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Este país não é para crianças

por Leonor Barros, em 19.07.12

Um texto breve. Uma resposta curta. Uma ou duas frases e teriam respondido ao que era pedido. Quando adolescentes entre os 15 e 17 anos foram questionados sobre como gostariam que os pais agissem perante eles, correram rios de tinta e as respostas alongaram-se em lamentos, aspirações e confissões. Embora conviva numa base diária com adolescentes dessa idade e sinta que muitos deles o que desejam ardentemente são minutos de atenção exclusiva, alguém que se sente ao lado deles e ali fique, explicando, ouvindo, ali apenas para eles numa súplica velada de atenção, os textos apanharam-me de surpresa. Eram sinceros, sentidos e um grito de desespero por aquilo a que todas as crianças e jovens devem ter direito: alguém que os ouça, um ombro, alguém que os faça sentir menos sós na selva contemporânea de umbiguismo, obsessão pelo sucesso profissional e horários desumanos que retiram tempo ao que nos deve ser verdadeiramente importante com todo o valor do mundo mas sem custo que se lhe possa atribuir.

E vem esta conversa a propósito desta proposta do FMI. Ao que parece, 'os dados mostram que Portugal já é o País onde as mães mais trabalham a tempo inteiro e também o que tem mais casais com filhos empregados'. A natalidade está a decrescer e os apoios a quem tem filhos são praticamente nulos. Tendo em conta a situação actual, configura-se que para muitas mães esta possibilidade de ter contrapartidas para regressar ao mercado de trabalho antes do tempo consagrado na lei não seja sequer uma opção mas uma inevitabilidade. Se as crianças clamam por atenção, imagine-se com uma medida deste calibre. O melhor é deixá-las logo na maternidade, se ainda restar alguma por aí, e regressar no dia seguinte, dois dias depois talvez, ao trabalho. E livrem-se de ter partos complicados e outros contratempos. Que maçada essas coisas de mulheres. Tirem as vossas conclusões quanto ao trabalho destes senhores sobre o nosso país.

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38 comentários

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De IsabelPS a 19.07.2012 às 22:47

Apoiado! Eu nem queria acreditar quando li a notícia. Ao ponto que, como de costume, não sei bem se acredite. Tenho tido preguiça de ir verificar, mas agora vou mesmo.
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De Leonor Barros a 19.07.2012 às 22:51

Há propostas que são desumanas e devia haver mais respeito pelas pessoas. Uma mulher numa situação desesperada como as que vemos por aí não está em condições de decidir livremente. Há contas para pagar e a vida para levar para a frente.
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De IsabelPS a 19.07.2012 às 23:02

Na situação demográfica catastrófica em que nos encontramos a proposta parece tão parva que eu preciso de a ler com estes dois para ver se ela é mesmo o que o Diário Económico diz. Infelizmente, nunca remetem para o link original e á vezes naõ é fácil encontrar o texto que eles "transcrevem".
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De Leonor Barros a 19.07.2012 às 23:12

A notícia no DN: http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2672774&seccao=Dinheiro%20Vivo

Gosto particularmente de o 'apoio incondicional ao rendimento de famílias com crianças é especialmente elevado nos países europeus" e no caso de Portugal e de outros Estados este tipo de regime "deve ser substituído por programas que dêem benefícios mais elevados a quem trabalhar, tais como subsídios de apoio às crianças para as mães trabalhadoras". Não entendo o que estes senhores sabem do nosso país.
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De Tiago a 20.07.2012 às 11:41

Para estes tipos, Portugal não passa de um ficheiro excel, com alguns gráficos à mistura. Servimos alegremente para experimentalismos e devaneios de pseudo experts em qualquer coisa. Falam de mães trabalhadoras como no parágrafo seguinte podem estar a falar do movimento da bolsa do dia anterior. São tudo variáveis. Não querem sequer saber das consequências sociais que as suas medidas estão a causar. Ficam num ficheiro à parte.
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De Leonor Barros a 20.07.2012 às 15:15

Totalmente de acordo com o seu penúltimo período: 'Não querem sequer saber das consequências sociais que as suas medidas estão a causar'.
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De IsabelPS a 19.07.2012 às 23:19

Exacto.É tão estranho que eu gostava mesmo de encontrar o texto do FMI. Até agora ainda não consegui.
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De CeC a 19.07.2012 às 23:58

Admito que ponderei bastante sobre comentar ou não; sinto, aliás, que o post da Leonor advém de algo mais do que meramente comenta....

