Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




As novas medidas da troika.

por Luís Menezes Leitão, em 17.11.11

 

Aqueles que exultaram com o corte de subsídios aos funcionários públicos, fazendo-os ser os bodes expiatórios da crise, vão experimentar a extensão da medida ao sector privado, como é agora exigência da troika. Há uma velha regra que diz que é um erro fazer acordos com crocodilos, no sentido de serem os outros a ser devorados. A única coisa que se consegue é ser devorado em último lugar.

Autoria e outros dados (tags, etc)


14 comentários

Sem imagem de perfil

De lucklucky a 17.11.2011 às 08:38

A troika não tem nada que ver com o que as empresas fazem ou deixam de fazer. Se uma empresa melhora as vendas deve recompensar os seus trabalhadores. Deve aumentá-los.
E se estiver em dificuldades deve diminuí-los.
Eu sei que este conceito é estranho para socialistas.

No seu pensamento socialista, aquele que permitiu aumentar o IVA de 15 para 23% - entre outros impostos aumentados -para aumentar salários dos Funcionários Públicos num Estado sempre em défice e espremer o privado não há lugar para a diferença. A diferença que permite o desenvolvimento e a qualidade.
Coisa que os funcionários públicos abominam: concorrência. Ou seja diferença.
Sem imagem de perfil

De Pedro Coimbra a 17.11.2011 às 09:01

Peço desculpa, mas as novas medidas são estas:

1. Por cada neto que nascer vão ter de morrer 2 avós;
2. Comércio tradicional vai pagar IVA de XXIII %;
3. Trabalho escravo regressa, mas apenas com contratos a prazo;
4. O eléctrico 28 vai fazer a ligação Alfama - Sines - Salamanca em bitola alfacinha;
5. Governo vai aumentar a segunda-feira para 48 horas;
6. Subsídio de Natal vai ser um par de meias para receber as prendas do Santa Claus;
7. Horas extraordinárias vão ser pagas com desenhos do filho do ministro das Finanças;
8. Metro do Porto vai voltar a ser uma piada;
9. O IVA do vinho depende do que se aguenta;
10. Bancos vão poder servir mini-pratos ao balcão;
11. Diferença horária para os Açores vai aumentar 15%;
12. Quebra de produção com feriados santos vai ser compensada com trabalho forçado de padres;
13. Casais com mais de 3 filhos vão ter de abater 1;
14. Taxas moderadoras podem ser pagas com sexo;
15. Reformas antecipadas ficam congeladas até Manoel de Oliveira parar de filmar;
16. TSU de empresas de empresários supersticiosos cai 13%, se eles quiserem, eles é que sabem...;
17. Juízes perdem subsídio de renda e vão passar a ir dormir a nossa casa;
18. Pensionistas do Estado com pensões inferiores a 485 euros vão poder trocar consultas por órgãos;
19. TSU de empresas com gestores com hipermetropia vai descer 0,0000000000000001 pontos;
20. IVA dos restaurantes pode ser levado para casa;
21. Portuguesas com um sexto sentido vão ter que desistir de um dos outros;
22. Vai haver portagens à saída das maternidades;
23. São proibidos ajuntamentos de mais de 3 pessoas junto das caixas multibanco;
24. IVA da Coca-Cola aumenta se agitarem as embalagens;
25. Desempregados vão formar empresa de logótipos humanos para eventos em estádios;
26. Vai haver portagens à entrada do tribunal de Oeiras;
27. Madeira vai ser alugada para experiências nucleares;
28. EPAL vai cobrar taxa nos sonhos húmidos;
29. Pelo princípio do utilizador-pagador, pessoas com três rins vão pagar mais taxa de esgoto;
30. RTP fica só a dar música sacra até à Páscoa;
31. Portugueses nascidos a 29 de Fevereiro vão deixar de ter documentos;
32. TSU das empresas de pesca vai descer assim (fazer gesto do tamanho que quiser com as mãos);
33. TAP vai fazer a ligação por terra Sines-Entroncamento;
34. Militares vão substituir bombeiros nos seus deveres conjugais;
35. Reformados que ultrapassam a esperança média de vida serão proibidos de andar na rua;
36. TSU das empresas de Duarte Lima vai descer sete palmos;
37. As SCUT vão poder ser percorridas a pé por metade do preço;
38. Castrados vão perder o abono de família;
39. Escolas passam a distribuir rações de combate ou, em alternativa, refeições da TAP;
40. A força vai passar a ser igual a metade da massa vezes a aceleração.
Não comentem com ninguém.
É confidencial.
Sem imagem de perfil

De AF a 17.11.2011 às 12:27

Eheheheh! Muito bom, parabéns!
Apenas um pequeno reparo: os castrados já ficaram sem o abono de família, por definição ;)
Imagem de perfil

