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Semear ventos

por Pedro Correia, em 22.03.12

Um eterno secretário-geral de um partido que se proclama "dos trabalhadores" mas no qual os trabalhadores jamais votam apressou-se a marcar presença no prime time televisivo da greve da CGTP, à meia-noite, falando com a autoridade política que os seus zero vírgula qualquer coisa obtidos nas urnas lhe conferem: «É preciso fazer tantas greves gerais quantas forem necessárias até derrubar o Governo. (...) É preciso que este governo tenha que morrer.»

Felizmente nenhum assalariado português, esteja ou não esteja em greve, se revê nesta linguagem bélica de quem diz representar "a classe operária e os restantes trabalhadores" e é incapaz de aceitar os mecanismos elementares da democracia representativa. No sistema democrático que felizmente é o nosso, há adversários políticos e não inimigos, como a alusão à "morte", com o seu simbolismo carregado de ódio, deixaria entender. Quanto ao facto de greves sucessivas poderem contribuir para o derrube de governos escolhidos nas urnas, basta lembrar os trágicos resultados do Chile de 1973 que deviam funcionar como alerta para quem gosta de semear ventos ansiando por tempestades.

A história pode sempre repetir-se - e, ao contrário do que escreveu Marx, não necessariamente como farsa.

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4 comentários

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De Anónimo a 22.03.2012 às 13:21

Estou curioso por saber se o Pedro Correia acha que o derrube de Allende foi um mal menor necessário para impedir o alastramento democrático das ideias de Marx ao quintal das américas.
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De Desconhecido Alfacinha a 22.03.2012 às 16:07

Uma contradição de termos, sim: Alastramento democrático e Ideias de Marx.
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De Desconhecido Alfacinha a 22.03.2012 às 16:04

Caríssimo,

Delicioso e na mouche. Ainda há tanta gente cristalizada no PREC...

Forte abraço,
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De Pedro Correia a 22.03.2012 às 19:54

Em democracia, certas expressões são inaceitáveis. A expressão "morte" é uma delas.
Um abraço, meu caro.

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