Pessoalmente, sinto que está a confundir a utopia da juventude e a inata opinião do que isso mesmo acarreta: revolta, mudança, radicalidade. Digo tal no sentido de ser um honesto descrente de dados e relatórios que partem de jovens.

As próprias questões a que faz menção fazem crer que tais opiniões partem de indivíduos que tem um certo nível de carácter estóico. Sejamos, no entanto, sinceros, nenhum adolescente prima por tal....
Criticarmos resultados de progenitores que se têm de dedicar ao labor profissional é o mesmo que censurarmos todos os esforços que avós e bisavós nossos fizeram, repartindo a educação de valores ao filhos e a necessidade de criar income.

O problema, verdadeiramente, não vêm daí.
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De Leonor Barros a 20.07.2012 às 00:17

Podemos sempre falar mesmo que não concordemos. Gostava que me esclarecesse a sua primeira frase: de que advirá o meu post além da indignação contra esta 'proposta' ou 'medida'? Desconheço.

Não sei que experiência tem com adolescentes nem em que contexto, mas a verdade é que sofrem de falta de atenção. Pode não ser visível, a maior parte das vezes não é, mas se passar muito tempo com eles e, claro, se não forem seus filhos, sentirá que por baixo dos ímpetos normais da adolescência existe muito mais do que excesso e desvario aparentes. E não falo de relatórios, falo de experiência própria.

Por último, a minha crítica aos progenitores não se dirige tanto a eles como aos tempos que vivemos. O meu post vai no sentido oposto: os pais já não têm tempo para os filhos, são devorados por solicitações várias, algumas que excluem os filhos. Com esta proposta e no contexto actual há pessoas que não têm opção. Esse é o meu ponto.
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De CeC a 20.07.2012 às 01:20

Eu compreendi a que se referia, Leonor, aliás concordo; mas lá está.. é mero idealismo. E como tal acrescento; a minha lidação com jovens adolescentes advém mais além de mera questão familiar, incluindo, igualmente, acompanhamento psicológico.. mas adiante, não é por aí que desejo seguir.

A verdade é que -e sem ser algo raw- os problemas da juventude são de carácter antropológico. Bem sei que poderá soar algo ambíguo, mas analisemos -por exemplo- a questão de bullying britânico; sempre senti, há décadas atrás, que seria algo que se iria alastrar a toda a geração jovem.

Podemos expandir tais alastramentos a todo o tipo de comportamentos, e daí dizer que não dou grande valor a relatos, ou estudos, baseados em opiniões adolescentes. Não pretendo, no entanto, retirar a veracidade das palavras de tais jovens mas a verdade é que nenhum irá primar pelo enquadramento da realidade. A sua forma de pré-identidade advém, inclusive, da antítese. É nesse sentido que qualquer jovem encontrará a sua própria identidade, balanceado o concreto da realidade com a fantasia do desejo.

No fundo, são eles os jovens -como igualmente fomos todos nós- o primórdio da demagogia e da falácia.
Como dizia, anteriormente, concordo com muito do que diz, mas lá está... falta consciência educacional.
Caindo até no erro da arrogância ponderativa, concluirei que o problema base da juventude, e própria educação, advém do desenquadramento que os progenitores actualmente fazem da educação; confundindo amizade parental com rigidez necessária à educação. Admito, no entanto, que haverão sempre limites à influência de educadores: progenitores, professores.

