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O líder da oposição em Portugal.

por Luís Menezes Leitão, em 18.11.11

Estas declarações de Cavaco Silva demonstram que ele é o verdadeiro líder da oposição em Portugal. Não falo de oposição ao governo, porque o governo limita-se a executar acriticamente os ditames da troika. Falo da oposição à própria troika, aquele conjunto de funcionários não eleitos e principescamente pagos que efectivamente nos governa. Desde o governo de Beresford no séc. XIX que Portugal não assiste a nada semelhante.

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16 comentários

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De SC a 18.11.2011 às 20:32

Foi Cavaco Silva que nos pôs na rota da troika, perdendo oportunidades sobre oportunidades, não reformando, e acabando o seu consulado numa espécie de crepúsculo dos anões de que ainda me lembro com puro horror e repulsa.
Espero que a troika governe e que governe com pulso. Pelas declarações que fizeram sobre a baixa dos ordenados vê-se que já perceberam do que a terra gasta. E a terra gasta de prosápias e irrealismos: foi alguma intromissão estrangeira que nos pôs na bancarrota e que faz com a economia portuguesa não seja competitiva?
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De Laura Ramos a 19.11.2011 às 01:26

-Crepúsculo dos anões? Eheheh, bem visto... Todos os poderes acabam assim... e ele também não foi excepção.
-Cavaco não fez reformas enquanto PM? É engraçado o quanto Cavaco suscita ódios. Ou cegueiras. Ou lapsos analíticos. Chega a ser uma espécie de religião. Fez reformas, sim, e muitas. Infelizmente, o cavaquismo transcendeu-o e matou-o. Mas querer igualá-lo à maioria dos PM que nos governou é missa a mais para mim.
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De SC a 19.11.2011 às 02:01

Não fez o essencial. Aliás, como se vê.
Quanto à economia, nem a monstruosa lei das rendas reviu... E as ruínas de Lisboa e da maioria das cidades portuguesas estão aí para o demonstrar (é preciso ir «lá fora» para perceber que vivemos entre desertos e escombros).
Não sei o que é a maioria dos PM... Soares não é um pensador, nem um estadista, mas tinha uma ideia geral e superficial sobre o destino de Portugal, que via, com razão, na CEE. Sá Carneiro seria, possivelmente, o estadista que tentaria que aparecesse de uma sociedade civil forte e sem dependência do Estado.
Todos os outros, principalmente Cavaco, tinham, com graus diversos de inabilidade e irrealismo, a ambição de uma sociedade criada por decreto, fundamentalmente dependente de um estado copiado dos nórdicos - modelos que conheciam mais ou menos mal - num país que tem muito de Marrocos ( nalgumas coisas, menos: leitores de jornais, por exemplo).
E foi Cavaco, pessoa de escassas letras (e com a formação das meritórias escolas industriais, mas que foram feitas para outra coisa que não políticos) quem mandou, por telefone, assinar o assassinato ortográfico.
Que tenha chegado onde chegou apenas prova a nossa incapacidade (literal, até à falência) e, ironicamente, a dele.
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De Laura Ramos a 19.11.2011 às 17:54

Cavaco não reviu a lei do arrendamento? É verdade. Mas talvez lembrarmos o seguinte: quando chegou ao poder tinha passado 1 década desde o 25 de Abril: para trás o caos total, os desmandos financeiros, o desnorte, a politização total da economia. Não sei se viveu esses tempos, mas eu vivi. Com os olhos de quem chega à idade adulta e depois de um período de anestesia lírica começa a perder a paciência com a indisciplina nacional, o exagero dos demagogos e a fuga permanente dos políticos às questões principais do país. Era insuportável assistir à falta de rumo e ao jogo do avesso e do direito daquela época demasiado longa. Cinco anos depois do 25 veio Sá Carneiro, o primeiro discurso coerente e sério sobre o futuro; o primeiro a dar passos firmes para a convergência europeia, é bom não esquecermos; o primeiro a dizer basta de regabofe e de expedientes de ocasião; basta de baile da preguiça; e veio o assassinato; veio essa perda histórica da 1ª oportunidade de sermos uma democracia moderna e de futuro. Em seguida, novo avesso (ou direito, consoante nos posicionarmos). E então sim, Cavaco. 85-95 não foram anos de reformas? Muitas mesmo. E de ordem, finalmente, ordem. Era um social democrata mais socialista do que os socialistas, em termos de visão política? Era. Defendia a intervenção do Estado na economia? Pudera.... Temos de o entender dentro do seu contexto histórico. Desde que de lá saiu, já passaram 17 anos. Foi um grande PM e agradeço-lhe o que fez pela minha geração.
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De SC a 19.11.2011 às 22:17