De João Carvalho a 17.11.2011 às 12:58

Apurado trabalho, Pedro.
Sem imagem de perfil

De IsabelPS a 17.11.2011 às 09:26

Tenho a impressão de que o que a troika disse não foi exactamente uma "exigência", mas uma constatação do corolário da descida dos salários dos funcionários públicos: naturalmente, os salários acabarão também por descer no sector privado, por arrasto. Acho que é aquilo que os economistas chamam desvalorização interna, coisa que eles reconhecem como muito dolorosa mas a única possibilidade para um país que não pode desvalorizar a moeda. Penso eu de que.
Sem imagem de perfil

De André Miguel a 17.11.2011 às 09:54

Desde que o corte seja por negociação e não por decreto não vejo onde está o erro desta medida.
Sem imagem de perfil

De Anónimo Desconhecido a 17.11.2011 às 10:42

Bem, mas já sabemos que os apreciadores do Ensopado de Coelho à Troika, acompanhado com um Portas da Ravessa....se assemelham cada vez mais aos crentes da IURD, adorando a Santíssima Troikidade. Se um dia eles se lembrarem de dizer que há Portugueses a mais, e que o ideal era exterminar um ou dois milhões, eles virão dizer, abanando a cauda, que só um perigoso radical de esquerda não vê que são medidas incotornavelmente inevitáveis....isto de Correias envelhecidos em casca de Carvalho parece que afecta a qualidade do produto.
Sem imagem de perfil

De Javali a 17.11.2011 às 10:47

Confesso que não entendo o prazer da vingança expresso no post: se isto for mesmo uma exigência concretizável, aqueles casais (e esses são a maioria) que trabalham na fp e no privado vão ter ainda menos dinheiro disponível.
Sem imagem de perfil

De Luís Reis Figueira a 17.11.2011 às 11:43

O que está aqui em causa é perceber-se, de uma vez por todas, que nenhum vasto sector da sociedade de um país pode ser encarado como algo isolado, como uma ilha. E foi nessa ilusão, nessa falta de visão do conjunto, que embarcaram muitas das vozes que então aplaudiram as 'justíssimas medidas' que castigavam 'apenas' o sector público. Poucos perceberam que um brutal empobrecimento deste, teria de trazer - por arrastamento - de uma forma ou de outra, um empobrecimento generalizado à sociedade portuguesa, como ora se começa a ver. Agora, começando a ver arder a sua própria casa, clamam "aqui d' el-rei, ai que desgraça"! Como é evidente, não rejubilo com estas notícias em relação ao sector privado, da mesma forma que, na altura critiquei duramente os brutais cortes no sector público. Julgo, contudo, ser extremamente importante que todos, sem excepção, percebamos de uma forma clara que a sociedade é um todo onde não podem existir sectores ostracizados, sendo previsível que, desta forma ou doutra, todos, mas mesmo todos, vamos fatalmente empobrecer.
Sem imagem de perfil

De Javali a 17.11.2011 às 12:26

Essas noções de "castigo" e "justiça" são interpretações que não são intrínsecas à razão da medida. O PR fez nisto um péssimo trabalho, rapidamente multiplicado e vulgarizado pela horda de comentadores. É tão-somente uma medida de contenção de despesa (que lembremos, é o problema principal) e não um caso de re-organização da sociedade e de esforço colectivo e não-sei-mais-quê. Não me lembro de se falar em equidade quando Sócrates aumentou a FP em 3% para sacar mais votos, por exemplo. Não me lembro de os trabalhadores do privado andarem para aí a falar de marginalização e sentirem-se prejudicados.
Sem imagem de perfil

De Luís Reis Figueira a 17.11.2011 às 14:53

Pois são, meu caro Javali, mas a questão é que os rendimentos do trabalho de cada um de nós são apenas e tão só isso, ou seja, quem vive e trabalha honesta e honradamente, não tem que se preocupar se a diminuição do seu salário representa um corte na despesa ou aumento da receita. Tem é que saber apenas que foi contratado para desempenhar uma certa e determinada função em troco de uma certa e determinada remuneração. Nunca vi nenhum funcionário do sector privado preocupado com o facto de saber se o ordenado que lhe é pago pela sua entidade patronal provém da fuga aos impostos, de off-shores ou de negócios menos lícitos. Tudo isso são questões laterais que não lhe dizem respeito directamente, como é evidente. O que ele quer - e a isso tem direito - é que lhe paguem o ordenado que contratou, como qualquer trabalhador, público ou privado.
E já agora, porque verifico que tem uma memória selectiva bastante apurada, aqui lhe trago o seguinte texto que poderá ajudá-lo a reavivar alguns factos não muito distantes ainda.
«Em 2013 cada funcionário público ganhará menos 500 euros do que em 2005.»
«As primeiras medidas de contenção surgiram em 2003 e 2004, com a ministra das Finanças de então, Manuela Ferreira Leite, que decretou um primeiro congelamento de salários acima dos 1000 euros e aumentos nominais magros (abaixo da inflação) para os ordenados mais baixos. Depois, entre 2005 e 2008, já com José Sócrates como primeiro-ministro e Fernando Teixeira dos Santos à frente das Finanças, continuou a política dos aumentos inferiores à inflação. Este governo socialista avançou também com as primeiras linhas de reforma dos serviços públicos, tendo começado a reduzir efectivos, algo que não tinha acontecido até então. A excepção nos ordenados aconteceu apenas em 2009, ano de eleições, com Sócrates a dar um aumento de 2,9% à função pública. Depois, veio a crise a sério. E agora, os sacrifícios maiores.»
http://www.dinheirovivo.pt/Estado/Artigo/CIECO018187.html?page=0
Como vê os aumentos que referiu, não surgiram do nada, como pretendeu fazer crer, mas foram, sim, o culminar de uma séria de anos de pesadelo para o funcionalismo publico. Além do mais, como sabe, até já estes deixaram de existir, uma vez que foram completamente 'comidos' pelos recentes cortes de 2010 e 2011.
Sem imagem de perfil