Transformar tal questão em politica parece-me demasiado desenquadramento de responsabilidade. Daí ter feito menção a gerações anteriores que mesmo com menor tempo de dedicação familiar, que as actuais, transmitiram valores concretos.
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De Leonor Barros a 20.07.2012 às 15:25

Usei um exemplo prático para chegar àquela conclusão, mas globalmente concordamos, não que seja obrigatório concordar :)
As gerações anteriores tinham um outro ritmo imposto pelas condições de vida. Já se sabia que o dinheiro era limitado, ninguém sofria com falta gadgets, casas, viagens, éramos menos exigentes e menos ambiciosos. E não me interprete mal, não acho que 'antes' é que era bom. Nada disso. Já nem imagino a minha vida sem internet nem computador ou telemóvel. Quando olho para trás, a minha adolescência comparada com a actual era uma pasmaceira completa. Os tempos são o que são.
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De portuguesacoriano a 20.07.2012 às 00:03

Sr.ª Leonor B.
É realmente muito triste, uma mãe e um pai, terem de deixar seus filhos desde recém-nascidos aos cuidados de terceiros. Andamos numa azafama tão grande que nem nos damos conta dos valores que menosprezamos ao transformar amor num bem material.
Depois, um dia mais tarde, muitas, cada vez mais vezes, apercebemo-nos do erro, mas já é tarde de mais, nem conhecemos nossos filhos, já não conhecemos nossos esposos. Somos a solidão personificada. Conseguimos um bom carro em troca um filho toxicodependente, temos a casa mais bela da rua mas conhecemos melhor um colega de trabalho do que a pessoa que dorme a nosso lado. Família , é uma teoria difícil de se praticar nos dias de hoje, os governos só pensam em se governar, não projetam o futuro do país, também eles estão fechados na sua solidão e no seu egoísmo, nem se dão conta de uma população que envelhece e que não se renova.
Vista curta, quase cegueira .
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De Leonor Barros a 20.07.2012 às 00:22

Leonor, sem o sra. soa-me melhor :)
É a voracidade dos tempos. É muito difícil conciliar vida familiar e profissional. No caso dos filhos não sei se eles fazem chegar aos pais este sentimento de algum abandono e se os pais terão sempre consciência. Educar é ingrato: só se vê se errámos a posteriori e dificilmente se consegue reparar o que não se fez tão bem.
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De portuguesacoriano a 20.07.2012 às 00:34

Creio que também dizer, a voracidade do capitalismo, assenta bem.
Todos nascemos para morrer, tudo fica para traz, a nossa verdadeira fortuna esta nos nossos filhos, eles estendem
a nossa identidade os nossos valores o nosso passado.
Quando se vive assim, como até certo ponto, hoje nos vemos obrigados a viver, demonstramos apenas irresponsabilidade para com o nosso futuro e desrespeito para com o nosso passado
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De Leonor Barros a 20.07.2012 às 15:25

Tem razão. O equilíbrio é muito difícil.
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De AEfetivamente a 20.07.2012 às 00:52

Grande texto, Leonor.
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De Leonor Barros a 20.07.2012 às 15:26

Obrigada, Fátima :)
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De FERNANDO AMORIM a 20.07.2012 às 06:40

Se calhar sai um pouco do assunto do post.
Mas tive sempre a opinião que deveria ser dado um qualquer curso/formação aos futuros pais. Acho que boa parte dos problemas se resolveriam aí.
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De Leonor Barros a 20.07.2012 às 15:33

Acredito que sim. Faz-me muita impressão que tenha desaparecido a capacidade de relativizar o que os adolescentes dizem. Para alguns pais aquela é a verdade absoluta e eles habituam-se a manipulá-los e a manipular os adultos. Quando se confrontam com a realidade e com o facto de não conseguir manipular todos, o choque é grande.
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De portuguesacoriano a 20.07.2012 às 09:48

