Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Exactamente

por José António Abreu, em 18.09.12

Isto.

Autoria e outros dados (tags, etc)


23 comentários

Sem imagem de perfil

De lucklucky a 18.09.2012 às 10:50

Pois. Um triste espectáculo os últimos dias quer do Governo quer da Oposição mas ainda dos portugueses.

O pior é que demonstra também que os portugueses são incapazes de se controlar em democracia com bancarrotas cada 30 anos. E não nos esqueçamos que a Ditadura Salazarenta chegou por causa da mesma falta de autocontrole da I Republica.
Argentina é o nosso futuro.
Sem imagem de perfil

De Rui Dantas a 18.09.2012 às 11:21

E ideias para aumentar a produtividade que não seja dar porrada nos do costume, não temos?
Sem imagem de perfil

De Paula Moreira a 18.09.2012 às 12:56

Concordo consigo, Rui Dantas.

Já cheira mal esta idéia que a competitividade deve ser melhorada à conta da desvalorização dos salários, afinal estamos na China ou na Europa?

E a produtividade? E a motivação? E o desempenho? Etc. Etc.

Será que os empresários e gestores portugueses estão à altura? Pela minha experiência em contexto internacional e nacional, posso afirmar que o nível dos gestores e empresários portugueses deixa muito a desejar...A começar na ética.

Imagem de perfil

De José António Abreu a 18.09.2012 às 15:50

Os empresários são tão maus e tão bons como os restantes portugueses: gostam de depender do governo, esperam que o governo lhes resolva os problemas e, quando as coisas lhes correm mal, começam imediatamente a exigir subsídios ao governo. Nem percebem que um sistema no qual o Estado é suposto acorrer a tudo acaba por ser autofágico: o Estado endivida-se, aumenta impostos para compensar, etc., etc., vai à falência e chama o FMI.
(Ainda assim, e apesar do clima económico negativo em Espanha, as exportações sobem.)

Quanto a esta ideia cheirar mal, lamento mas é como alguns xaropes. Tem alguma solução exequível que cheire melhor?
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 18.09.2012 às 14:01

Do costume? quem leva porrada é que para quem paga cada vez mais impostos e não ganhou nada vindo da dívida crescente. Uma minoria.

Se os portugueses mantiverem a sua recusa da diferença não haverá mais produtividade. A inovação é diferença, criar algo novo é ser diferente. É ir muitas vezes contra o que existe, contra os procedimentos, contra o que se fez sempre, contra as ideias dominantes.
Para os portugueses voltarem a ter a riqueza que tiveram devido aos records de endividamento terão de aprender a fazer coisas que nunca fizeram e ou mais e ou melhor o que fazem.

Os incentivos que este e os outros governos deixam são o contrário disso. Este governo aliás fez questão de atingir a participação no mercado de trabalho mais flexíveis: os recibos verdes com ainda mais força.
A liberdade para criar, para mudar é cada vez mais destruída a cada novo governo. Cada vez vão mais recursos da economia livre para a economia política.
Os preços estão cada vez mais distorcidos..
O futuro mesmo é uma distopia económica soviética tal as distorções dos preços de tudo. E pior não é sequer exclusivo português.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 18.09.2012 às 15:24

Quais são as suas, Rui? No seu blogue não encontrei muitas...
Sem imagem de perfil

De Rui Dantas a 18.09.2012 às 16:57

Um operário português produz uma cadeira por hora, que depois é vendida a 25€. Para simplificar, digamos que tem uma produtividade de 25€ /hora.

Um operário italiano produz uma cadeira a cada 2 horas, mas que depois (qualidade, design, marca, etc), é vendida a 100€. Produtividade: 50€ / hora.

Um operário sueco produz cadeiras que são vendidas depois a 10€, mas consegue produzir 10 por hora pois só tem que controlar a máquina que faz cadeiras. Produtividade: 100€ / hora.

O que há a fazer? A mim parece-me claro: cortar o salário do mandrião português. É que o sacana, além de produzir pouco, ainda teve a distinta lata de comprar algumas dessas cadeiras para a sua sala de jantar, o que é claramente viver acima das suas possibilidades.

(honrado por ter passado pelo blog; infelizmente nunca foi mantido como gostaria)
Sem imagem de perfil

De Rui Dantas a 18.09.2012 às 17:02

Ah, e ainda outra vantagem dos salário baixos (e desemprego): expulsar do país essa juventude inútil que tem a mania que é a geração mais qualificada de sempre do país, ou lá o que é.

(não sei para onde vou, sei que não vou por aí!)
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 18.09.2012 às 18:02

Fico sempre espantado pelas divisões que os Portugueses fazem entre si. Parece uma barreira mental/social impenetrável em que temos as classes dos Trabalhadores e as classes dos Empresários fixas imutáveis na cabeça de muitos portugueses.

