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"UM PERÍODO QUASE IDÍLICO" DE PAZ E PROSPERIDADE

 

A frase que mais contribuiu para imortalizar John Fitzgerald Kennedy no decurso dos mil dias do seu mandato na Casa Branca não foi pronunciada em inglês, mas em alemão. Ao declarar-se cidadão de Berlim no local mais emblemático da Guerra Fria, por onde passava a última fronteira do mundo livre, o 35º presidente dos Estados Unidos atingia um patamar inédito de popularidade. Ninguém imaginava, nesse dia 26 de Junho de 1963, que o seu mandato terminaria menos de cinco meses depois, ao fim de uma manhã de sol outonal em Dallas.

Muita gente ignora que essa frase não constava da versão original do seu discurso. Foi o próprio Kennedy que decidiu pronunciá-la enquanto a viatura que o conduzia nas avenidas de Berlim era saudada por multidões entusiásticas vitoriando o seu nome. Fora-lhe sugerida pelo principal conselheiro do presidente -- o seu irmão Robert Kennedy, na altura procurador-geral dos EUA.

"Há dois mil anos a afirmação mais orgulhosa era Civis Romanus suma. Hoje, no mundo da liberdade, a afirmação mais orgulhosa é Ich bin ein Berliner", declarou o líder norte-americano nas imediações do Muro da Vergonha erigido apenas dois anos antes pelos soviéticos na cidade dividida.

A génese desta frase ilustra bem a forma de trabalhar de Kennedy, um homem que gostava de funcionar em equipa e absorvia com rara intuição as melhores sugestões da sua competentíssima equipa de conselheiros. Três deles, curiosamente, oriundos das fileiras do Partido Republicano -- o secretário da Defesa, Robert McNamara, o secretário do Tesouro, C. Douglas Dillon, e o conselheiro da Segurança Nacional, McGeorge Bundy. O facto de serem simpatizantes do partido rival -- e um deles, Dillon, ter chegado a integrar a anterior administração Eisenhower e a contribuir com 26 mil dólares para a campanha presidencial de Richard Nixon -- não os impediu de atingir o primeiro plano no Executivo democrata, prova evidente do rasgo político de Kennedy. Ao ser convidado para liderar o Pentágono, McNamara reagiu com surpresa, dizendo que não tinha experiência governativa. "Também não há escola para presidentes. Aprenderemos juntos", respondeu-lhe o inquilino da Casa Branca.

 

A Liderança segundo John F. Kennedy, um livro do jornalista e colunista John A. Barnes, conduz-nos aos bastidores da vida política do mais popular presidente dos EUA no século XX que atingiu uma extraordinária taxa de aprovação -- 83% -- e à data da sua morte, segundo a Gallup, era aplaudido por 70% dos americanos.

Oriundo de uma família milionária de Boston, herói da II Guerra Mundial, congressista e depois senador pelo Massachusetts, galardoado com o Prémio Pulitzer pelo seu livro Retratos de Coragem (com uma tardia mas notável tradução portuguesa a cargo do nosso José Gomes André) e o mais jovem presidente eleito desde sempre pelo Partido Democrata, em Novembro de 1960, Kennedy tinha uma sólida cultura e um dos mais fascinantes percursos biográficos de que há memória entre os inquilinos da Casa Branca. Filho do embaixador americano em Londres, Joseph Patrick Kennedy, tinha 22 anos quando assistiu à declaração de guerra britânica à Alemanha, na manhã de 3 de Setembro de 1939, na galeria dos visitantes da Câmara dos Comuns. Um episódio que nunca mais esqueceu.

Barnes deixa bem claro nesta obra, imprescindível para todos quantos se interessam pelo processo de formação das decisões políticas: Kennedy foi um precursor em vários domínios. Estava 20 anos à frente da maioria dos políticos do seu tempo. Foi ele que pela primeira vez compreendeu a importância da televisão -- ao ponto de se ter inscrito em 1959 num curso da CBS destinado a dominar as técnicas televisivas. Foi também o primeiro presidente a conceder conferências de imprensa regulares na Casa Branca e a responder em directo aos repórteres da TV. Deu um toque majestático à presidência com os banquetes de Estado aos visitantes, inspirado na recepção de que foi alvo no Palácio de Buckingham em Junho de 1961. Baptizou o avião presidencial -- um Boeing 707 -- com o nome Air Force One, "para que descesse dos céus como símbolo do próprio poder presidencial". Transformou os assessores da Casa Branca em decisores políticos, instituindo o cargo de conselheiro da Segurança Nacional, mais importante do que muitos postos no Governo.

