Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Desacordo ortográfico

por Pedro Correia, em 17.02.12

Já não é só o Centro Cultural de Belém -- instituição de direito privado, sem tutela pública. Ou Serralves. Ou a Casa da Música. Já não são só a generalidade dos jornais que o ignoram -- Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, i, Diário Económico e Jornal de Negócios, além da revista Sábado.

Já não só os angolanos que se demarcam, ou os moçambicanos. Ou até os macaenses. Sem excluir os próprios brasileiros.

Por cá também já se perdeu de vez o respeitinho pelo Acordo Ortográfico. Todos os dias surge a confirmação de que não existe o consenso social mínimo em torno deste assunto.

São os principais colunistas e opinadores da imprensa portuguesa. Pessoas como Anselmo Borges, António-Pedro Vasconcelos, Baptista-Bastos, Frei Bento Domingues, Eduardo Dâmaso, Helena Garrido, Inês Pedrosa, Jaime Nogueira Pinto, João Miguel Tavares, João Paulo Guerra, João Pereira Coutinho, Joel Neto, José Cutileiro, José Pacheco Pereira, Luís Filipe Borges, Manuel António Pina, Manuel S. Fonseca, Maria Filomena Mónica, Miguel Esteves Cardoso, Miguel Sousa Tavares, Nuno Rogeiro, Pedro Lomba, Pedro Mexia, Pedro Santos Guerreiro, Ricardo Araújo Pereira, Vasco Pulido Valente e Vicente Jorge Silva.

É o ex-líder socialista, Francisco Assis, que se pronuncia sem complexos contra este «notório empobrecimento da língua portuguesa».

É o encenador Ricardo Pais, sem papas na língua.

É José Gil, um dos mais prestigiados pensadores portugueses, a classificá-lo, com toda a propriedade, de «néscio e grosseiro».

É a Faculdade de Letras de Lisboa que recusa igualmente impor o acordo. Que só gera desacordo.

Um acordo que pretende fixar norma contra a etimologia, ao contrário do que sucede com a esmagadora maioria das línguas cultas. Um acordo que pretende unificar a ortografia, tornando-a afinal ainda mais díspar e confusa. Um acordo que pretende congregar mas que só divide. Um acordo que está condenado a tornar-se letra morta -- no todo ou em parte. Depende apenas de cada um de nós.

Autoria e outros dados (tags, etc)


71 comentários

Sem imagem de perfil

De RuiMCB a 17.02.2012 às 15:05

Uma pessoa quase se sente atemorizada com tamanho cortejo de instituições e dignatários. Mas é mesmo só quase. Cada vez gosto mais do acordo ortográfico. Ficámos com um português mais enxuto, um pouco mais coerente com o percurso de mudanças que foi sofrendo, com menos gordurinhas.
É como a coca-cola, mas melhor :)
E, felizmente, não é perfeito.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 17.02.2012 às 15:23

Também gosto da sua assinatura, assim "enxuta". Em vez de Rui podia escrever só R. Ficava ainda mais enxutinha.
Sem imagem de perfil

De SC a 17.02.2012 às 16:29

R - ou r? - parece considerar "um avanço" a ortografia do português decretada em 1930 pelo governo brasileiro. Em contrapartida, o português em que Saramago escrevia em 2010 seria antiquado...
Assaca aos opositores à chacina do português gostos por ditadura. A "ortografia nacional" de Getúlio Vargas, nacionalista e fascista notório, parece cair-lhe no goto e finge não saber que todas as «reformas» e «acordos» foram produto de governos ditatoriais (1911, 1945, 1973) portugueses e brasileiros.
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 17.02.2012 às 16:44

Já percebi, RuiMCB, que é adepto do fast-writing. Já eu prefiro a versão saudável da língua, com gordurinhas naturais mas sem aditivos sintéticos. A língua portuguesa, como a nossa cozinha mediterrânica, é saudável e recomenda-se. Que lhe faça bom proveito o seu hamburger de plástico, eu prefiro uma boa bifana.
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 17.02.2012 às 16:52

