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Folgas

por José António Abreu, em 08.11.11
António José Seguro insiste que há folga no orçamento para cortar apenas um dos subsídios aos funcionários públicos. Devo admitir que, quando o vi na televisão a afirmar tal coisa, com aquele ar de menino precocemente envelhecido, aquele olhar repleto de intenções puras, aquele registo de voz clerical, chegou a convencer-me. Que diferença em relação ao engenheiro-aspirante-a-filósofo. Mas depois aqueci um cházinho e sentei-me a bebê-lo roendo umas bolachinhas e olhando para a frase Uma Mentira Mil Vezes Repetida na capa do livro do Marmelo (que desconfio não ir acabar de ler hoje) e comecei a ficar com dúvidas. É que – reparem: não é por nada, eu gosto de acreditar, eu quero acreditar nas pessoas que me dizem que tudo pode ser melhor, ou menos mau, se melhor não for mesmo possível, mas o Partido Socialista já demonstrou algumas vezes (julgo que para cima de duas) que:

- Se engana frequentemente nas contas (e isto vai pelo menos até ao tempo do engenheiro; não, do outro, do que anda por África tentando impressionar a Jolie);

- Vê muito melhor os interesses do seu eleitorado do que o interesse geral (cof-aumento de-cof-2,9%-cof-em 2009-cof);

- Vê muito melhor os interesses de curto prazo do que os interesses de longo prazo (ah, aqueles estímulos à economia em 2008 e 2009, quando o défice e a dívida não importavam...; se queriam estimular alguma coisa, ó almas do PS, mais valia terem encomendado uns milhares de vibradores à J P Sá Couto para oferecer às mães que iam com os filhos receber o Magalhães);

- É imbatível a imaginar políticas não-recessivas (para algumas empresas, nenhuma das quais mencionada neste post);

- Desde que não tenha acabado de herdar o governo, vê sempre folgas nas contas públicas.

Ora estes (um-dois-três-quatro-cinco) cinco pontos (e se calhar há mais) deixam-me muito, mas mesmo muito, inseguro quanto às folgas do Seguro.

 

(A última frase não soa tão bem como eu esperava mas paciência. Caramba, enchi o teclado de migalhas. E o chá arrefeceu.)

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21 comentários

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De Pedro Correia a 08.11.2011 às 23:50

Cof, cof. Quero dizer: clap, clap.
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De José António Abreu a 09.11.2011 às 08:44

Obrigado. É melhor teres cuidado com essa tosse. Olha, bebe um chá quentinho.
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De Tamborim Zim a 09.11.2011 às 00:34

Irá ledo e formoso o Seguro? Pela verdura? Ai, perdão, confundo os personagens.
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De José António Abreu a 09.11.2011 às 08:49

Hmmm, não será a adaptação mais lógica "Vai Seguro e não formoso"? Porque Seguro ele é (deve estar no BI) e "formoso" era o outro, não era? (O homem mais sexy para as - e suponho que os - leitores do Correio da Manhã...)
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De Tamborim Zim a 10.11.2011 às 23:54

Hum, pois n sei. Tb sou suspeita pq, n sendo PS, gosto muito, mesmo muito do Francisco Assis, esse sim de uma segurança e de uma inteligência formosas. Qto ao sexy...tenho problemas c o termo, n me gusta. Já formoso...
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De jj.amarante a 09.11.2011 às 00:42

O que é pena é que o governo actual também nunca mais acerta nas contas, primeiro diziam que nãio precisavam de subir os impostos e já os subiram umas tantas vezes, depois que não precisavam dos subsídios de férias e de Natal e afinal precisam. E para o ano vão descobrir que afinal precisam de aumentar os impostos outra vez.
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De José António Abreu a 09.11.2011 às 08:57

Por acaso, quando disseram isso ainda não eram governo. Mas é verdade, não o deviam ter dito. De qualquer modo, vejo que você também não acredita que haja folga - a ponto de antecipar novos aumentos de impostos.
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De lucklucky a 09.11.2011 às 10:03

