Quarta-feira, 15 de Abril de 2009
por João Carvalho | 15.04.09

Sempre que uma televisão conta mais um capítulo do julgamento do presidente da Câmara de Oeiras, dou por mim a pensar na única confissão que ele parece já ter feito perante a Justiça: o cacau posto a salvo, aí uns 400 mil euros, eram sobras do que recebeu para se isaltinar em várias campanhas eleitorais, que nada o obrigava a devolver ao Estado.

Passo-me com estas coisas. Nada o obrigava a devolver? Nada mesmo? Nem a consciência? Nem o decoro? Nem por termos sido nós todos a dar-lho? Tê-lo-á ele doado às crianças abandonadas, aos sem-abrigo, às instituições que procuram minorar os males dos desamparados? Não! Depois de se isaltinar como bem lhe apeteceu, transferiu-o para uma contita bancária mantida a recato. Talvez — coitado — para não correr o risco de entregar o pilim a alguém pouco honesto!

Passo-me todo com isto, acreditem! É uma coisa que não consigo evitar, mesmo no respeito pela presunção de inocência do homem, conforme a lei me obriga. Estou-me nas tintas para saber que factos ficarão provados no julgamento e se o tribunal irá ou não condená-lo. Passo-me na mesma, porque ainda não sei se ele vai isaltinar-se outra vez este ano, se vai ter direito a mais uma maquia para se isaltinar à fartazana, quanto é que vou ter de dar para lhe pagar os isaltinanços e quanto é que irá sobrar para ele se abotoar! Passo-me, pronto! É superior a mim, é uma coisa que me ultrapassa.

Olhem, se ele se recandidata... nem sei... Socorro!

tags:
Comentar

28 comentários:
De Anónimo a 15 de Abril de 2009 às 08:45
Ó senhor, não se desaltine, que estamos em Portugal e na ilustre galeria de presidentes de câmaras não faltam a Fàtinha, o Valentim, o Avelino e mais o que se verá, isto sem falar nos que deixaram as câmaras na bancarrota devido a coisas como rotundas, secretárias da própria família e automóveis topo de gama para eles passearem.

De patti a 15 de Abril de 2009 às 10:23
O problema é que o povo de Oeiras, não se Isaltina nem sequer se desatina dessa forma.

E lá seguirá ele a Isaltinar nas próximas autárquicas.

De Margarida a 15 de Abril de 2009 às 10:30
Soberbo. Até eu senti a tensão arterial a galopar, lendo isto. É que uma pessoa assim de repente, a meio de tanta história negra e de tanta pouca-vergonha tão assumida que até duvidamos de quem tem razão, uma pessoa, dizia, distrai-se! É verdade! Distraimo-nos e cansamo-nos de tanta sem vergonhice, de tanto riso escarninho, de tanta arrogância autárquica, governamental, europeia e mundial.
Meia dúzia sempre a espezinhar os restantes, sempre a viverem à tripa-forra enquanto há quem passe fome, sempre a terem mansões e sinecuras e os outros a pedir esmola. Um nojo!

(ai querido Pedro Correia, vê porque eu não gosto de me meter nestas coisas?! Passo-me! como diz aqui o amigo João Carvalho!!)
Uf..., por isso gosto mais de falar de amor.
E de cinema, música, e coisinhas assim...

De Anónimo a 15 de Abril de 2009 às 11:06
Voto em Oeiras há mais de trinta anos. Como se vê já não sou miúda nenhuma. Nunca votei no Isaltino, mas só não vê quem não quer ver que Oeiras teve alguém com visão que fez de um dormitório o melhor concelho do país para se viver e trabalhar. O homem eticamente não se recomenda? Pois não, mas não é de agora. Desde sempre foi assim, toda a gente sabia e não foi por isso que deixou de ir a ministro. Não me venham com lengalengas e com o povo de Oeiras isto e aquilo. O "povo" de Oeiras como o de todo lado, vota em quem lhe resolve os problemas e lhe dá qualidade de vida. Exactamente como o povo da Madeira.

