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Facto internacional do ano

por Pedro Correia, em 04.01.12

 

AS REVOLTAS NO MUNDO ÁRABE

Tudo começou na Tunísia, logo no início do ano. A 14 de Janeiro, caía Ben Ali, que governava ditatorialmente a Tunísia desde 1987. A 11 de Fevereiro, outro general-ditador era derrubado igualmente por um fortíssimo movimento popular: Hosni Mubarak cessava enfim as funções de presidente do Egipto, após 30 anos de poder tirânico. Quatro dias depois, começava na Líbia outra revolta que seis meses mais tarde conduziria ao fim do regime do coronel Muammar Kadhafi, iniciado em 1969. Outros países árabes, como o Iémene e a Síria, foram também varridos por gigantescas manifestações de rua contra poderes opressores. E as monarquias marroquina e jordana viram-se forçadas a fazer reformas políticas.

A democracia chega enfim ao Magrebe e ao Médio Oriente? É cedo para avaliar, embora na Tunísia tenha já ocorrido a primeira eleição democrática desde a independência do país, em 1956 -- uma eleição que ocorreu de forma transparente, pacífica e muito participada. Este movimento, que muitos analistas baptizaram de 'Primavera árabe', foi o acontecimento político internacional de 2011 segundo a maioria dos membros do DELITO DE OPINIÃO, com 15 votos. Em segundo lugar (quatro votos) ficou a crise do euro, sob o espectro do colapso financeiro da Europa que alguns prevêem e outros nem por isso. O tsunami no Japão, que causou pelo menos 15 mil vítimas mortais, foi igualmente mencionado (dois votos), tal como a designação do fado como património imaterial da humanidade (um).

Em 2010, o facto internacional do ano para nós tinham sido as revelações da WikiLeaks.

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5 comentários

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De AEfetivamente a 04.01.2012 às 19:09

Absolutamente marcante e importante. Na Tunísia estão a acontecer coisas mt interessantes . A forma como há debates na tv, como o parlamento é comandado por uma mulher, como as caricaturas dos políticos abundam na imprensa (impensável antes), a forma livre como as pessoas se expressam nas ruas, cafés, nos media em geral. Inédito, pacífico e deslumbrante para o povo tunisino. Mesmo o partido vencedor, de tendência islamita, está ser alvo de forte contestação. Mas a liberdade tb mostra mulheres de véu e grupos que agoram rezam em público - dantes não era permitido, eram presos se revelassem comportamentos religiosos. Liberdade é escolher o caminho - ainda que muitos, mesmo tunisinos, não gostem destas demonstrações de outro tipo de culto. E tb parece haver menos segurança - dizem-me que os polícias não conseguem exercer qualquer tipo de autoridade. Vivem-se tempos de mudança, incerteza, mas os caminhos para a liberdade estão a ser trilhados...
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De Pedro Correia a 04.01.2012 às 21:54

Os caminhos da ditadura para a democracia são sempre sinuosos, Fátima. Como bem vimos em Portugal, entre 1974 e 1976. Registo esta sua frase, que subscrevo por inteiro: «Liberdade é escolher o caminho - ainda que muitos, mesmo tunisinos, não gostem destas demonstrações de outro tipo de culto [religioso].»
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De Sara a 04.01.2012 às 22:51

Esta seria também a minha escolha. Estamos - creio - a assistir a um momento importante na história, numa zona do mundo que muitos teóricos classificarfam como incompatível com a democracia. Não sabemos se a democracia se irá implantar já, mas o povo saiu à rua para exigir mais liberdade e melhores condições de vida. E isto é um princípio fundamental.

Aguardemos. Todo o período pós-revolucionário é tortuoso. Sobre a democracia, Portugal conquistou-a há já 37 anos e mesmo essa apresenta bastantes falhas. :)
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De Pedro Correia a 04.01.2012 às 23:57

Penso como tu, Sara. Tal e qual.
(bom ano!)
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De Sara a 07.01.2012 às 13:48

Excelente 2012, Pedro :)

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