Este Governo prevê pedir emprestado quase 14 mil milhões de Euros no próximo ano. Cerca de 6% de défice em relação ao PIB ou seja 12% em relação ao Orçamento.
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De José António Abreu a 09.11.2011 às 14:23

Precisamente. Mas já só estamos a falar de folga em relação ao objectivo traçado, não em relação ao equilíbio orçamental. Esse está muito longe.
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De jj.amarante a 09.11.2011 às 11:38

É verdade, face ao passado de todos os governos de Portugal das últimas 3 ou 4 décadas, acredito que vão continuar a descobrir buracos aqui e ali. Mas continuo a pensar que o confisco dos 13º e 14º mês dos funcionários públicos é uma medida injusta e que existem alternativas mais justas, como o aumento dos impostos, enquanto o governo não consegue racionalizar os custos da administração pública.
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De José António Abreu a 09.11.2011 às 14:32

Bom, não concordo consigo quanto ao aumento de impostos (os gastos excessivos do Estado já sobrecarregam há muito a generalidade dos cidadãos - prejudicando os sectores exportadores da economia no processo) e também penso que é impossível racionalizar suficientemente os gastos do Estado sem cortar nos salários (ou despedir) e nas pensões - uns e outras pesam demasiado no orçamento. Claro que com isto não quero dizer que não existem outras áreas onde cortar primeiro e mais fundo.
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De zeparafuso a 09.11.2011 às 07:48

Aí temos um seguro que não segura nada! Aí temos um seguro que nos torna inseguros. Aí temos um seguro, com um discurso que até ele sabe que não é seguro ( verdadeiro). Aí temos um seguro que não ajuda os que dizem que querem segurar o País. Voltamos ao principio...aí temos um seguro que não segura nada.
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De José António Abreu a 09.11.2011 às 08:58

Andou a ler as letras miudinhas da apólice, zeparafuso?
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De singularis alentejanus a 09.11.2011 às 09:41

Sinceramente os socialistas devem estar loucos, dir-se-ia na aldeia gaulesa de Asterix. Depois do esbanjamento socretino ainda teêm a lata de dizer que existem almofadas. Se calhar foi pot utilizar tanta almofada, para dormir boas sonecas á sombra da azinheira, que chegámos a este descalabrio.
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De José António Abreu a 09.11.2011 às 14:33

singularis: uns quantos portugueses dormiram mas não sei se foram os membros do Partido Socialista...
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De singularis alentejanus a 09.11.2011 às 09:43

Descabro e não descalabrio.
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De Pifas a 09.11.2011 às 14:30

Pior a emenda que o sinete...
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De José António Abreu a 09.11.2011 às 14:39

É o singular humor alentejano, Pifas (o cuidado que tive para não escrever "pífias").
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De Filipe Almeida a 09.11.2011 às 12:09

confesso que fiquei bastante tranquilo e aliviado com a entrevista. há muito que aguardo que apareça alguém a desmentir o Vitor Gaspar na sua ânsia de tio Patinhas, ou seja, ficaria muito incomodado se se verificasse com facilidade que o Ministro das Finanças é apenas um sádico sem consciência com a obsessão da poupança... afinal de contas, e depois de tanto se ter falado em folgas e almofadas (expressões curiosas num país com falta de produtividade), parece que o único sítio onde Seguro conseguiria cortar seria na comissão da Troika (pouco mais de uma centena de milhões, longe dos tais 900 por almofada)... é de tal forma confrangedor que chega a ser um alivio... afinal, as alternativas existem, mas aparentemente tendem a continuar confinadas aos cérebros incomparáveis das elites das petições e das indignações...
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De José António Abreu a 09.11.2011 às 14:35

Eu até me esqueci da entrevista (escrevi o post depois de o ver nos noticiários). Obrigado pelo relato. Bom, então só lhe faltam oitocentos milhões. E convencer a troika.
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De pink a 10.11.2011 às 09:28

A direita encontra sempre" folgas" para sacar aos mais indefesos,enquanto os ricos mantêm incólumes as suas fortunas que os desgraçados tb. construíram e não tiveram direito a partilhar...

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