiares de entreajuda)


Já agora, a história do que pensamos ser incesto no nosso contexto é muito interessante, e muito variada. Bem como os hábitos vizinhos. Constantemente "satanizados", também
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De Teresa Castelo a 25.01.2013 às 02:14

Também não tenho vontade de polémica, confesso e claro, referia-ma à poligamia. Não faço ideia porque saiu bigamia.

O redesenhar do casamento para incluir o das pessoas do mesmo sexo nunca pretendeu incluir o incesto e afins no desenho. Foram os seus opositores que o incluíram, não por quererem considerá-lo mas para forçarem a negação do outro. Surge sempre como último recurso quando tudo o resto falha. Desejando manter os seus preconceitos, tabus e opções sociais não aceitavam contudo que os outros os tivessem e se os tivessem estavam obrigados a adquirir mais alguns extra contra si mesmos. Não seria por aí que a porta seria aberta. Quando muito entreabriu-se, espreitou-se e verificou-se que do outro lado não estava ninguém, ou quase ninguém, nem praticantes nem não praticantes simpatizantes. E ainda bem, porque embora tenha abertura suficiente para colocar o debate noutro patamar, como faz o jpt, não me parece nada boa ideia injectar tensão sexual na família onde pais, filhos e irmãos se tornariam potenciais parceiros sexuais uns dos outros.
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De Dfg a 21.01.2013 às 05:18

Se se fala em casamento, está-se a falar de relações consensuais o que presume que está atingida a idade núbil. Se está preocupada, pode-se aumentar essa idade para esses casamentos e não proíbi-los.
Essas relações são, à sombra da lei portuguesa, totalmente lícitas, não constituindo qualquer ilícito penal. A que título o estado se vai meter na cama das pessoas, como muito bem diziam os defensores do casamento entre pessoas do esmo sexo? O estado laico não tem de defender pontos de vista religiosos.
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De c. a 19.01.2013 às 18:13

O incesto não é criminalizado em Portugal há uns séculos, se bem que o casamento entre irmãos não fosse possível (nem é, por agora).
O que já é possível é o João divorciar-se casar-se com aa Joana, depois divorciar-se e casar-se com a mãe da Joana, Ana que, entretanto, se divorciou do António, pai da Joana e com quem o João se poderá também casar depois de se divorciar da mãe da Joana.
Sim, é possivel alguém casar sucessivamente com ambos os sogros.
Havendo filhos da Joana e da Ana e coisa torna-se divertida.
É, evidentemente, uma situação inadmissível em quaquer país europeu - e mesmo que no mundo inteiro - mas que em Portugal se tornou possível com a reforma desse milionário cosmopolita chamado Sócrates.
Em bancarrotas, auto-estradas, vigaristas, e construtivismos ninguém nos leva a melhor!
É pena termos um indice de analfabetismo tão alto, e mais alguns indicadores muito próximos do 3º mundo, mas não se pode ter tudo.
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De Ana Vidal a 19.01.2013 às 19:26

O maior absurdo está na argumentação usada: o alerta para a procriação com consanguinidades perigosas que pode derivar de portas abertas pela aceitação do casamento entre homossexuais. Ridículo. Se há perigo que não derive daí, é exactamente esse.
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De dfg a 19.01.2013 às 21:12

A questão é a seguinte: se a lei serve para dar consagração ao modo como expressamos os nossos afectos, qual o motivo pelo qual se impede o casamento (hetero ou homossexual) entre irmãos? Ou entre pai e filho, e mãe e filho, ou mãe e filha?
Qual é o critério? O casamento homossexual entre o pai e o seu filho ou entre mãe e filha nem sequer traz qualquer problema de perigo de doenças genéticas.
Em nome de quê o estado permite uns e não outros?

Eu tenho motivos para um não a tudo isso, mas sou um reaccionário e tão velho que ainda me lembro de quando as esquerdas eram contrárias ao casamento porque, entre outras motivos, o consideravam algo de intrinsecamente mau, um instrumento de opressão, e não apenas do homem sobre a mulher, mas sobre ambos.
Mas nesse tempo, a agenda política era outra.

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De Teresa Castelo a 20.01.2013 às 06:33

Trata-se de uma questão de igualdade. A lei não permite casamentos heterossexuais entre parentes muito próximos por razões de consanguinidade. Logicamente não pode permiti-lo se os parentes forem do mesmo sexo. A lei deve ser igual para todos.

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De dfg a 21.01.2013 às 05:11

O principio da igualdade exige tratamento diverso para situações diversas: se um casamento é proíbido por razões das consequências da consanguinidade na prole, tal proibição não ofende qualquer principio de igualdade se o problema da prole não se puser, como é o caso das relações homossexuais... Isto é, se as situações não são iguais...
Simples.
Além do mais, o casamento entre parentes próximos foi proíbido muito antes de se conhecerem os problemas genéticos que podem advir da consanguinidade. A proibição assenta inteiramente num tabu religioso que um estado laico não pode acolher. Aliás, Portugal não criminaliza as relações incestuosas. Se um progenitor pode, em Portugal, ter licitamente relações sexuais com um filho ou filha - ou netos (desde que consensuais e com a idade legal para o consentimento) não se vislumbra qualquer motivo porque motivo essas duas pessoas não se possam casar. Aí sim, há uma clara ofensa princípio da igualdade.
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De Teresa Castelo a 23.01.2013 às 23:17

O principio de igualdade admite tratamento diferente para situações diferentes desde que não existam justificações objectivas em contrário. Permitir o casamento entre dois parentes próximos do mesmo sexo e proibi-lo se forem de sexo diferente implica colocar os primeiros numa posição de vantagem em relação aos segundos. Para além da descriminação com base no factor biológico passa a existir também uma descriminação com base na orientação sexual à qual o mesmo princípio de igualdade se opõe. Não é portanto tão simples como pode parecer.

A proibição baseia-se em tabus religiosos e morais e estes, por sua vez, basearam-se na observação e experiência de que essas uniões tinham consequências indesejáveis na saúde da população. Os antigos estabeleceram por isso barreiras para as evitar. O tabu religioso ou moral surgiu como uma necessidade prática. Actualmente é possível questionar essa utilidade pois a própria ciência genética pode oferecer soluções, mas será que tudo se resume à questão genética?

A forma mais comum de incesto é entre pai e filha que é também aquela que é considerada mais repugnante. Uma vez que do incesto entre irmãos também pode resultar descendência porque não nos causa este tanta repugnância como o primeiro? Portanto, a questão não se esgota com a resolução do problema da procriação.
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De Menezes a 20.01.2013 às 10:04

A opressão do casamento.
Ontem na SIC falou-se em profissionais da vida artística que querem pagar impostos.
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De ana a 04.06.2013 às 16:52

Concordo plenamente com este comentário, porque ja se verificou alguns casos de amor entre irmãos que lutam por ter uma família, conheceram-se como qualquer casal de namorados pois muitos nunca se viram antes....e são de sexo oposto...agora a lei permitir casamento entre pessoas de sexo diferente, onde está o direito de todos?

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