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O Luís Jorge, aqui mais abaixo, inquieta-se com o fim do Euro. O Jaa é uma alma solícita onde as houver. Por isso, recomenda-lhe que: a) troque Euros por Reais; b) arranje um emprego no Brasil; c) vá quanto antes para o país irmão. Parece-me uma decisão apressada. Na verdade, é fundamental termos presente que a crise está a ser gerida pela Senhora Merkel. A Senhora Merkel é uma política. Alguns (pouquíssimos) políticos são estadistas. Outros (ainda menos) têm coração. A nenhum falta uma agenda. A da Senhora Merkel só tem, por esta altura, uma data assinalada. A do dia em que irá a eleições. Por isso, importa perceber o que os alemães querem e o que não querem. E eles querem paz e prosperidade (ai os sacanas). Por isso mesmo, não querem o estouro do Euro. Mas, e isto é realmente importante, também não querem  que os seus impostos sejam utilizados para cobrir o endividamento irresponsável e o descontrolo orçamental dos gregos e de outros troianos. Estes calvinistas são dados a coisas que não se passam em outras latitudes (veja-se o caso dos portugueses continentais que estão mortinhos por ajudar a Madeira). Ora, no curto prazo, só há uma forma de evitar o estouro do Euro: injecção maciça de liquidez nos mercados através do BCE (directamente ou às três tabelas, com o FMI pelo meio). Merkel pode correr e saltar mas, mais cedo do que tarde, os juros da dívida de Itália e de Espanha obrigá-la-ão a aceitar esse cenário. Enganam-se, todavia, aqueles que pensam que isso aliviará a austeridade nos países em dificuldades. Pelo contrário. Do ponto de vista do interesse de Merkel (e é só esse que importa) será necessário garantir ao eleitor alemão que os estarolas pagarão a sua parte do preço. Não é por acaso que os tecnocratas subiram ao poder em Itália e na Grécia. Assim, o BCE só inundará o mercado depois de estarem garantidas medidas que Merkel possa apresentar aos seus eleitores como contrapartida. Curiosamente, tais medidas são também do interesse dos países em dificuldades. Para se manterem no Euro, as condições são essas. Se saírem do Euro, só conseguirão evitar uma catástrofe se tiverem contas públicas equilibradas e concretizarem reformas estruturais que implicam maior flexibilidade da economia e redução da dimensão do Estado.  Quando o BCE ligar as máquinas, presumivelmente até ao final do ano (reparem que não digo "se"), os mercados acalmarão, o Euro tenderá a valorizar-se (ver aqui a justificação para o aparente paradoxo) e as bolsas subirão. Será um período de bonança relativa. Nesse período, o Luís Jorge deve manter as poupanças em Euros e investir em acções. Se Israel não atacar o Irão, digo que pode obter valorizações superiores a 20% em 2 ou 3 meses. Note-se que esta será uma solução meramente transitória. A sobrevivência do Euro depende de alterações estruturais. Passados 3 meses constatar-se-á que a integração fiscal é praticamente impossível, pelo menos para uma parte dos países da Zona Euro (vocês fazem ideia de quais são) e a situação tornar-se-á explosiva. Antes que tal aconteça, com os bolsos cheios de Euros devido às mais-valias oportunamente realizadas nos mercados, o Luís Jorge deverá seguir os sábios conselhos do Jaa. Estaremos então (há mesmo fulanos com sorte) por alturas do Carnaval.

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18 comentários

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De A-nossa-quintinha a 18.11.2011 às 16:41

As valorizações acima referidas provavelmente pecam por excesso, mas parece-me relativamente credível a evolução apresentada. Eu mesmo tenho uns trocos guardados para a ocasião. Só tenho uma dúvida: onde vou buscar informação que me permita aferir com algum grau de fiabilidade que Israel não ataca o Irão?
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De Rui Rocha a 18.11.2011 às 16:56

Se Israel atacar o Irão, é possível que a nossa última preocupação seja o dinheiro, Quintinha.
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De Carlos Gilbert a 19.11.2011 às 13:02

Em três meses é perfeitamente possível os mercados valorizarem-se 20% nos dias que correm. Há uns anos atrás (antes da crise de 2008, claro) isso não seria cenário credível. É que é preciso pensar que há biliões de euros, dólares, yuans , libras esterlinas, etc. parados à espera de serem aplicados em algo que renda mais que aquilo que os bancos pagam actualmente. Só que, estou certo de que quando a Europa deixar de estar na actualidade, as atenções dos economistas e analistas virar-se-ão para a realidade dos EUA (sua enorme dívida).
Quanto a saber-se o futuro na zona do Médio Oriente (concretamente tendo o Irão e o seu programa como centro), isso creio que - pelo menos por agora - não é possível de prever. Mas que em último caso Israel irá fazer o mesmo que fez há umas décadas com o Iraque, disso não duvido. Só que para isso precisa da aprovação das principais nações do mundo (será que isso irá mesmo preocupar os israelitas?...).
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De sampy a 18.11.2011 às 16:50

