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Uma tempestade perfeita era assim

por Rui Rocha, em 30.10.12

Domingo - Clara Ferreira Alves estica o pescoço em diferido. Marcelo Rebelo de Sousa pede a remodelação do governo pela 4ª (quarta) vez em 10 (dez) minutos. O Sporting faz uma exibição miserável em Fornos de Algodres. 

2ª feira - Mário Soares diz do governo o que João Miranda não disse dos impostos de Sócrates. Vítor Gaspar inicia, a meio da tarde, a 3ª (terceira) explicação da progressividade reforçada do imposto sobre o rendimento. Medina Carreira anuncia o fim dos tempos pela 140ª (centésima quadragésima) vez.

3ª feira - João Miranda descobre as vantagens redentoras do aumento da carga fiscal. João Galamba apresenta o perfil da dívida pública na segunda metade da primeira década do século XXI (expurgada dos efeitos do incentivo ao abate de veículos). Manuel Alegre declama um poema sobre o estado de conservação dos dentes dos credores. 

4ª feira - Tó Zé Seguro proclama intransigência na defesa do Estado Social. Vítor Gaspar conclui a explicação da progressividade reforçada do imposto sobre o rendimento. Jorge Sampaio pigarreia. Pedro Santos Guerreiro publica um artigo notável no Jornal de Negócios em que usa a adversativa pelo menos 13 (treze) vezes.

5ª feira -  O Jornal de Negócios publica uma entrevista de Fernando Ulrich. O Sporting faz uma exibição miserável, agora na Liga Europa. Pacheco Pereira põe as mãos sobre a barriga, António Costa sorri e faz boquinha e Lobo Xavier tenta encontrar posição mais confortável na cadeira. O Jornal de Negócios abre o acesso à entrevista de Fernando Ulrich na edição online.

6ª feira - Paulo Campos dá entrevista exclusiva a canal de televisão. D. Januário recupera em directo da sinusite minutos antes de Vítor Ramalho desfiar, na cara de Mário Crespo, as virtudes da ética republicana. Enquanto assistes de olhos esbugalhados, lembras-te que perdeste a única emissão radiofónica do Governo Sombra que passa a horas cristãs.

Sábado - um membro do governo diz uma patacoada qualquer sobre as fábulas de Esopo ou sobre a indumentária dos comentadores. A CGTP promove uma manifestação multitudinária. Na RTP 1 (um) o Chefe Cordeiro resmunga contra a consistência do bacalhau confitado em cama de alface frisada e espuma de rabanete no preciso momento em que uma das crianças muda para o Gosto Disto.

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14 comentários

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De Ganda Nóia a 30.10.2012 às 16:44

Então e eu?
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De Rui Rocha a 30.10.2012 às 16:51

És tu, Bruno Nogueira?
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De Ganda Nóia a 30.10.2012 às 17:37

Eu sou baixinho.
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De Rui Rocha a 30.10.2012 às 17:41

Ah, o Mendes. Peço desculpa. Não o tinha visto.
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De Ganda Nóia a 30.10.2012 às 18:35

E além do mais uso fatos cinzentos e gravatas azuis.
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De Rui Rocha a 30.10.2012 às 22:06

Isso, isso. Brinque com coisas sérias e depois queixe-se que lhe entram os comandos pela casa dentro.
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De Isabel T. a 30.10.2012 às 17:12


Mas o que é que teremos feito,para merecer isto?
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De Rui Rocha a 30.10.2012 às 17:29

Aí é que está. Se ainda ao menos nos lembrássemos...
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De Anónimo a 30.10.2012 às 19:36

Mermão, hoje tou virado pró sério.

O problema da nossa dita crise estrutural não está somente nas vertentes económicas e financeiras. A grande crise que nos aflige reside no facto de pensarmos que o que vivemos se deve a um castigo divino, como tal temos de suportá-lo.
Se tivermos em conta a estrutura do discurso, em particular a deste arco em ogiva atómica, que também foi apoiado por certos banqueiros ou algo assim, verificamos que o mesmo se centrava na culpa. Na realidade, nós não só temos, na política, um vínculo catoniano como também exploramos exaustivamente este sentimento, em particular no momento de fragilidade. É prova disto as declarações feitas pelos grandes cérebros desta nação (da banca à indústria) no sentido de imputar tal responsabilidade, e consequente sacrifício, ao outro. Como sabemos, o outro é sempre aquele que nunca intervém na decisão mas que é sempre parte na desgraça, e só na desgraça.
Vai daí, a exploração deste sentimento, com a anuência e concordância de quem o profere, por julgar-se também sobrecarregado, continua na fórmula "da existência de uma divergência daquilo que os portugueses estão dispostos a pagar e o que querem receber como funções do estado". Esta é fina. É fina sim senhor.
Se por uma lado a afirmação permite uma exploração da consciência, fazendo passar o que está para ser votado, por outro lado, em virtude da dita anuência e concordância empática, também encontramos a estratégia que permite, temporalmente, desenvolver e aplicar o interesse que subjaz na outra parte da referida afirmação.
A partir de agora vamos assistir à saída do pombal, e as rolinhas ou pombinhas vão começar com o seu rrr..rrr.

Em 30-01-2011 algo importante foi dito, aqui:

http://economico.sapo.pt/noticias/portugal-nao-resolve-a-crise-recorrendo-ao-fmi_110001.html

Em 17-02-2011 o nosso Passos falava assim:
http://economico.sapo.pt/noticias/e-insustentavel-subir-impostos-para-pagar-juros-da-divida_111427.html

O "Desenvolvimento" não desenvolve nada. Em 18.02-2011, aqui:
http://economico.sapo.pt/noticias/passos-coelho-acelera-programa-de-governo_111479.html

Em 05-03-2011 os números eram estes:
http://economico.sapo.pt/noticias/portugal-dirigentes-ganham-333-mais-que-operarios_112681.html

Portas, em 13-03-2011, andava muito chateado com o PEC. Será que desta vez o PEC passa pelo PR e pelo TC?. Aqui:
http://economico.sapo.pt/noticias/portas-quer-levar-pec-ao-parlamento_113231.html

Em resumo, Passos queria a ajuda, e o plano também é dele. Veja aqui:
http://economico.sapo.pt/noticias/passos-avisou-socrates-ha-uma-semana-que-tinha-o-apoio-do-psd_115362.html

Em 11-04-2011 a opinião de Krugman era a que linkarei. A mesma mantém-se actual:

http://economico.sapo.pt/noticias/bce-esta-a-castigar-os-perifericos-em-favor-da-alemanha_115721.html
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De Rui Rocha a 30.10.2012 às 22:07

Sério é o termo.
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De Otolo Saraivada a 30.10.2012 às 20:21

Fosga-se, pá, ninguém se lembra de mim em parte nenhuma, pá.
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De Rui Rocha a 30.10.2012 às 22:08

Enquanto se forem lembrando de enviar o cheque da pensão todos os meses, já não é mau.
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De Patrícia Reis a 30.10.2012 às 21:39

Muito bom!
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De Rui Rocha a 30.10.2012 às 22:08

Obrigado, Patrícia. Mas melhor é o teu ali mais acima.

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