Já agora, para o seu português ficar mesmo bem enxutinho, é "dignitário" e não "dignatário". Não me parece que esta alteração conste das novas regras.
Sem imagem de perfil

De c. a 19.02.2012 às 14:50

Os propagandistas do acordo e as calinadas dão-se bem. No próprio texto do «acordo» escreveram "insersão" por inserção.
A minha explicação, que é mazinha, é de que eles não gostam de ler ou escrever.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 19.02.2012 às 14:53

Lembrei-me agora, há quem compare o acordês a um sucedâneo linha branca - da marca prestigiada Língua Portuguesa.
Cai sob a alçada da lei da contrafacção.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 20.02.2012 às 15:37

Contrafacção. Não tenho a menor dúvida.
Sem imagem de perfil

De RuiMCB a 17.02.2012 às 16:56

Já a sistemática menorização do português, desprezando a sua incomensurável riqueza vocabular cedendo com prontidão de bombeiro a caminho do fogo ao socorro fácil da língua forasteira, me encanita um pouco. Afinal, o que é lá isso do fast-writing? Ou do hamburger?
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 17.02.2012 às 17:17

Você não gosta de estrangeirismos, eu não gosto de simplificações impostas. Estaremos quites?

Se eu disser "pronto-a-escrever" (um termo inventado por mim neste momento) fica mais satisfeito? Eu não, porque se mantém o problema de fundo: uma "língua picada", tal como o hamburger de plástico, sem grande sabor.
É que o uso de estrangeirismos é opcional, mas o acordês (outro neologismo a propósito), não.
Sem imagem de perfil

De RuiMCB a 17.02.2012 às 17:29

Como não é opcional? Só fica obrigada em documentos oficiais, no resto da nossa vida, que é a maior parte, pode escrever como entender e, de preferência, inventando e reinventando o português como muito bem fez com o "pronto a escrever" :-)
Let's call it quits ;-)
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 17.02.2012 às 17:57

Não, está enganado. Bastaria isso que diz "Só fica obrigada em documentos oficiais", para concluirmos que não é opcional. Mas há mais: talvez para a maioria dos cidadãos seja possível escrever como queiram porque não têm responsabilidades directas na matéria. Mas no meu caso, por exemplo, isso não se aplica. A escrita é o meu métier (isto foi só para irritá-lo... ;-) e, a partir do momento em que o acordo seja definitivamente obrigatório, a editora terá um revisor encarregado de "traduzir" para a nova ortografia tudo o que eu escrever. Por enquanto ainda posso assinar uma declaração de intenções, como o fazem muitos escritores e jornalistas, mas a lei há-de impor-se, mais tarde ou mais cedo. Qual será então a minha opção, deixar de escrever?
Sem imagem de perfil

De Rogério Maciel a 17.02.2012 às 18:50

Obrigado , Nada !Estamos quase a Acabar definitivamente com essa bosta ( em Português , não no estúpido acordês !) de AO .
Da próxima vêz que acordar já será só o Renxuto a escrevêr em acordês .
Haja Dêus !

ps.: Já sei , já sei que me falará do ^ em tudo o que é sítio , mas é a minha forma chinêsa de Contrariar a estupidez do AO .
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 19:35

Original, sem dúvida.
Sem imagem de perfil

De Vasco a 18.02.2012 às 13:41

Os estrangeirismos são normalíssimos em quase todas as línguas - correspondem a formulações específicas ou conceitos que não existem na língua. Aliás, é mais por estrangeirismos e novas formulações que as línguas evoluem do que por leis fascistas e pretensiosas sobre a ortografia.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 19:37

Estou de acordo consigo, sobretudo quando à evolução normal do idioma. Toda a norma deve decorrer dessa evolução.
Sem imagem de perfil

De jpt a 21.02.2012 às 21:41

acabo de linkar este post antes que alguém o delete
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 22.02.2012 às 18:56

