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Cartas do Segundo Mundo - Os Custos da Suburbanidade

por Ana Cláudia Vicente, em 09.11.11

[Foto: Sol]

A suburbanidade é particularmente exasperante e mal paga em dias como o de ontem, que é como quem diz: se há quem sofra com a insularidade, há também quem padeça à simples conta da distância a que vive do lugar onde trabalha, estuda e se entretém. Entre estes arrabaldenhos estão os que pelas mais variadas razões evitam queimar o seu dinheirinho em combustível fóssil, usando habitualmente o comboio, o autocarro e o metro para as suas deslocações. E por razões que desconheço, um dos mais constantes custos da condição suburbana portuguesa é o estar à mercê dos sindicatos ferroviários, para os quais o direito à greve nunca parece ser o último recurso. É ver quantas vezes por ano (nos últimos dez anos, na zona da grande Lisboa e Setúbal, por exemplo) o exercem.

Que mal pergunte: porquê? Por que é que há um grupo profissional específico que detém o poder de transtornar de x em x meses a vida de milhares e milhares de concidadãos, chegando de momento (e, ao que tenho memória, ineditamente) a dar-se ao desmando de informar os clientes de uma semana com "supressões", "atrasos","perturbações", ora "pontuais", ora "pequenas", ora "totais ou quase totais (sic)", sem serviços mínimos?

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15 comentários

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De José António Abreu a 09.11.2011 às 08:40

Nem mais. Mas tu disseste-o: porque têm o poder de o fazer. Somos excelentes a usar o poder que arrebanhamos para impor aos outros os nossos interesses (sempre justos, claro) e, normalmente, até conseguimos continuar a ver-nos como vítimas permanentes (o que dá jeito para permitir a continuação do processo).

Quanto à suburbanidade, é, pelo menos na sua dimensão actual (número de pessoas que precisa de entrar nas cidades), mais um efeito das políticas das últimas décadas. Afinal, de acordo com os Censos 2011, 16% das casas de Lisboa e 19% das do Porto estão vazias:
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=2110268
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De lucklucky a 09.11.2011 às 10:00

Têm direito de o fazer. O problema não é esse direito, é a impossibilidade de haver concorrência.
Diga-se que quando se sai das linhas de comboios o transporte publico suburbano que inclua mais do que uma viagem é um desastre.
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De Ana Cláudia Vicente a 09.11.2011 às 12:54

Quanto a mim, Lucky, indiscutível e inalienável, esse direito; a questão fundamental para mim é a de saber por que razão os sindicatos de Lisboa e Setúbal o usam mais vezes que os do Porto, por exemplo; e tão mais vezes que os seus colegas de outros transportes públicos da mesma área geográfica, já agora.
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De Ana Cláudia Vicente a 09.11.2011 às 10:02

Casas vazias no centro, sim, mas muitas mais casas vazias nos arredores; não sei se não vamos ver muita demolição no nosso tempo de vida, José. Ah, e bom dia!
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De cenas underground a 09.11.2011 às 09:55

É mais um serviço público refém de quem lá trabalha, e não de quem devia servir.
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De Tiro ao Alvo a 09.11.2011 às 11:06

Tem razão: onde estão os serviços mínimos? Por este andar, qualquer dia não se pode confiar nos transportes públicos, ou seja, nos funcionários que trabalham nas empresas públicas de transportes - veja-se o comunicado de um grupo de quadros do Metro do Porto.
Por outro lado, e segundo o vereador do pelouro de transportes da Câmara de Lisboa, se os preços dos bilhetes dos transportes públicos, fossem aumentados para cobrir os custos de exploração das empresas, corria-se o risco de ficar mais barato a utilização de transporte particular..
Portanto, parece urgente, implementar uma política de transportes públicos sustentável e, para isso, aqui deixo uma sugestão: implementem-se portagens nas auto-estradas que entram pelas grandes cidades e as atravessam, Lisboa e Porto, aumentando assim o número de utilizadores dos transportes públicos e, então, num instante, acabam estas greves meias selvagens e aquelas empresas tornam-se empresas equilibradas e não apenas sorvedoiros de dinheiros públicos.
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De Ana Cláudia Vicente a 09.11.2011 às 13:05

À conta daqueles eufemismos de gosto duvidoso ( quem será o poeta das "perturbações pontuais", "pequenas" e "quase totais"?!) e imprevisibilidade de serviços, lá vai muita gente engrossar o trânsito e aligeirar a carteira. E a bofetada maior vai sempre para os passageiros mais fiéis, os que pagam passe.
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De Tiro ao Alvo a 09.11.2011 às 14:03

Desculpe, mas não percebi onde queria chegar.
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De Ana Cláudia Vicente a 09.11.2011 às 18:59

Tiro ao Alvo, estava apenas a reforçar a ideia de que a ausência de serviços mínimos é, a meu ver, particularmente lesiva num tempo como o que vivemos, sobretudo para quem vive com dinheiro contado. Em mais que um sentido, perdervárias jornas é pior que perder o décimo quarto.
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De Tiro ao Alvo a 09.11.2011 às 20:50

Obrigadinho.
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De sampy a 09.11.2011 às 13:01

É bom confrontarmo-nos de vez em quando com alguns dados essenciais da vida. Neste caso, a luta pelo poder, pelo sucesso na sobrevivência. Pelo simples facto de delegarmos colectivamente o controlo de tal questão no Estado de Direito, pensamos que o assunto está resolvido e que deixou de existir como problema. Errado.

Também é preciso recordar que, nas estruturas, a grandeza e complexidade acarretam vulnerabilidades. Viver numa megalópole tem os seus custos. Querer usufruir unicamente das vantagens seria idealisticamente uma idiotice.

É ainda importante reconhecer que, por detrás da luta de um grupo profissional pelos seus interesses particulares, há recorrentemente forças maiores a batalharem pela sua agenda ideológica. Por vezes, o grupo tornou-se ele próprio refém dessas forças; mas na maior parte dos casos, trata-se de uma relação simbiótica.

Para se compreender os perigos e desafios que este tipo de situações coloca às sociedades actuais, há um caso paradigmático que devia constituir objecto permanente de estudo e reflexão: a greve dos controladores aéreos em Espanha em Dezembro do ano passado.

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De Ana Cláudia Vicente a 10.11.2011 às 01:34

Sampy, o seu terceiro parágrafo contém matéria bastante para cogitação, para não falar nos mais; agradeço.
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De Rómulo da Silva a 09.11.2011 às 18:07

... sob o ponto de vista sindical, estas greves foram um êxito...
(Rresposta dum dirigente sindical a uma pergunta duma jornalista)
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De Ana Cláudia Vicente a 09.11.2011 às 18:52

Isso deu onde? Já há balanços de uma greve que vai a meio?
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De Rómulo da Silva a 09.11.2011 às 22:25

Na televisão, não sei em que canal.

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