De acordo com o que diz de Sá Carneiro.
Cavaco criou o Portugal bulímico e possidónio, ridículo novo-rico sem dinheiro, a que preside hoje em dia. Não é o chefe da oposição. É o chefe da resistência à realidade, ao mais elementar senso comum.
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De Laura Ramos a 20.11.2011 às 01:10

Estejamos então de acordo quanto a Sá Carneiro - o tabu. O nome que a esquerda socialista não suporta ver relembrado. E que os sociais-democratas já deixaram de relembrar, felizmente, porque o faziam quase sempre da pior maneira. Sá Carneiro e o crime nunca esclarecido. Adiante.
Portugal possidónio (bulímico?!) e novo-rico? Mas claro. Paroquial e lantejouleiro? De acordo. E acha mesmo que Cavaco criou isso tudo, tudo, tudo? Em 37 de democracia, ele é o responsável pelo Portugal de hoje? Isso seria um jackpot da História para todos os outros que nos governaram, não há dúvida alguma: a absolvição total. Aliás, eram todos cosmopolitas, eu diria mesmo. Não acha que um povo tem uma quota parte de auto-determinação naquilo que é? Temos sempre de nos amesquinhar e até para essa auto-avaliação arranjar bodes expiatórios? Salazar fez-nos pacóvios e pobrezinhos, trabalhadores e veneradores (e nem escolha tínhamos, de facto). E Cavaco fez-nos assim: pouco mundanos, como ele, é certo; deslumbrados e arruinados. É obra! Lamento, mas creio que a História não lhe vai dar razão.
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De António P. Castro a 18.11.2011 às 20:35

Uma verdadeira força de bloqueio... Quem diria?
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De SC a 18.11.2011 às 20:37

P.S. “Se pensavam no aumento de competitividade, então eu direi que é muito melhor seguir outras vias: o reforço da nossa capacidade de inovação, a qualificação dos recursos humanos, a melhor ligação entre a produção científica e as empresas, a marca, o marketing, a qualidade e muitos outros factores”, disse Cavaco.
Muito bem, e quem é que nos impediu que tal acontecesse? Onde está o monstro estrangeiro que nos amarfanhou nesta apagada miséria? E se ninguém impediu, porque não aconteceu?
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De lucklucky a 18.11.2011 às 21:23

Farsa mediática.
Tentam meter o pé na porta, perceberam que não funcionou e agora recuam a toda a força.

Até Cavaco já diz o contrário do que disse há dias atrás.


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De Carlos Cunha a 18.11.2011 às 21:31

em 5 de março de 2009, vitor bento defendeu a descida dos salários para aumentar a competitividade da economia portuguesa.
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=357400

em 21 de Julho de 2009 cavaco nomeou-o conselheiro de estado, substituindo dias loureiro, que tinha renunciado.

vitor bento continuou e continua a defender a descida dos salários em portugal, que sempre foi a sua bandeira de notoriedade.
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=449251

pelos vistos ainda não convenceu cavaco. terá cavaco escolhido este conselheiro para o convencer (a ele, vitor bento)?
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De lucklucky a 19.11.2011 às 11:34

Sim mas essas declarações não têm nada que ver com ainda mais impostos sobre os privados como o caso foi apresentado por jornalistas ligados aos socialistas e cavaquistas eufóricos como o autor deste post o fez.