Se um trabalhador acha que o empresário é um idiota e gere mal a empresa uma das soluções é tornar-se empresário. Mas não, o empregadedorismo não se mistura com emprendedorismo, todos na sua capelinha.
Ainda havemos de ver uma manifestação a exigir empresários de qualidade...

"tem a mania que é a geração mais qualificada de sempre do país"

Lá vem o credencialismo... o que é que interessa a credencial dizer que tem o curso xyz? sabem fazer alguma coisa que as outras pessoas=mercado=sociedade queiram?
Sem imagem de perfil

De antonio a 18.09.2012 às 11:52

. Em vez de fechar o partido numa sala de chá, em vez de discutir esta questão dentro de portas, Paulo Portas saiu à rua como se fosse um membro da oposição. Portas diz que é um institucionalista - não se notou. Mais: quando fez aquele discurso cheio de perguntas retóricas, devia ter apresentado as suas alternativas. Antes, durante e depois desta crise, o CDS tinha, tem e terá o dever de apresentar os tais cortes na despesa que compensem o não-aumento da contribuição das famílias para a segurança social.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/passos-e-portas-a-porta-da-rua-pode-ser-serventia-da-casa=f754026#ixzz26ok6vrUe
Sem imagem de perfil

De DNO a 18.09.2012 às 12:24

Ok.
Despedir, despedir, despedir!
Exterminem-se já os "funcionários" (publicos e privados) que tanto prejuízo estão a dar ao Estado!
Já agora, arranjem maneira de eliminar também os pensionistas, velhos e doente pobres.
E os desempregados, essa corja que quer viver sem trabalhar!
Não há trabalho? Há sim senhor! Vão servir os ricos e de preferência de borla.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 18.09.2012 às 15:30

Agradeço-lhe o reforço da mensagem constante do texto em questão.
Sem imagem de perfil

De Paula Moreira a 18.09.2012 às 17:21

Boa tarde Jaa,

Não sendo especialista em assunto economico-sociais oriento-me por aquilo que pessoas que respeito e admiro, dizem.

Assim sendo penso ter ouvido que antes de chegar a estas medidas de austeridade haveria outras que poderiam ser feitas para reduzir a despesa do estado.

O Camilo Lourenço fala na redução da despesa do estado e no aumento da competitividade através da baixa de salários vs desvalorização da moeda.

A diferença é que no tempo em que isso era possível o mercado era livre. No privado os patrões que quisessem podiam até aumentar os salários para acompanhar a inflação enquanto agora são uns engravatados que decidem por todos.

Assim como assim deveria fazer-se um referendo sobre sair ou não do euro!

Acho que os portugueses atingiram já um nível suficiente de maturidade politica para decidir.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 18.09.2012 às 20:10

Boa tarde, Paula.

No privado ainda há quem aumente salários - naturalmente, com a retracção do consumo os casos são poucos mas existem (conheço até um empresário que, em Novembro passado, deu um bónus aos trabalhadores igual ao corte que o subsídio de Natal iria sofrer). Mas há um ponto que tenho de contestar: não se devem aumentar os salários para acompanhar a inflação. Esse foi um dos grandes erros do passado, especialmente no sector público. Quando a inflação é 2,5% mas o PIB só cresce 0,5%, fazê-lo significa reduzir a competitividade da economia. Penso que é fácil de perceber: para compensar um aumento dos gastos superior ao aumento das receitas, o Estado tem que se endividar ou aumentar os impostos.

A desvalorização da moeda tem um efeito muito mais forte na perda do poder de compra a curto prazo (o nosso PIB está a cair 3%, o de países que desvalorizaram a moeda durante este tipo de crises caiu muitas vezes em torno de 10%). O que acontece é que, sendo essa perda superior, a competitividade aumenta mais depressa e a recuperação é mais rápida. Mas, que eu saiba, nós estamos a recusar este corte - aceitaríamos um ainda mais forte? Para nós, seria terrível a curto prazo, até porque o Estado teria de deixar de pagar a dívida (na nova moeda, ela seria muito mais elevada), o que levaria à falência muitos bancos nacionais (e causaria perdas também noutras entidades tão, hum, gananciosas como a Segurança Social - Sócrates pôs o Fundo de Investimento da SS a comprar dívida pública nos últimos tempos enquanto Primeiro-Ministro) e tornaria impossível obter financiamento nos mercados durante anos (o que, agora - surpreendentemente - , começava a parecer possível). Mas enfim: em princípio, nada tenho contra referendos. Veja aqui a minha posição quando, no ano passado, se falava da possibilidade de os gregos fazerem um:
http:/ delitodeopiniao.blogs.sapo.pt /3677641.html
Só há o pequeno pormenor de que, provavelmente, bastaria anunciá-lo para que as probabilidades de termos de sair do euro aumentassem exponencialmente e, assim, ele se tornar quase desnecessário.
Quanto à maturidade dos portugueses, lamento: em Setembro de 2009 perdi todas as esperanças nesse sentido. E os acontecimentos da semana passada não ajudaram.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 18.09.2012 às 20:13

