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Pela defesa de mais rotundas

por João Carvalho, em 10.11.11

O Governo vai eliminar da proposta de Orçamento do Estado para 2012 a norma que proíbe as contratações de novos funcionários para as autarquias, conforme divulgou o Jornal de Negócios. A notícia acrescenta que a Associação Nacional de Municípios Portugueses já informou todos os autarcas disso mesmo, através de um documento onde se lê: «Em situações excepcionais, devidamente fundamentadas, e mediante autorização dos órgãos municipais, pode determinar-se a abertura de procedimentos concursais».

Procedimentos concursais? Con-cur-sais?! Se não deixarem os autarcas continuar a fazer rotundas, eles hão-de matar o tempo a fazer cada vez mais exercícios intelectuais que não lembrariam ao professor Malaca Casteleiro. Vale a pena? Face ao risco de vermos a linguagem autárquica conseguir agravar o famigerado acordo ortográfico imposto pela política, sugiro que nos manifestemos já a favor de mais umas dúzias de rotundas. É melhor isso do que dar-lhes ideias. Eles que esqueçam a língua.

 

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18 comentários

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De Pedro a 10.11.2011 às 17:35

cof, cof... as palavras "concursal" e "concursais" existem. Se não lhe serve o tribunal de contas, a legislação, etc, etc, pode consultar qualquer dicionário de lingua portuguesa.
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De João Carvalho a 10.11.2011 às 18:11

Não precisa de engasgar-se, meu caro. Quando falo destas coisas, estou logo e sempre à espera de uma de duas: ou sou imediatamente brindado por comentadores que procuram um momentinho de glória, ou sou ignorado por estar indiscutivelmente certo.

Como é evidente, o Tribunal de Contas e a redacção das leis não são bem os meus prontuários de serviço, como V. calcula. As palavras em causa existem, sim, mas não em todos os dicionários, nem em todas as enciclopédias, nem sequer na Infopédia. Palavras como "afetos", "espetadores", etc. também existem, mas são ignoradas ou contestadas por gente muito respeitável.

Entre essas palavras, a umas não dou importância por achá-las puras idiotices, a outras acho relativa piada, a umas e outras ignoro-as ou faço-lhes frente conforme me apetece – mais ainda quando saem de certas cabecinhas políticas que sonham com a quadratura das rotundas. Capice?
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De macarvalho a 10.11.2011 às 18:57

A língua portuguesa é sistematicamente mal tratada e, pior, é que os maus tratos passam a pseudo-neologismos rapidamente.
Antes, as rotundas, confesso. Apesar da minha aversão a cada rotunda desnecessária. Mas isso nem o melhor dos censos conseguiria contabilizar.
A notícia em si, já era notícia.
O recurso a duas palavras tão rebuscadas é uma tentativa linguística inexistente, imprópria de um órgão de comunicação. Seria demasiado comum usar apenas duas simples palavrinhas, novos concursos?.
Pois, só mesmo com sais é que se digere isto.
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De João Carvalho a 10.11.2011 às 19:01

Antes as rotundas. Conheço pelo menos uma recta com quase um quilómetro que ainda não tem uma rotunda.
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De macarvalho a 10.11.2011 às 19:24

E a famosa recta de Grândola, ainda se mantém sem rotundas?
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De João Carvalho a 10.11.2011 às 19:28

Até o diabo se ria!
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De sampy a 10.11.2011 às 19:48

Asneira, caro João, a sua sugestão.
Pois que construir mais rotundas irá obrigar a mais...
procedimentos concursais.
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De João Carvalho a 10.11.2011 às 20:38

Cruzes! Não me diga. Tem a certeza? Então o mundo mudou muito...
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De sampy a 10.11.2011 às 22:17

Nem que seja para escolher o artista que vai desenhar o mono a colocar em cima da rotunda...
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De João Carvalho a 10.11.2011 às 23:20

Alguns, como no caso acima, são desafios ao acidente. Os monos, esses surgem quando há um amigo que trabalha em arte pública e está a precisar de uns cobres.
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De lucklucky a 11.11.2011 às 03:00

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=2100002

Limite de endividamento das câmaras mantém-se em 125%
2011-11-03

As Câmaras vão manter em 2012 o limite de endividamento nos 125%, garantia dada pelo primeiro-ministro à Associação Nacional de Municípios, recuando na proposta do Orçamento do Estado que previa o corte para metade destes limite.


Como se vê a asneira é para continuar.
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De João Carvalho a 11.11.2011 às 08:54

Mas também deve manter-se uma velha tradição autárquica: obras sem grandes maçadas de procedimentos concursais...
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De Brasileiro a 11.11.2011 às 08:05

O antiacordismo leva até a críticas a palavras de uso consagrado na língua, de ambos os lados do Atlântico... Triste, tornou-se como um preconceito, maculando qualquer análise objetiva.
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De João Carvalho a 11.11.2011 às 08:58

Se V. fosse brasileiro perceberia melhor como nascem certos preconceitos e por que motivo é que cada um de nós de cada lado do Atlântico pode com toda a legitimidade ser crítico de certos tiques linguísticos. Não sendo brasileiro também podia perceber, mas está visto que não.
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De Brasileiro a 11.11.2011 às 17:07

Agora nega-me até a nacionalidade?... Será esse o paroxismo do antiacordismo?
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De João Carvalho a 11.11.2011 às 17:32

Sendo V. brasileiro ou não, podia perceber melhor como nascem certos preconceitos e por que motivo é que cada um de nós de cada lado do Atlântico pode com toda a legitimidade ser crítico de certos tiques linguísticos. Serve-lhe assim ou vai continuar sem perceber?
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De Brasileiro a 11.11.2011 às 19:32

Senhor... não há simplesmente nada de errado, incomum ou condenável em qualquer nível no uso da palavra "concursal", que, como dissera, é comum e corrente em ambos os registros principais do idioma. O preconceito é seu, não do português europeu.

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