Onde outros viam problemas, ele via oportunidades. "Ele adorava ser presidente", lembrou o historiador Arthur Schlesinger, que também integrou  a administração Kennedy, como biógrafo oficial, apontando desta forma um dos ingredientes do sucesso deste mandato.

 

Ficaram para a história muitas frases que Kennedy proferiu nos seus discursos. Eis algumas: "Não perguntem ao vosso país o que poderá fazer por vós, perguntem a vós próprios o que podereis fazer pelo vosso país"; "Se uma sociedade livre não consegue ajudar os seus inúmeros pobres não conseguirá salvar os seus raros ricos"; "Nunca negociemos por medo -- mas nunca tenhamos medo de negociar"; "A vitória tem muitos pais, mas a derrota é órfã"; "Decidimos ir à Lua nesta década não porque seja fácil mas porque é difícil"; "A corrida ao armamento deve ser extinta antes que nos extinga a nós"; "Apoiamos qualquer amigo e enfrentamos qualquer inimigo para assegurar a sobrevivência e o êxito da liberdade"; "Não procuremos a resposta republicana ou a resposta democrata, mas a resposta certa".

Hoje olhamos para a presidência Kennedy e parece-nos, como acentua Barnes, "um período quase idílico" de paz e prosperidade. É sempre assim: só a passagem do tempo presta verdadeira justiça aos políticos, separando os estadistas dos restantes. Kennedy foi um estadista: já ninguém duvida disso.

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Nota final: não falta quem se queixe dos preços dos livros. Depende. Comprei este há poucas semanas, na Livraria Barata -- uma das mais prestigiadas de Lisboa. Estava num recanto destinado a títulos considerados "fundo de armazém". Custou-me apenas quatro euros. É fundamental saber procurar.

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John A. Barnes, A Liderança segundo John F. Kennedy. Tradução de Paulo Tiago Bento. Casa das Letras (2008). 278 páginas.

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E agora passo a bola -- ou melhor, passo o livro -- ao Rui Rocha.

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26 comentários

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De João Carvalho a 06.12.2011 às 14:21

Convenceste-me, compadre. Espero que alguém me pergunte do que é que estou a precisar, para me oferecer no Natal.
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De Pedro Correia a 06.12.2011 às 15:43

O livro é muito interessante apesar da tradução algo rudimentar (aspecto que não desenvolvi por considerar lateral e o texto já estar demasiado longo). E tem uma vantagem suplementar: está escrito em português, não em acordês.
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De macarvalho a 06.12.2011 às 23:02

Adivinha....
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De Pedro Correia a 07.12.2011 às 01:06

(Irmã Natal?)
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De Luís Menezes Leitão a 06.12.2011 às 15:03

Há uma enorme controvérsia sobre a frase "Ich bin ein Berliner". Os puristas dizem que não é alemão correcto, pois um berlinense que se apresentasse diria antes "Ich bin Berliner". Assim é que como se Kennedy dissesse: "eu sou uma bola de Berlim". Mas a verdade é que na altura ninguém ligou ao alemão incorrecto e os aplausos foram estrondosos.
Quanto ao latim, a expressão correcta é "Civis Romanus sum".
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De Pedro Correia a 06.12.2011 às 15:45

Pois, Luís. Estou a par dessa polémica, que parece ter surgido só muito depois. Naquele momento a reacção calorosa, espontânea e entusiástica da multidão não deixou lugar a dúvidas: a frase foi bem entendida e mereceu um inequívoco aplauso.
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De Ivone Mendes da Silva a 06.12.2011 às 16:44

Felix qui potuit pervilium librorum cognoscere locum!
;)
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De Pedro Correia a 07.12.2011 às 01:13