Leonor
Na minha opinião, com alguma experiencia própria, perder a ligação com um filho é algo que dificilmente acontece, só mesmo em sistemas muito desestruturados.
Contudo parece-me que facilmente, podemos cair no erro de pensar que esta tudo bem, quando esta já muito mal. É exigente para os pais, e até para os filhos manterem entre si uma "linha" que lhes permite comunicar o que lhes vai na alma, quando são bebés , são puros, e aí damo-nos conta da sua essência.
Eles crescem mas a sua verdadeira essência cresce com eles, depois há que respeitar isso. Não adianta tentar mudar o que é natural, devemos educar ensinando, mas sempre com respeito pela pessoa que no fundo a criança já o é, e é esse precisamente este "fundo" que nunca devemos deixar de conhecer, e nunca cair num erro que leve a que ele se encerre. Quando isso acontece ou estamos muito atentos e tentamos remediar, o que nem sempre é fácil , ou sem nos aperceber damos inicio a uma separação que pode até nunca mais ter retrocesso.
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De Leonor Barros a 20.07.2012 às 15:41

De acordo. Quando se perde o respeito, já não há mais nada. A adolescência é um período muito complexo mas estou certa de que, dentro do respeito, é nossa 'obrigação' como adultos apontar-lhes caminhos e orientá-los para que depois possam decidir. E dar-lhes atenção. É fundamental.
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De Luís Lavoura a 20.07.2012 às 09:52

os apoios a quem tem filhos são praticamente nulos

Há muitas creches que aceitam crianças logo a partir dos dois anos de idade, algumas até bem mais novas. Na Alemanha tal coisa é muito rara. Na Alemanha uma mãe é praticamente condenada a ficar em casa sem trabalhar até aos seis anos de idade do filho, por não ter onde o pôr antes disso. E mesmo para além dos seis anos, porque as escolas não guardam as crianças até às 17:30, como cá.
A Leionor pode achar que em Portugal "os apoios a quem tem filhos são praticamente nulos", mas posso-lhe garantir que há países desenvolvidos em que eles são ainda muito menores.
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De portuguesacoriano a 20.07.2012 às 10:24

Sr. Luís
Deve com certeza entender que nesses países que "condenam" as mulheres durante 6 anos e não dão apoios a maternidade, são países que souberam se desenvolver ou souberam acompanhar a evolução sem descurarem dos valores base. Com toda a certeza na grande maioria das famílias desses países, um dos elementos do casal consegue aguentar o sustento do lar com algum à-vontade . Em Portugal isso só é possível para uma minoria. Rotulando: classe média alta a alta.
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De Leonor Barros a 20.07.2012 às 15:47

A Alemanha é um outro país. Na Alemanha os pais recebem uns 200 euros de subsídio de família até aos 18 anos e se as mulheres não vão trabalhar é porque o que auferem lhes permite isso. Já nem discuto carreiras e realização profissional das mulheres. Seria um outro assunto.
Os horários das creches têm a ver com o quotidiano das pessoas, é a lei da oferta e da procura. Não há oferta porque não há procura. Na Alemanha há condições que se dão às pessoas para poderem ficar mais tempo em casa dignamente.
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De Luís Lavoura a 20.07.2012 às 15:55

Do ponto de vista de muitas alemãs, as coisas não são bem assim.

Muitas alemãs desejariam voltar a trabalhar em vez de estarem presas aos filhos. Gostariam de ter creches onde deixar os filhos, mas não as têm. Gostariam de não perder o contacto com o mundo do trabalho, incluindo todas as pessibilidades de contactos sociais e de progressão pessoal que ele contem.

É falso que muitas mulheres alemãs não voltem a trabalhar quando têm filhos apenas porque recebem um subsídio de 200 euros, ou apenas porque o marido aufere um salário fabuloso. Não voltam a trabalhar porque não podem. Porque não têm condições para isso. Porque são mal vistas se o fizerem. Porque não têm creches onde deixar os filhos.