Já agora, veja aqui a posição do Camilo Lourenço, de forma talvez ainda mais dura mas, infelizmente, 100% lógica:
http://www.youtube.com/watch?v=yDwlRB8pai8
Sem imagem de perfil

De Outside a 18.09.2012 às 20:36

"Quanto à maturidade dos portugueses, lamento: em Setembro de 2009 perdi todas as esperanças nesse sentido. E os acontecimentos da semana passada não ajudaram."

Setembro de 2009 terá sido uma escolha assim, mais uma vez o pior dos sistema à excepção dos restantes, felizmente;
Setembro de 2012 foi uma escolha deveras diferente, humana, repleta de vida, desperta (teve que atingir o privado porque no público vive o parasitismo, sem excepções verticais..pois), e espelho da maturidade que tardiamente regressa a Portugal.
Sem imagem de perfil

De Paula Moreira a 19.09.2012 às 13:01

Jaa,

A "cassete" da tese do Camilo Lourenço, vem nos manuais de economia, é a racionalidade pura e dura. No mundo real composto por pessoas e seres humanos há vida para além dos números e formulas matemáticas. Continuo a discordar da formula: reduzir salários para aumentar competividade.

Sempre me revi nos comentários do Camilo Lourenço, mas últimamente até parece o eco do Vitor Gaspar.

Revejo-me no tipo de pessoas, que ousam apresentar caminhos alternativos a este modelo econónico em vigor. Abaixo transcrevo alguém que foi protagonista da engrenagem capitalista, um antigo gestor americano que a certa altura "acordou":

..."Houve algum momento em particular em que tenha dito para si mesmo “não posso fazer mais isto”?
Sim, houve. Fui de férias num pequeno veleiro e estive nas Ilhas Virgens e nas Caraíbas. Numa dessas noites atraquei o barco e subi às ruínas de uma antiga plantação de cana-de-açúcar. O sítio era lindo, estava completamente sozinho, rodeado de buganvílias, a olhar para um maravilhoso pôr do Sol sobre as Caraíbas e sentia-me muito feliz. Mas de repente cheguei à conclusão que esta antiga plantação tinha sido construída sobre os ossos de milhares de escravos. E depois pensei como todo o hemisfério onde vivo foi erguido sobre os ossos de milhões de escravos. E tive também de admitir para mim mesmo que também eu era um esclavagista, porque o mundo que estava a construir, como assassino económico, consistia, basicamente, em escravizar pessoas em todo o mundo. E foi nesse preciso momento que me decidi a nunca mais voltar a fazê--lo. Regressei à sede da empresa onde trabalhava em Boston e demiti-me..."

Estou, também, a ler o livro do Krugman, em que ele apresenta alternativas a esta questão de reduzir salários para aumentar a competividade na economia.

Há outros caminhos, falta é vontade, porque dá muito mais trabalho.

O estado deve controlar a despesa, concordo.
É legítimo que seja à custa dos privados? As empresas do setor privado devem ser livres para as gerirem conforme achem melhor. Eu desconto para a TSU e será que um dia vou poder contar com esse dinheiro para a minha reforma? Não creio.



Sem imagem de perfil

De Pedro Barbosa Pinto a 18.09.2012 às 12:36

Percebeu que Passos "já era" e entrou em modo "engraxa o senhor que se segue". Na semana passada já tinha escrito o "Em defesa de António José Seguro". A cambalhota de Sócrates para Passos foi idêntica!
Imagem de perfil

De José António Abreu a 18.09.2012 às 15:31

Não faço ideia nem me interessa muito. Limito-me a concordar com este texto.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.09.2012 às 13:06

Este é um debate que deve ser travado num país que prefere quase sempre discutir o acessório, JAA. Tenciono voltar ao assunto.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 18.09.2012 às 15:32

E de que maneira prefere, Pedro. Fico à espera.
Sem imagem de perfil

De jose marques a 18.09.2012 às 15:08

estamos todos á espera que o iluminado economista abreu e lima venha aqui concordar com o não menos transacionavel camilo lourenço. acudam.nos!!

Imagem de perfil

De José António Abreu a 18.09.2012 às 15:34

jose: e você, terá algumas soluções (iluminadas ou, de preferência, luminosas) que possamos usar?

Comentar post





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D