Nec plus ultra.
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De Carlos Cunha a 06.12.2011 às 18:41

um outro aspecto muito interessante, que escapa a quem vive num país dito de maioria católica, é que o jfk foi, por enquanto, o único presidente católico dos eua, tendo também conseguido ultrapassar essa "dificuldade" junto do eleitorado wasp.
e também soube aproveitar a imagem de uma família quase ideal, tornando-a familiar a todos os americanos, fazendo-a entrar em casa dos americanos, tal como os personagens das séries que todos os dias estão nos ecrãs.
morreu cedo, e por isso escapou à armadilha do vietname. fica a pergunta: teria sido diferente, o "episódio" do vietname ou tornaria diferente a imagem que dele, jfk, ficou?
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De Pedro Correia a 07.12.2011 às 01:17

A história contrafactual é uma disciplina intelectual estimulante, Carlos. Mas no caso de Kennedy há tantos factos dignos de análise e de reflexão que nem é necessário fazer exercícios de especulação.
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De Anónimo Desconhecido a 07.12.2011 às 10:13

É verdade, ele ultrapassou bem a dificuldade do catolicismo, com a ajuda de grandes católicos, como Sam Giancana. Nunca li este livro, mas presumo que exista algum capítulo dedicado aos negócios dessa família modelo, e outro a Sam Giancana, esse brilhante mandatário de campanha, que ajudou a ultrapassar tantas dificuldades. Pena este impoluto político ter morrido de morte natural, pelo menos era natural morrer assim nos meios em que a sua família se movia.
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De Pedro Correia a 07.12.2011 às 14:26

Grande "giancana" a sua. Agora subscreve o habitual argumentário da extrema-direita WASP americana que meio século depois ainda espuma de raiva contra Kennedy, acolhendo as mais delirantes teses conspiratórias. Outra facção política, por sinal, jura que Giancana e alguns amigos estiveram na origem do homicídio de Kennedy, aliás nunca cabalmente esclarecido. Estão bem uns para os outros.
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De Anónimo Desconhecido a 07.12.2011 às 16:34

Mas o que é que uma coisa tem a ver com a outra ? Aliás, o facto de Giancana ter comprado votos para a eleição de Kennedy, até estará ligado com o seu suposto envolvimento no assassinato. Ao que parece não foram cumpridas algumas promessas...a extrema direita de que fala, é a mesma à qual pertenceu Joseph Kennedy, simpatizante de Hitler ? A milionária família não obteve grande parte dessa fortuna em negócios com a máfia no tempo da Lei Seca ? Eu peço desculpa se estas questões não agradam, pode sempre disparar o habitual, aliás, cada vez que leio o DO, mais me lembro das Lavadeiras de Caneças na Aldeia da Roupa Branca.
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De Pedro Correia a 08.12.2011 às 02:07

«O facto de Giancana ter comprado votos para a eleição de Kennedy até estará ligado com o seu suposto envolvimento no assassinato.»

Cogito, ergo sum: eu angario-te votos para depois te matar. Este raciocínio lapidar sintetiza toda a profundidade do seu pensamento: uma espécie de cruzamento entre o Otelo Saraiva de Carvalho e a cartomante Maya. Descartes, se o conhecesse, far-lhe-ia uma reconhecida vénia.
Lamento que insista em manter-se incógnito. Caramba, tanta sapiência já merecia reconhecimento público.
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De Anónimo Desconhecido a 08.12.2011 às 09:41

Bem, como presumo que sabe ler, penso que a deturpação do que escrevi é intencional, o Giancana não terá comprado a eleição de Kennedy por uma devoção idealista, o que escrevi, na parte que inteligentemente ignorou, é que não teriam sido cumpridas algumas promessas. Especialmente Bobby andaria a mexer no que não devia, ou afinal só conhece a parte da história dos Kennedy´s que vem nas revistas cor de rosa ? Vá, agora escreva lá aí mais umas tentativas de graçolas básicas :)
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De Pedro Correia a 08.12.2011 às 21:54

Escrevo só mais uma graçola básica: anónimo desconhecido.
Pronto, já escrevi.
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De Patrícia Reis a 06.12.2011 às 21:55

Pedro, podes não acreditar, mas no meio de uma discussão acesa sobre o voto obrigatório - sendo eu a favor - diz-me um dos meus filhos: it's not what our country can do for you, it's what you can do for your country. E nessa lógica lá consegui dizer de minha justiça:) O livro já o tenho e concordo contigo, em tudo. A polémica do alemão, eu que andei na escola alemã tempo suficiente, acredito que não é polémica alguma, o discurso foi preparado e bem e revisto por um alemão. Se forem ao museu de checkpoint charlie, ali onde se entrava em Berlim Leste (sim, passei muitas vezes com três pares de calças de ganga para deixar dois do outro lado, a amigos) está lá a história toda. Beijos a todos
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De Pedro Correia a 07.12.2011 às 01:20