Já agora, a natalidade alemã é praticamente tão baixa como a portuguesa. Talvez seja porque as alemãs acham, como as portuguesas, que não têm condições para terem filhos.
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De Leonor Barros a 20.07.2012 às 17:32

Lá vamos nós outra vez. Mas eu disse que as mulheres deixavam de trabalhar porque ganhavam 200 euros de abono de família por cada filho? O que eu disse é que as mulheres podem ficar em casa mais tempo quando são mães porque os apoios sociais e o que ganham lhes permitem isso mas não até aos 18 anos evidentemente. Podem optar, certo? Estava a comparar os abonos de família. Também lhe disse que não ia discutir as carreiras e as ambições profissionais das mulheres alemãs. Não é isso que está em causa. Se acha que os apoios à natalidade se resumem ao proliferar de creches e infantários, às vezes a preços exorbitantes e que se aproveitam do facto de os pais não terem outro remédio, discordamos, claro.
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De Ricardo Sardo a 20.07.2012 às 11:51

Bom dia Leonor.
Nem sei por onde começar, já que muito haveria a escrever sobre isto. Desde já peço desculpa pelo longo texto, mas vou tentar conter-me e resumir ao máximo.
Tenho uma filha de quase 17 meses e ainda hoje sei o que custa não poder estar mais tempo com ela. Sou profissional liberal (não tenho horários, mas tenho o trabalho para fazer, leva o tempo que levar) e a minha mulher trabalha por conta de outrem, com horários que limitam bastante o contacto (sobretudo ao final do dia) com a nossa filha. Também sei o que lhe custa. Sei que, por exemplo, na Suiça a licença é de 1 ano e que os subsídios e benefícios fiscais (incentivos, portanto) são elevados. Ainda há meses falava disto com os meus vizinhos de cima, que têm 2 filhos e emigraram para a Suiça há cerca de um mês...
Em Janeiro escrevi que as recentes alterações legislativas do governo são profundamente erradas e vão contra os interesses do país nesta matéria. Qualquer governante minimamente inteligente sabe que apostar na natalidade é apostar no futuro do país e na sustentabilidade do próprio país, a começar pela segurança social e a terminar nas receitas fiscais (que possibilitam mais e melhores serviços públicos, como saúde, educação e transportes) As recentes medidas são criminosas, porque colocam directamente em causa o futuro das pessoas e o seu acesso aos bens e serviços essenciais. O próprio ministro Mota Soares que, na oposição, clamava por mais apoios e criticava (e bem) o anterior governo pelos cortes nestes apoios, veio agora fazer o contrário. Mas de promessas quebradas pelos governantes estamos nós fartos certo?
Recordo-me, também, de uma outra medida legislativa deste querido governo. Para o cálculo dos rendimentos, para efeitos de isenção das taxas moderadoras, os filhos não contam. Sim, para este brilhante e competentíssimo (e inteligentíssimo) governo, os filhos não contam, ponto final! Isto diz tudo, é todo um programa, toda uma mentalidade, retrógada e estúpida. Já nem vou pela nova legislação laboral, que coloca os pais a trabalharem mais (na prática é isso que vai acontecer e sei do que falo por uma das áreas que mais exerço é direito laboral), incluindo aos sábados (aos sábados não há creches! Como é para quem não tem avós, leva-os para o trabalho?) ou no aumento do iva para os produtos para crianças e bebés, como os alimentares (sim, os boiões de fruta devem ser evitados, mas quem tem tempo para descascar fruta e triturá-la ou cozê-la, às horas tardias que os pais chegam a casa?)
Há pouco tempo li, por causa de um processo, uma obra de Michael Lamb (chefe do departamento de psicologia social e do desenvolvimento da Univ. de Cambridge) sobre a importância da presença dos pais nos primeiros meses (e anos) de vida de um bebé e na forma como a personalidade deste é moldada pela presença (ou não) daqueles e do grau de acompanhamento. Na creche que a minha filha frequenta, está um papel a pedir aos pais para reduzirem o tempo em que elas permanecem no estabelecimento, com referências a estudos e opiniões de pedopsiquiatras. Mas claro que as mentes brilhantes que nos governam não sabem disto, pois tiraram licenciaturas às três pancadas, com favores e à conta de amigos e favores, ou com médias de 10 que só lá estão por favores e por terem o cartão do partido. E depois sai disto, legislação estúpida e contraproducente. E destróiem o país e o futuro das pessoas e das crianças e quando isto der o berro, fogem para as zonas de conforto, para os tachos que já estão à sua espera, ficando nós cá para tapar o buraco e limpar a borrada que andam a fazer. Enfim...
Cumprimentos e, mais uma vez, peço desculpa pelo longo texto.
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De Luís Lavoura a 20.07.2012 às 15:45