Grato, José. Abraço.
Sem imagem de perfil

De jpt a 23.02.2012 às 08:04

V. é uelcome. All the best
Sem imagem de perfil

De c. a 19.02.2012 às 14:44

O Eça de Queiroz usa muitos estrangeirismos e a sua prosa é tão portuguesa que é extraordinariamente difícil de traduzir.
São tacanhos estes partidários da ditadura ortográfica.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 20.02.2012 às 15:38

Todas as ditaduras são detestáveis. Incluindo as ortográficas.
Sem imagem de perfil

De jpt a 17.02.2012 às 17:20

Como vês RMCB isto dos defensores do desacordo (nós) têm tanta falta de humor como os acordistas. Quanto ao maldito enxutismo vade retro!! (eu farto-me de escrever "dignatário" [e dizer que é pior, que não dá para emendar] em vez de "dignitário, cada vez que escrevo tenho que ir atrás [Alzheimer?]. É um "indignidade".

Ah, já agora, RMCB, o acordo não presta.
Sem imagem de perfil

De RuiMCB a 17.02.2012 às 21:15

Um abraço, jpt e que haja humor e inteligência! ;-)
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 19:38

Humor, por cá, não vai faltando. Como se pode ver (e ler). Quanto à inteligência, naturalmente, não me pronuncio.
Sem imagem de perfil

De c. a 19.02.2012 às 15:50

O que falta é democracia e respeito pelo Património Cultural Português.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 20.02.2012 às 15:38

De facto, a língua - falada e escrita - é parte inalienável do nosso património.
Sem imagem de perfil

De Gonçalo Correia a 17.02.2012 às 15:18

Moral da história:

Contra factos não há argumentos.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 17.02.2012 às 15:24

Factos e não fatos.
Sem imagem de perfil

De Helena Sacadura Cabral a 18.02.2012 às 20:37

Adoro estes factos e os correspondentes argumentos!
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 22:40

Quem não argumenta não se aguenta - lá diz o velho ditado português que acabo mesmo agora de inventar.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 17.02.2012 às 15:39

Grão a grão, o desacordo cai-nos da mão. Felizmente.
Sem imagem de perfil

De RuiMCB a 17.02.2012 às 16:59

Ó Pedro mas será que a alergia ao acordo o impediu sequer de o conhecer ao ponto de não saber que de facto, o facto não mudou?
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 17.02.2012 às 17:20

Quem lhe disse que não mudou, Rui? Todos os dias vejo (leio) acordistas militantes, mais papistas do que o Papa, escreverem 'fato' (em vez de facto) e 'contato' (em vez de contacto), entre outros dislates. Já para não falar noutros vocábulos, como 'recepção' ou 'percepção', que sempre se escreveram assim no Brasil e agora passam a ter uma grafia diferente em Portugal. Em vez de unificar, o 'acordo'... desuniu.
Sem imagem de perfil

De RuiMCB a 17.02.2012 às 17:35

O acordo diz-me que não mudou, é quem me diz. E é do acordo que estou a falar, ele e apenas ela me agrada e não o clero neófito que quer ir desde já mais além. Em Portugal é facto, no Brasil é fato. Tal como o contacto. Erradamente o Portal do Cidadão caiu nessa esparrela, depois de avisado emendou a mão. Eu para quem é mais papista que o papa ou quer ir além da troika tenho pouca paciência devo confessar :-) Cá para mim é gente na reinação só para arreliar quem se abespinha com pouco. Ou então, sofrem tão somente da natural ignorância sobre este novo dever.
Imagem de perfil

De Bic Laranja a 18.02.2012 às 00:58

Pois se é facto cá e fato lá onde vê vossemecê o acordo que tanto lhe agrada?
Abençoada...
Sem imagem de perfil

