Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
por João Carvalho | 10.04.09

Creio que este já deve ser, pelo menos, o terceiro post sobre esta matéria, mas torna-se irresistível: a própria RTP-1 alinhou no Telejornal a "notícia" (?) sobre o vestuário recomendado (por que é de um manual de recomendações que se trata, vejam bem) para a Loja do Cidadão que abriu algures no Algarve.

A RTP fez mais: deu voz a um gingão dirigente sindical algarvio já com idade para ter juízo, com a barba por fazer e com o ar de quem tinha ficado sem água em casa, que se manifestou indignadíssimo com as tais recomendações. Estas, que não sei se descem aos detalhes antes divulgados, incluem, afinal, coisas como não mascar pastilha elástica e outras do género.

Ao fim e ao cabo, o manual de recomendações só tem de ridículo a sua existência. O que não é defeito do manual: é o triste resultado da perda de valores que faziam parte da nossa vida em sociedade e que, de tão simples, nunca foram tidos como comportamentos associados ao bom senso, mas ao mero senso comum. Ao menos, a "notícia" da RTP teve a vantagem de me deixar mais esclarecido.

Só me custa a entender por que razão umas regras básicas como estas hão-de estar confinadas àquele serviço, em lugar de serem comuns a todos. Ainda há quem se sinta revoltado e se ponha ao lado daquele indescritível dirigente sindical algarvio? Haja algum decoro e educação, que o novo negócio dos manuais morre à nascença.

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15 comentários:
De Berbigão a 10 de Abril de 2009 às 21:52
Realmente, é de partir o coco, perdão, a casca do bivalve...

De João Carvalho a 10 de Abril de 2009 às 21:56
Claro!
(Biválvulas à cabeça?)

De Luís Reis Figueira a 10 de Abril de 2009 às 21:56
É bem caso para dizer, «ao que nós chegamos»...
Na verdade, que tristeza esta, o ter de se regulamentar os mais que elementares modos de conduta de pessoas que deveriam saber comportar-se em sociedade. Mas não, infelizmente não sabem e tomam como afronta aquilo que agora se lhes dá a beber e que deviam ter tomado em pequeninos e não tomaram - chá! E, já agora, alguma educação e decência também por certo não lhes farão mal algum...

De João Carvalho a 10 de Abril de 2009 às 22:05
Ora aí está, Luís. Foi a palavra que me ocorreu quando escrevia o 'post': chá.

De macarvalho a 10 de Abril de 2009 às 23:21
Algo me diz que já não está perto de "A Gorreana".
São saudades, para já estar a falar em chá?

De João Carvalho a 10 de Abril de 2009 às 23:25
Realmente, já estou um pouco afastado!

De José Magalhães a 10 de Abril de 2009 às 23:05
Caríssimo João Carvalho,

Concordo totalmente com o seu Post.
Eu opinei desta forma:

http://atributos-1.blogspot.com/2009/04/os-limites.html

Melhores cumprimentos

JM

De João Carvalho a 10 de Abril de 2009 às 23:16
Obrigado, José.
Grande abraço.

De Daniela Major a 10 de Abril de 2009 às 23:44
Que maravilha! Não entendo porque razão isto é notícia sinceramente...

De João Carvalho a 10 de Abril de 2009 às 23:56
De facto...

De Amêijoa Fresca a 11 de Abril de 2009 às 00:30
A roupa interior posso vestir
sem olhar às suas colorações,
esta forma de “investir”
tem contornos denegrições.

Um perfume agressivo?!
Quais são as marcas permitidas?
Que moralismo ostensivo
de cores tão esbatidas!

Não se trata de “seguidismo”,
nem de uma crítica fútil,
esta forma de moralismo
ao mexilhão parece-lhe inútil.

De João Carvalho a 11 de Abril de 2009 às 04:15
O mexilhão também acha?

De Amêijoa Fresca a 11 de Abril de 2009 às 11:23
Caro João Carvalho,
Agradeço-lhe o espaço/tempo concedido. Temos entendimento divergente sobre este assunto, respeitavelmente, faz parte da vida. Pois, o mexilhão também acha e pensa. Alguém (entenda-se, não é o seu caso, mas senhores legisladores "bem-postos" e assépticos) quer/em meter o nariz onde não é/são chamado/s. O mexilhão pode ser mexilhão (como a Amêijoa, não pertence às elites…) neste país da "treta", (des)governado por esses senhores, contudo, não deixa de poder pensar e expressar as suas opiniões. Embora queiram sentir um mundo alvo e indolor, ainda existe alguma liberdade... Bem haja!

De João Carvalho a 11 de Abril de 2009 às 14:54
Entendo e respeito: é o 'seu' Algarve. Mas estranho que seja crítico das recomendações e não da crescente falta de senso das pessoas.

Parece-me evidente que se trata da roupa interior visível, não? E os perfumes devem ser aqueles que se espalham pelo perímetro, ou não?

Continuo a achar que lamentável é a crescente falta de senso comum e educação, pois tais recomendações eram desnecessárias ainda não há muito tempo. No Algarve e em todo o País.

De Carol a 12 de Abril de 2009 às 23:14
Sem comentários, realmente!

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