De Margarida a 15 de Abril de 2009 às 11:30
Por acaso, até conheço muito bem a realidade de que fala. e que é facto. Oeiras deixa saudades a quem de lá se muda. O senhor fez muito? Inequívoco. Nem é particularmente sobre ele (o que se alega a propósito, aliás) a náusea; foi assim como que uma reacção instintiva a outras histórias (das autarquias ao estado do mundo).
Também conheço muito bem Gondomar e o que o 'major' não fez. E Felgueiras nem é distante.
aliás, Portugal é um ninho pequeno. De grandes ratos.

(tá a ver Pedro?! eu não posso meter-me nestes 'assados'!!)

De João Carvalho a 15 de Abril de 2009 às 13:55
Claro, Margarida. É evidente que é nos lugares em que certos dinheiros parecem ter destinos mais suspeitos que há mais obras. Se não houvesse, o resto seria menos provável...

De João Carvalho a 15 de Abril de 2009 às 13:51
«Como se vê já não sou miúda nenhuma»? Ver, não vejo, mas jamais me passaria pela cabeça chamar "miúda" a um anónimo...

De Carlos Barbosa de Oliveira a 15 de Abril de 2009 às 10:31
Isaltinar é o verbo que está a dar, mas penso que a Norte se diga de outra forma:
http://cronicasdorochedo.blogspot.com/2009/04/dicionario-do-rochedo-48.html
Passe a publicidade...

De João Carvalho a 15 de Abril de 2009 às 14:00
Fiquei satisfeito por saber que o verbo 'Isaltinar' já tinha sido consagrado (pelo Ferreira Fernandes, ao que dizes)! Quanto a 'Felgueirar', não sei responder-te. Em compensação, há verbos que não precisam de ser criados, porque já existem. 'Gondomar', por exemplo...

De Margarida a 15 de Abril de 2009 às 15:07
ai que lindo! (ai que mau...)

De João Carvalho a 15 de Abril de 2009 às 16:51
Hehe...

De mdsol a 15 de Abril de 2009 às 12:52
Meu caro:
Permita-me que, depois de breve reflexão hummmm , isto está a começar bem) proponha um novo termo: ISALTAR . É que, tal como a si, o comportamento desta criatura dá-me cabo nos nerbos (desculpe o sotaque)! E tino mesmo, do verdadeiro, do que significa juizinho, o homem não tem nenhum. Fica-lhe o tique para o toque, naquilo que não lhe é atinente. Sem tino, a criatura é um desatino. De modo que, no meu modesto entender (também gosto desta expressão) o elemento tino deve ser banido do verbo que o caracteriza. ISALTAR tem ainda a particularidade de, em termos fonéticos, me agradar. Como diria alguém: a criatura isalta-me nas horas ...

[Desculpe a ousadia... ]
:))

De João Carvalho a 15 de Abril de 2009 às 16:54
Nada a opor, minha amiga. Eu é que pensava que 'isaltar' é o bafo dele após a charutada novo-riquenha...

De mdsol a 15 de Abril de 2009 às 20:20
eheh
gostei do novo-riquenha

: )))

De Anónimo a 15 de Abril de 2009 às 14:50
Olhe João Carvalho, se não quer anónimos, é uma questão dos os impedir de acederem à caixa de comentários, e está no seu pleno direito. Não estando registada no blog do Sapo, a si tanto lhe faz dizer que me chame Joana ou Joaquina, João ou José, não acha? Mas para a próxima talvez arranje um nome, se isso fizer toda a diferença para si. Se reparar bem, não contestei nada do diz no seu post , com o qual me identifico. O que já me irrita um pouco é julgarem as pessoas que votam em alguém que lhes deu um concelho de excelência para viverem, num país onde nunca nada anda. Estou à vontade, como disse nunca votei nem votaria nele ou neste tipo de políticos, mas eu não sou medida de nada, faço parte duma minoria, a maioria das pessoas estão-se borrifando para esses "detalhes" , e não se pode nem deve ser arrogante com elas.