Aumentar impostos não baixa o preço dos produtos. Não aumenta a competitividade dos produtos.
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De José Francisco a 18.11.2011 às 22:19

Há algumas diferenças em nosso desfavor mesmo muitas no presente, quanto à analogia entre o Beresford e a troica, já quanto ao líder da oposição concordo.
Quem sabe, se tivesse sido assim no 1º mandato e o Beresford digo a troica já não teria necessidade de ter vindo, quem sabe!
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De Javali a 18.11.2011 às 22:30

O PR anda a brincar connosco, no seu estilo bastante ultrapassado, aliás, de atirar indirectas e esperar que a mole as deglutine. O que ele está a dizer é que uma vez que o Governo não pode alterar a Constituição porque nunca terá 2/3 do Parlamento, a única maneira de sacar dinheiro ao sector privado é através dos impostos. Não me parece que esteja a fazer oposição: está a dar pistas e a forçar o Governo a aplicar novas regras fiscais.
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De Luís Reis Figueira a 19.11.2011 às 00:18

Este homem é a verdadeira oposição de si próprio. Desdiz hoje aquilo que disse ontem, diz hoje o que vai desdizer amanhã, raramente tem uma opinião sólida e convicta acerca do que quer que seja e, não raro, não dá concretização nem um desfecho lógico à maior parte das ideias que formula. Promulga, sem pestanejar, leis que afirma serem contrárias à sua ideologia política, e a sua imagem de marca, depois dos seus constantes e insondáveis silêncios do 1º mandato, são agora os raciocínios e ideias que, incompletos, deixa no ar para, mais tarde, serem a toda a hora interpretados pelas pitonisas de serviço, que são muitas, como se sabe. Cavaco abre a boca e logo, passados 15 minutos, estão 5 canais de televisão com 10 especialistas cada um a tentar decifrar nas vísceras do 'não-discurso', o que ele disse e, as mais das vezes, a tentarem adivinhar o que ele queria dizer e não disse clara e objectivamente. E, como seria de esperar, há sempre de sobra, interpretações para todos os gostos e feitios. A incompetência comunicacional de Cavaco é medonha. Se já o achei mau como 1º Ministro, confesso que nunca consegui perceber a razão pela qual os portugueses o elegeram para PR, ainda por cima para um 2º mandato! Quer dizer, no fundo no fundo, até percebo: a maior parte dos nossos eleitores não está para pensar muito. Prefere continuar numa estabilidade que não conduz a nada, em vez de apostar em algo de novo, mais arriscado, que poderia conduzir a alguma coisa. Esta mesma 'preguiça', aliás, se passa também em relação às eleições legislativas em que, durante 35 anos, repito, durante 35 anos, o eleitorado nunca foi capaz de sair da roda do PS - PSD, não percebendo que estes dois nada mais são que as 2 faces de uma mesma moeda. Por isso, hoje estamos na situação em que estamos.
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De José António Abreu a 21.11.2011 às 09:15

"confesso que nunca consegui perceber a razão pela qual os portugueses o elegeram para PR, ainda por cima para um 2º mandato! Quer dizer, no fundo no fundo, até percebo: a maior parte dos nossos eleitores não está para pensar muito. Prefere continuar numa estabilidade que não conduz a nada, em vez de apostar em algo de novo, mais arriscado, que poderia conduzir a alguma coisa."

À época, Sócrates era um problema muito maior do que Cavaco. E Alegre era a opção.
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De Luís Reis Figueira a 21.11.2011 às 12:31

Caro jaa: parece-me que o problema Sócrates - bem ou mal - já foi resolvido. Continua por resolver o problema Cavaco que subsistirá até 2016. Em minha opinião, mais ou menos 'alegre', teria sido possível arranjar algo melhor do que Cavaco. Pior é que seria mesmo muito difícil, para não dizer impossível.

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