De RuiMCB a 18.02.2012 às 12:51

Os acordos costumam ser todos assim, lavram-se com inteligência e na base do acordo entre as partes. E assim se fez um trabalho esforçado, respeitador das opções há muito tomadas. Não é perfeito, certamente, e não será o último seguramente. O que acho mais espantoso é ver tanta gente a imputar a reponsabilidade de todas as mudanças ao facto de, desta vez, termos conseguido sentar-nos com outros a refletir sobre a língua e termos conseguido respeitar a palavra dada.
Diz-me até, quem tem memória, que muitas das mudanças que agora tanta alergia causam e dão argumentos a anti-colonialistas foram afinal sugeridas por Portugal há décadas mas nunca adotadas que não noutras terras. Mudanças que agora muitos catalogam de cedência, lesa pátria.
Em suma, respeito quem discorda que se tenha abandonado uma corrente etimlógia da língua e que portanto anda angustiado desde o inicio do século XX. Já me custa ver grande razão em muito arguente de pacotilha que se arrelia com o facto de ter havido acordo com outros, não reconhecendo como historicamente naturais "novidades" que não o são, como a quea das consoantes mudas, o surgimento de mais palavras com a mesma grafia e significados diversos, ou até mesmo, casos de dupla grafia que até existem, pasme-se no "nosso" português caseirinho.

Divirtam-se que é um tónico muito bom ver tanta gente junta a pensar sobre como diz e como escreve, uma grande vitória do acordo, se outra não houvesse.
Sem imagem de perfil

De Rogério Maciel a 19.02.2012 às 15:01

Reflectir sôbre a Língua ???!! A Língua nunca precisou de sêr reflectida .A Língua não necessita de sêr um Reflexo , uma vez que é a Matriz e o Original .Até agora a Língua de Portugal sempre se Desenvolveu Histórica e Naturalmente, mUito Bem e a Contento dos Portuguêses(repare que digo Portuguêses e não estrangeirados ... «Outro é o português que o não é. Começou com a invasão mental estrangeira, que data, com verdade possível, do tempo do Marquês de Pombal. Esta invasão agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a República. Este português , que é o que forma grande parte das classes médias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes, é o que governa o país. Está completamente divorciado do país que governa. É, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra a sua vontade, é estúpido. ... » FPessôa) á medida do Sêu Pôvo , á medida da Sua Nação , Portugal .Se os brasileiros querem modificar a sua língua , o Brasileiro ,e adaptá-la á sua maneira de sêr e estar no Mundo , que o façam .Ninguém , nenhum Português se opõe .
Sem imagem de perfil

De c. a 19.02.2012 às 16:02

Esquece-se que o «acordo» foi condenado por 25 pareceres, assinados pelos maiores especialistas portugueses, do Prof Óscar Lopes aos Profs. Victor Aguiar e Silva ou Ivo de Castro - alguns dos quais sonegados ao conhecimento público e obtidos com a maior dificuldade, anos depois de terem sido entregues às entidade oficiais e obtidos, graças aos esforços e persistência de uma deputada! - e que pareceres positivos houve apenas 2, um deles assinado pelo linguista malaca, o tal que teve o despudor de declarar que " isto [o «acordo»] não é uma questão linguística, é uma questão política, uma questão muito importante do ponto de vista da política da Língua.

Sem imagem de perfil

De c. a 19.02.2012 às 15:48

Já se esqueceram que o pretexto para nos impingirem a ortografia brasileira era a «unificação» da língua, facto totalmente desmentido pela criação de milhares de duplas grafias!
Sem imagem de perfil

De c a 19.02.2012 às 16:38

É interessante como os acordistas parecem ter parado em 1973, como se a ortografia fosse um assunto luso-brasileiro, decidida por meia dúzia!
A ausência de Angola e Moçambique nestas discussões, como se não contassem, é algo de totalmente incompreensível, a denunciar uma arrogância e prepotência intoleráveis!