A ida de Kennedy a Berlim nesses escaldantes dias de Guerra Fria revelou muita coragem, Patrícia. Coragem política e até coragem física. Também por esse atributo ele é lembrado ainda hoje. E é muito interessante verificar como algumas das frases que proferiu em discursos entraram na linguagem comum, tornando-se deste modo património universal.
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De Guilherme a 06.12.2011 às 22:38

Post muito interessante mas esta parte não é verdade :"declarou o líder norte-americano a poucos metros do Muro da Vergonha". Quanto muito a poucos quilometros.
O discurso foi feito na Rathaus Schöneberg, bem no centro de Berlim Ocidental.
Quem discursou junto ao muro foi Reagan.
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De Pedro Correia a 07.12.2011 às 01:22

Agradeço a sua atenção ao detalhe. Já dei um retoque no texto para o tornar mais rigoroso nesse pormenor que menciona.
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De macarvalho a 06.12.2011 às 23:29

Li este final de verão, uma pequena biografia de Kennedy. A escolha não foi muito feliz, já que por a obra estar em acordês e por alguma falta de concentração minha, obrigou-me a reler várias passagens.
Apesar disso, a sua personalidade interessava-me, o facto de ser tão "real", tão à frente no seu tempo, de aceitar tão rapidamente as derrotas como as vitórias, de tirar ensinamentos de tudo, com aquela visão rápida de soluções e de quem o deveria rodear, evitando mais erros, é mesmo fascinante.
E as escolhas dos seus conselheiros, de facções diferentes, revela bem a sua personalidade e do que de melhor pretendia aproveitar.
Estas frases, aqui reveladas, que faziam parte do seu quotidiano, são de verdadeira paixão pelo lugar que desempenhava, pelo papel que dele esperavam.
Duplo interesse, o seu irmão Robert, o seu protector, a sua segurança, o seu conforto, a sua alma gémea.
Admirável.

Acho extraordinários estes seus post sobre livros ou sobre cinema. Nem sempre comento, mas não os perco. Ou pesquiso-os, a posteriori.
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De Pedro Correia a 07.12.2011 às 01:27

Obrigado pelas palavras amigas, Alexandra. A minha mais remota recordação, em termos políticos, relaciona-se com o assassínio de Robert Kennedy. Jamais esqueci as últimas imagens dele, nas primárias da Califórnia, difundidas com destaque no Telejornal (ainda a preto e branco, no canal único). Desde então tenho seguido com a máxima atenção todas as obras que vão saindo sobre a família Kennedy, e em particular sobre esse irrepetível mandato de mil dias em que JFK reuniu em seu redor "the best and the brightest".
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De macarvalho a 07.12.2011 às 10:12

Sem dúvida, Pedro. The best and the brightest!
Partilhamos, como já referi em tempos, um enorme gosto por biografia e por História.
Quando, mais acima, fala em coragem política e também física, é também isso que o distingue. Ele sofria de dores horríveis, devido a um problema que o pai negou desde sempre existir, o que o obrigou a sucessivos internamentos e intervenções cirúrgicas, demonstrando apesar disso, uma vontade férrea de estar presente em todos os momentos e de ser a "cara" dos EUA. Muitas vezes mal se mexia.
E sobre o que aconteceria se governasse mais tempo com o conflito no Vietname, como também perguntam, não sei como seria (como é óbvio), mas sei quanto ele evitou repetir os erros da "Baía dos Porcos", onde foi terrivelmente mal aconselhado e, provavelmente, empurrado. E de quem se rodeou a partir desse momento e de quem afastou.
Não era só a carinha bonita, a família ideal, o presidente mais novo, o filho que entretanto nascera, foi de facto um presidente que gostava de o ser.
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De Pedro Correia a 07.12.2011 às 14:18

"Ele adorava ser presidente." Esta frase do Arthur Schlesinger serve de chave para entendermos melhor a presidência Kennedy. Um político que não goste do que faz está condenado a fracassar.

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