Há mais um pequeno ponto a considerar: a demissão de António Borges, sinal de que talvez o BCE não possa contar com o FMI.
Quanto à previsão sobre o Euro tender a valorizar-se, temo que tal, nas circunstãncias actuais, não seja uma boa notícia.
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De Rui Rocha a 18.11.2011 às 16:57

Diria que a valorização será ligeira e de curtíssimo prazo, Sampy. O efeito permanente da liquidez acrescida será precisamente o contrário.
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De sampy a 18.11.2011 às 22:58

Penso que a desvalorização até será bemvinda. Desde que não aconteça de forma descontrolada. Isso, a somar a uma também provável subida significativa da inflação, causaria grandes danos. Que é o que realmente assusta os alemães. E está a travar as rotativas.
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De Rui Rocha a 18.11.2011 às 23:04

Certíssimo, Sampy. Digo que a hiperinflação assusta os alemães com informação técnica. A começar pelo Presidente do Bundesbank e a acabar em vários membros do Governo. Já no que diz respeito aos alemães "comuns", penso que a reacção negativa está mais relacionada com a falta de vontade de "pagar" pelos outros.
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De Tiro ao Alvo a 18.11.2011 às 17:24

Só não o acompanho naquela parte em que você preconiza que o euro vai valorizar-se, se Israel não atacar o Irão. E, consequentemente, não sei como é que o Luís Jorge poderá encher os bolsos de dinheiro, aqui em Portugal.
Quanto ao desfecho final, vou rezar para que não tenha razão...
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De Rui Rocha a 18.11.2011 às 17:50

Esclareço: a valorização da carteira do Luís que prevejo, far-se-á sobretudo em bolsa. Quanto ao Euro e à sua evolução já respondi ali mais acima ao Sampy.

E enfatizo: estou de tal maneira seguro do que digo que estou disposto a arriscar as poupanças do Luís neste cenário de olhinhos fechados.
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De José António Abreu a 18.11.2011 às 17:41

Uau, nem o de Delfos se atreveria a isto, ó Rui. (Até porque, sendo grego, ninguém lhe ligaria.)

E obrigado pela "alma solícita". Embora eu desconfie que haja quem duvide que eu tenha alma...
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De Rui Rocha a 18.11.2011 às 17:46

Bem, também não exageremos. No fundo, não estou a arriscar nada de muito importante. O mais que pode acontecer é o Luís ficar sem as poupanças. Agora, se me permites, vou ver se ainda há vagas nos voos para o Brasil até ao final de Novembro.
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De FGT a 18.11.2011 às 19:02

...e acha o Brasil um bom destino? Violência, socialismo, corrupção, iliteracia e já visível afastamento da linha da frente dos emergentes, com crescimento a 3,8% - algo de muito baixo para a classe (a China baixou a sua previsão para 9,3%)?
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De Rui Rocha a 18.11.2011 às 19:20

Tem razão em alguns pontos. Mas, quanto à questão do socialismo parece-me que vê mal o problema. Os países socialistas são o sítio ideal para se estar enquanto não acaba o dinheiro. Coisa que só deve acontecer daqui a 5 anitos.
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De sampy a 18.11.2011 às 23:06

Esse é também uns dos problemas a ter em conta: ao inundar-se o mercado de dinheiro, o socialismo voltará em força; e as reformas dos Estados serão imediatamente suspensas ou adiadas para as kalendas...
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De Rui Rocha a 18.11.2011 às 23:14

Exacto. Por isso digo no texto que pôr as rotativas a funcionar só será aceitável para os alemães se paralelamente houver garantias de que as reformas estruturais prosseguem nos países em dificuldade. Caso contrário, o regabofe instala-se de novo e isso tornará a posição política de Merkel insustentável.

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De sampy a 19.11.2011 às 00:13

Era isso o que queria sublinhar: as tais garantias que os alemães reclamam implicam essencialmente travar o socialismo-regabofe.
(Não que todo o regabofe seja socialista; mas todo o socialismo acaba por ser um regabofe.)
A questão é: é possível travá-lo, agora que o aroma da tinta fresca das notas se vai intensificando?...

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