na Suiça a licença é de 1 ano e que os subsídios e benefícios fiscais (incentivos, portanto) são elevados

Sim, mas tomara muitas mães suíças poderem regressar ao trabalho depois de terem filhos. A maior parte delas são mais ou menos forçadas a ficarem em casa sem trabalhar até os filhos terem dez anos ou mais. Na Suíça, como nos países de tradição alemã em geral, uma mulher que tenha filhos é chutada paa fora da força de trabalho. E pode crer que muitas delas o lamentam.

A questão é esta, cá em Portugal os pais lamentam-se por terem que trabalhar tanto e terem tão pouco tempo para estar com os filhos, na Suíça as mães lamentam-se do contrário, de serem forçadas a estar com os filhos tanto tempo e terem tão poucas oportunidades para regressar ao mundo do trabalho.
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De Ricardo Sardo a 20.07.2012 às 16:32

Deduzo, portanto, que concorda comigo de que no meio está a virtude e que nem tanto à terra e nem tanto ao mar... Se a Alemanha tem a mais, nós temos manifestamente a menos. O equilíbrio será a solução certa e não os exageros. E nós estamos, claramente, a exagerar no desincentivo à natalidade.
Já agora, na Alemanha e na Suiça não se atrasam nas prestações sociais como cá.É outra enorme diferença, que também serve para desmotivar...
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De Leonor Barros a 20.07.2012 às 17:34

Não tenha ilusões, Ricardo, o Luis Lavoura concordou comigo uma única vez desde que aqui comecei a escrever em 2009
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De Leonor Barros a 20.07.2012 às 15:51

Este espaço é dos comentadores, Ricardo, sinta-se à vontade para o utilizar.
Não me surpreende que a natalidade esteja em declínio neste país. As pessoas sentem-se ensanduichadas entre a profissão e a família porque não há respeito nem o menor dos benefícios ou incentivos. Se é verdade que muitos pais não querem saber das crianças, há outros que não têm tempo, sabem disso, mas não conseguem/podem fazer melhor e isso é dramático. Enquanto isso, os governantes ignoram-nos.
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De Ricardo sardo a 21.07.2012 às 07:58

Pois ignoram-nos. Mas os amigos não. Acabei de ler isto no Arrastão, que o foi buscar ao facebook (na mesma linha do que aqui escrevi em comentário a um texto do Rui Rocha, sobre a investigação do DCIAP às privatizações):

"1) A TROIKA sugere no "memorandum" a VENDA do Negócio da SAÚDE da CGD;
2) O Governo nomeia António Borges para CONSULTOR para as VENDAS dos negócios Públicos;
3) A Jerónimo Martins (Grupo Soares dos Santos) CONTRATA o mesmo António Borges para Administrador (mantendo as suas funções de VENDEDOR dos negócios públicos);
4) O Grupo Soares dos Santos (Jerónimo Martins) anuncia a criação de um novo negócio: a SAÚDE (no início DESTA SEMANA);
5) A TROIKA exige a VENDA URGENTE do negócio da SAÚDE da CGD já este mês (notícia de HOJE)."

De acrescentar que esta personagem sombria ganha qualquer coisa como 225 mil euros por ano, livres de impostos! Claro que terão de cortar nos subsídios para sustentar esta mama! O Bispo Torgal tem toda a razão.
Bom fds.

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