De Javali a 17.11.2011 às 20:38

Eu sei que não surgiram do nada: surgiram para iludir mais uma vez as pessoas no período eleitoral (ou acha que foi para fazer "justiça"?) e omitir mais uma vez uma cruel realidade: a de que o Estado (um sector que não produz riqueza directa - e que tende a dar prejuízo em regimes de economia mista) cresceu para níveis de insustentabilidade quase crónica e que agora não poderá ser corrigida sem brutalidade cega e "castigos" sucessivos. Ou acha que isto vai parar com o deficit a 4,9%? Veja bem... Se cortar 2/14 ordenados apenas reduz o monstro em 1% e ainda falta quase 5% para atingir o mínimo da sustentabilidade... Bem, faça as contas, sabendo que a dívida pública não está a diminuir e que todo o dinheiro que está a entrar é com juros muito acima de qualquer crescimento de PIB anual expectável durante os próximos 10 anos.
Sem imagem de perfil

De Luís Reis Figueira a 18.11.2011 às 11:31

Dando de barato que as contas aqui nos traz até estarão certas, o que lhe posso dizer é que nada disto se pode resumir a um simples exercício contabilístico: por outras palavras, recorreríamos ao já clássico "há vida para além do défice". O problema, é que a casta de políticos que nos trouxe até aqui, é exactamente feita da mesma massa da que agora nos diz que, 'agora sim, agora é que vai ser'. Por outro lado, o nosso sistema político é péssimo e não tenho quaisquer dúvidas que estes voltarão a fazer o mesmo em período pré-eleitoral. Repare que eles já estão a lançar a escada para mais um mandato ao anunciarem o fim do aperto para 2013/2014. Pois,... ...é que em 2015 vai haver eleições e lá voltam as distribuições de rebuçados ao Zé Pacóvio que, mais uma vez, vai fatalmente cair na esparrela. Depois, lá para 2016/2017, teremos que nos preparar mais uma vez para os tais cortes cegos e brutais. E é neste circo de enganos e de mentiras que o povo português tem vindo a rodopiar ininterruptamente desde há 35 anos a esta parte.
Os Estados, tal como diz, não são por princípio geradores de riqueza directa, antes tendem a ser geradores de prejuízos. O nosso, pela forma desmesurada como cresceu e engordou, tornou-se o conhecidíssimo "monstro" de que agora se fala. A esta engorda, também não é alheio o facto de um grande desmantelamento nos anos 80/90 de uma parte muito significativa de grandes sectores produtivos, nomeadamente agricultura, pescas e indústria. Esse desmantelamento foi, como todos sabemos, orquestrado e encorajado até pela UE, que ia tratar de nós e dar-nos de comer. Portugal, se já não era auto-suficiente, ficou desde então completamente à mercê do exterior para se poder sentar à mesa todos os dias para comer. Como resultado disso, foi acumulando ao longo das últimas décadas os prejuízos insustentáveis, que agora conhecemos. Pergunta-se agora: são os funcionários públicos e os reformados os culpados desta política de loucura? Porém, mesmo em nome de um reequilíbrio - que inevitavelmente terá que ocorrer - não me parece legítimo que se possa lançar mão de tudo, como agora se está a querer fazer. Daqui a pouco estaremos a concluir que havendo (como há efectivamente) funcionários públicos e reformados a mais, teremos de 'eliminar' meio milhão deles ou mais, para reequilibrar a coisa. Este tipo de fundamentalismos e de divisões como as que agora se desenham, nada trazem de bom à sociedade, antes pelo contrário.
A História já no-lo ensinou por mais de uma vez e era bom que tivéssemos aprendido a lição, sob pena de termos de repetir episódios indesejáveis.
Sem imagem de perfil

De Javali a 18.11.2011 às 16:14

Ok. Estamos de acordo.

Comentar post



O nosso livro


Apoie este livro.



Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D