De João Carvalho a 15 de Abril de 2009 às 17:07
Só estamos de acordo na substância do 'post'. Sobre o anonimato não estamos. Passo a explicar.

Para si, que não tem registo no Sapo, ser Joana, Joaquina, João ou José tanto me faz, não é? Engano seu. Tanto lhe faz, a si, mas não a nós. Sabe porquê? Porque, em caso de alguma assiduidade, sabemos reconhecer o(a) comentador(a) pelo nome que usa. Reconhecemos e sabemos estabelecer um padrão razoável pela sucessão de comentários. Entendeu?

No fundo, o que se passa é isto: um anónimo pode até ser simplesmente substituído por um pseudónimo; porém, a seu tempo e para nós, o pseudónimo é até capaz de dar lugar a uma espécie de heterónimo. E tudo se torna muito mais interessante, não lhe parece? Que interesse tem haver vários comentários anónimos? São sempre da mesma pessoa? São duas pessoas? São três?...

De Anónimo a 15 de Abril de 2009 às 17:17
Ok. não vai ser por isso que nos zangamos.

De João Carvalho a 15 de Abril de 2009 às 17:19
Ok.

De João Carvalho a 15 de Abril de 2009 às 17:15
Aproveito para acrescentar o seguinte: estou registado com o meu nome, que é aquele que uso aqui. Mas sabe se esse é mesmo o meu nome? Isso tem algum interesse para si?

Se a sua presença aqui for habitual, algum interesse tem: um chama-se Pedro, outra é a Ana, aquele é um texto do Jorge, o outro 'post' era da Teresa; e por aí fora, cada qual com as suas posições, sensibilidades e modos de escrever. Certo?

De Pedro Correia a 15 de Abril de 2009 às 18:53
Certo.

De mdsol a 15 de Abril de 2009 às 20:22
Qual ameijoa a comentar:
Se não se chama João
Tenho de lhe confessar
A minha desilusão.

: )))

De João Carvalho a 15 de Abril de 2009 às 22:23
Maria do Sol, atrevida:
Eu sou mesmo João.
Amêijoa não fui na vida,
O que fui é mexilhão!

De mdsol a 15 de Abril de 2009 às 22:34
Ameijoa não lhe chamei
Só m'apropriei do jeito
E ao comentar rimei.
Se não devia... 'stá feito!

Mas explico o porquê
Desta minha afeição
Ao nome que, já se vê,
É esse mesmo: João

E 'xplico-me duma vez:
Diz-se logo, de um assento,
Enfático, bem português
E nome do meu ... rebento!

rsrsrs

eheheh

:)))

De João Carvalho a 15 de Abril de 2009 às 23:14
Agora que até sei
Que nome o rebento tem,
Já só me falta saber
O nome da que é mãe.

De mdsol a 15 de Abril de 2009 às 23:19
O caso está mal parado!
Fica a conversa a meio
Porque, aqui do meu lado,
Tenho um nome muito feio!


:)))

De João Carvalho a 15 de Abril de 2009 às 23:31
O mal-parado é no banco,
Dona Maria do Sol.
Maior é o espanto
De rimar com Sonasol!

De mdsol a 15 de Abril de 2009 às 23:42
Tal rima só vem mostrar
Que é um nick limpinho
Nada que o verbo Isaltar
Consiga por pergaminho.


Sim convém recordar que isto começou com os Isaltinanços Isaltinar Isaltar e ... nunca aquela frase que diz que as palavras são como as cerejas foi tão verdadeira.

E agora a sério: Eu fazia quadras com alguma facilidade, assim meio repentista. Já há anos, bastantes, muitos que não fazia e... soube-me bem esta brincadeira...

Por isso também devo agradecer...

: )))

De João Carvalho a 15 de Abril de 2009 às 23:52
Retribuo com um 'post' novo. Fique atenta a quem está para chegar: «os inconfidentes figurados»!

Comentar post

Pesquisa
 
Autores
Mais comentados
Ligações
Arquivo
2012:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2011:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2010:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


2009:

 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12


Visitas