Até os que acusam Portugal de «isolacionismo» (sic) esquecem que em Angola e Moçambique e em todos os países africanos!, se usa a ortografia portuguesa o que faria do Brasil e nunca de Portugal o único «isolacionista» ortográfico... Mas a realidade tem pouco a ver com esta questão.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 01:15

Pois é, Rui, os cristãos-novos dos 'novos deveres' costumam fazer asneira.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 19:40

E, para usar a sua expressão um pouco deselegante, "arguentes de pacotilha" são os angolanos e os moçambicanos, que recusam (e bem) o chamado acordo ortográfico, afinal fonte de generalizado desacordo.
Sem imagem de perfil

De zedeportugal a 17.02.2012 às 16:25

Depende apenas de cada um de nós.
Permita-me que parta destas suas palavras para uma outra sugestão:
http://ilcao.cedilha.net/?page_id=92
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 01:15

Obrigado pela sugestão.
Sem imagem de perfil

De JRD a 17.02.2012 às 16:41

O Rui, que gosta do português enxuto (como se alguma vez o português tivesse andado balofo) diz que gosta cada vez mais do AO. Mas qual deles: http://www.flip.pt/Duvidas-Linguisticas/Duvida-Linguistica.aspx?DID=4028 Em nome de que princípio se gosta (e "cada vez mais") disto?
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 19:49

Monumental trapalhada. Estas duas palavras chegam e sobram para classificar o aborto ortográfico.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 17.02.2012 às 17:14

A única boa notícia dos últimos tempos.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 19:48

Haja alguma. Já quase tinha perdido a esperança de você apontar uma.
Sem imagem de perfil

De jpt a 17.02.2012 às 17:24

Concordo com quase tudo, menos com o final. Mérito do VGM que colocou a coisa no palanque. O acordo é muito velho já, duas décadas, e não ganhou apoio público, bem pelo contrário, nem mesmo das elites mais ligadas ao assunto.

Discordo com a conclusão do postal. É certo que é bom apelar ao movimento de cidadania, e que todos assinemos e forcemos um repensar sobre o assunto. Mas não é apenas isso que se pode retirar da situação: há uma "maioria barulhenta" (como refere, citando nomes e instituições) que está contra isto. O governo tem o dever de enfrentar a sociedade nisto, não apenas replicar com o silêncio, como até agora, ou invocar um acordo feito nos moldes que foi feito e aprovado com mal-estar generalizado. Sobre para o nosso confrade, o bom do FJV, que tem o defeito de ser acordista. Mas torna-se urgente confrontar o governo com a possibilidade do recuo.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 01:20

Quase ninguém surge em defesa do acordo, que de facto não tem defesa possível. O único argumento atendível anteriormente invocado, o da 'unificação da grafia', já há muito caiu por terra. Todos percebemos que não existe unificação alguma. Adensa-se o mistério: como foi possível tudo isto ter chegado tão longe como chegou?
Sem imagem de perfil

De c. a 19.02.2012 às 15:45

Adensa-se o mistério? Olhe que não :) O «acordo» foi lançado pelo presidente brasileiro e maçon Sarney. Porquê? Nacionalismo ortográfico, não querer ficar com uma português diferente do português lingua oficial da União Europeia - e que é a variante portuguesa.... e a crença de que podia facilitar a obtenção de um lugar no conselho permanente na ONU, uma ambição brasileira (de esquerdas e direitas) com decénios e que seria mais fácil por se dizerem o representante maioritário dos tais milhões de falantes...
Depois, foi só transmitir a coisa à maçonaria portuguesa. Quer ver a importância que dão ao assunto? http://observatorio-lp.sapo.pt/pt/ligacoes/legislacao-e-efemerides-lista/o-portugues-e-lingua-oficial-da-maconaria-regular
E pronto! Se atentar no domínio da maçonaria na vida política portuguesa, o «autismo» das autoridades portuguesas fica explicado e muito inteiramente explicado: tudo começa a fazer sentido.
A questão, aliás, já não é do «acordo». É do funcionamento da democracia representativa em Portugal. A teimosia na imposição do «acordo», que não foi aceite pelos portugueses e a indiferença pelas manifestações de repúdio vinda de tantos sectores da vida portuguesa é um abuso grave e um atentado à democracia - que em qualquer país com tradição democrática já estaria a originar demissões- e investigações.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 20.02.2012 às 15:39

