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O euro e as lições da História

por Pedro Correia, em 17.11.11

Se o euro sucumbir, a Europa voltará a mergulhar na guerra no prazo máximo de dez anos. É uma profecia arrepiante. Mas nem por isso deve deixar de ser escutada com máxima atenção pelos dirigentes da União Europeia. Foi feita pelo ministro polaco das Finanças, Jacek Rostowski, um homem que experimentou na pele o drama de uma Europa dividida: nasceu no Reino Unido, quando a família ali se encontrava refugiada na sequência da agressão conjunta ao seu país cometida por nazis e comunistas. A sua biografia pessoal confere-lhe particular autoridade moral para lançar este aviso. Não esqueçamos que as duas guerras mundiais, ocorridas no último século, começaram precisamente na Europa. Quando a primeira começou, no dia 28 de Julho de 1914, ninguém acreditava que seria para durar. No final, quatro anos mais tarde, tinha deixado um macabro cortejo: pelo menos 35 milhões de vítimas.

Recomendo, a propósito, a leitura das memórias de Stefan Zweig, O Mundo de Ontem: este período surge lá exemplarmente descrito. «Foi uma vaga que se abateu com tanta violência, tão subitamente sobre a humanidade que, ao cobrir de espuma a superfície, trouxe ao de cima as tendências obscuras do inconsciente e os instintos do animal humano -- aquilo a que Freud, numa visão profunda, deu o nome de "sentimento de aversão pela cultura", a necessidade de se romper uma vez com o mundo das leis e dos parágrafos e de se dar rédea solta aos instintos sanguinários primitivos», recorda o grande escritor austríaco.

Um dos problemas da História é este mesmo: pode repetir-se a qualquer momento. Simplesmente porque as lições que nos vai deixando não são escutadas.

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5 comentários

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De lucklucky a 17.11.2011 às 12:36

Patetices dos Unionistas Europeus para criar medo.
Se não houver casamento forçado há guerra?
Interessante...
Que raio de civilização é essa?
A Bélgica não pode viver ao lado da França?
Que espírito medonho é esse que não tolera diferença?


Já agora porque é que a Suiça não declara guerras?
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De Pedro Correia a 17.11.2011 às 15:20

Essas perguntas que faz eram feitas por milhões de europeus no início do Verão de 1914, quando praticamente ninguém era capaz de antever tempos de guerra.
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De Luís Lavoura a 18.11.2011 às 10:15

A sua biografia pessoal confere-lhe particular autoridade moral

Confesso que não percebo este argumento (embora reconheça que ele é muito usual).

Não percebo como é que as circunstâncias do nascimento e da família de um homem conferem a esse homem maior razoabilidade, presciência, ou autoridade para falar de seja o que fôr. Muito menos vejo que tais circunstâncias possam conferir a um homem qualquer autoridade moral.

Mas prontos, as pessoas gostam de usar este argumento.
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De João Melo Alvim a 18.11.2011 às 12:11

Talvez uma das facetas do problema seja o "cherry picking" que se faz da História, usando a feliz expressão relembrada mais acima. Ou então a terraplanagem relativista a que também se alude a propósito da última consideração de Soares em relação a Merkel. Seja como for, concordo: a surdez em relação às lições da História, muitas vezes motivadas por pura ignorância, são preocupantes.
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De Pedro Correia a 19.11.2011 às 00:01

Exactamente. Daí o paralelo que traço entre Stefan Zweig e o ministro polaco. A escassos dias do início da I Guerra Mundial, quase ninguém acreditava que ela eclodiria. O hipernacionalismo foi o vírus que desagregou o continente. E o pior é que viria a desagregá-lo novamente vinte anos mais tarde. Dir-se-ia que temos a maior dificuldade em aprender as lições da história.

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