As manifestações de repúdio prosseguem. São cada vez mais públicas. E notórias.
Sem imagem de perfil

De Carlos Cunha a 17.02.2012 às 17:28

aprecio a posição à la française do director da flul, "apanhada" através do link deste post:

"Ainda segundo o director, na faculdade as opiniões dividem-se quanto ao Acordo, “reflectindo, assim, aquilo que acontece na sociedade portuguesa”. “O que não espanta, pois a imposição de uma norma ortográfica suscita naturalmente reacções viscerais de resistência, pois várias gerações educadas numa ortografia sentem-se violentadas na sua sensibilidade cultural”, frisa o académico. Mas António Feijó ressalva que estas são opiniões pessoais, assumindo-se contra o Acordo, que considera “inaceitável”. “Só um país de tradição não liberal pode pensar que o Estado pode regular a ortografia”, argumenta, acrescentando que “a ortografia deve ser entregue aos utentes, deixada à deriva, num processo natural”.

quanto a serralves não seguir o "ao", a verdade é que também não o esconjurou:

http://www.serralves.pt/actividades/detalhes.php?id=2057

Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 01:20

Basya seguir os 'links'. Por isso os deixo, sempre que possível. E agradeço também aqueles que aqui trouxe. Não quero que falte nada aos meus leitores.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 17.02.2012 às 21:30

Empobrece a língua?

Como mudar lágryma em lágrima, orthografia em ortografia, sciência em ciência, como foi feito em 1911?
Imagem de perfil

De Bic Laranja a 18.02.2012 às 01:08

E não empobreceu? Veja lá a sua incapacidade em replicar o que seria etymologicamente em português, lagrima, orthographia ou sciencia.
A ignorância pode ser uma forma atroz de pobreza, não é verdade?
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 01:23

Estamos em 2012, não em 1911. Caso contrário chamava-lhe talassa, ó anónimo. Ou carbonário, sei lá.
Sem imagem de perfil

De Vasco a 18.02.2012 às 13:56

No caso, até empobreceu. E muito. Se não se tivesse retirado o sc de ciência, eventualmente não se verificaria a tendência para um dos erros mais comuns em Português falado e escrito: "beneficiência" em vez de beneficência. Haverá outros exemplos do modo como destituir palavras da sua etimologia leva directamente a sua má enunciação.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 19:54

Muitos dos que surgem em defesa do AO nunca o leram, o que não deixa de ter a sua graça.
Sem imagem de perfil

De c. a 19.02.2012 às 16:28

Se ler a justificação coevas dessas mudanças verificará que se considerava ser a ortografia etimológica um dos factores do analfabetismo.
A crença, uma verdadeira crendice positivista, era totalmente infundada e as grandes potências culturais e científicas mundiais, (USA, França, Grã-Bretanha) mantêm a ortografia etimológica e taxa de analfabetimo zero.
Ao invés, os países que procederam a mutilações são tristes exemplos de persistência de altas taxas de analfabetismo - Portugal e mais ainda o Brasil, onde a percentagem da população que domina efectivamente a língua se situa em valores muito abaixo dos 20%
Imagem de perfil

De Bic Laranja a 18.02.2012 às 01:29

Atenção.
A petição face ao nº 3 do Artº 6º da Lei 43/90, a petição é liminarmente inválida.
Cumpts.
Sem imagem de perfil

De JPG a 18.02.2012 às 15:30

E mesmo que não fosse, logo à partida, formalmente inválida, logo, totalmente inútil, ainda que porventura chegasse ao Parlamento e fosse admitida a discussão e votação não poderia resultar em algo mais do que (mais) uma simples recomendação. E esta recomendação teria, no máximo, as consequências e os efeitos que teve a que resultou da Petição/Manifesto de VGM "et al": respectivamente, nenhumas e nenhuns.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 18.02.2012 às 19:50

O caminho faz-se caminhando, como dizia o outro.

Comentar post


Pág. 1/2





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2013
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2012
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2011
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2010
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2009
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D