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Addio, Don Silvio

por João Carvalho, em 08.11.11

Silvio Berlusconi perde a maioria e anuncia a sua despedida, mas não sem dizer que a Itália fica a perder com o seu afastamento. Trata-se de um erro de paralaxe, próprio de quem olha a realidade de esguelha. A Itália já perdeu (andou sempre a perder) com a permanência de Berlusconi. Mas ele ganhou. Ganhou, por exemplo, ao ter feito muitas vezes o que lhe deu na real gana e dispensar-se de encarar a lei. Não faltam motivos para ver nos excessos de Don Silvio um (mais um) retrato de uma geração de políticos europeus que não deixarão saudades. Para qualquer europeu, é menos um cromo. Adeus.

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12 comentários

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De Isabel T. a 08.11.2011 às 22:08

Mais um que vai para Sorbonne.
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De João Carvalho a 08.11.2011 às 22:39

Sim, que aquilo está a tornar-se uma universidade sénior!
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De Sara a 08.11.2011 às 22:50

Arrivederci!
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De João Carvalho a 08.11.2011 às 23:04

Addio mesmo, que é para não haver confusões.
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De Sara a 08.11.2011 às 23:34

Tem sido sempre 'arrivederci'. Esperemos então que não volte 'mai'.
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De Pedro Correia a 08.11.2011 às 23:42

Mai = nunca.
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De Eduardo Sousa Pereira a 12.11.2011 às 15:18

Desculpem a ingenuidade, mas isto, justo ou não justo, não é uma subversão total dos fundamentos da democracia? Houve alguma moção de desconfiança? Houve um clima generalizado de contestação nas ruas? O povo (demo) exerceu alguma forma de poder(cracia)? O Sr. Berlusconni pode, assim, descontraídamente bater com a porta e sair de cena?
Já houve um tempo em que o poder caía na rua. Agora cai nos gabinetes das agências de rating?? E todos acham normal??
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De João Carvalho a 12.11.2011 às 15:50

Normalíssimo. Como V. mesmo disse, houve uma moção de desconfiança, tem havido um clima generalizado de contestação nas ruas e Berlusconni pode e deve sair de cena. Já bastam as muitas dezenas de processos judiciais a que tem fugido pouco democraticamente.
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De Eduardo Pereira a 12.11.2011 às 20:01

De qualquer forma são novos tempos em que o governo dos paises deixa definitivamente de estar nas mãos do povo. Eu sei que já tudo era só a fingir, mas ainda havia campanhas eleitorais, havia eleições , referendos, discusões nas assembleias. Agora não vai ser necessário. O poder financeiro acorda, faz as suas contas e decide quem fica e quem sai. Como V. diz...normalissimo.
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De João Carvalho a 12.11.2011 às 20:16

Eu sei onde quer chegar, mas está redondamente enganado, a meu ver. A UE está em crise profunda e o seu futuro é incerto. Vivemos, pois, um tempo duvidoso para tirarmos esse tipo de conclusões.

Repare: os actuais líderes da Alemanha e da França querem conduzir os restantes Estados-membros sem perder tempo com os processos democráticos que V. enumera; por outro lado, andámos anteriormente entregues a tecnocratas que decidiram sistematicamente afastar-nos dos mesmos processos democráticos e fizeram avançar apressadamente a UE por conta própria, nas nossas costas (e mal, como se adivinhava e hoje se prova).

Ainda acha que o mal está nestes "novos tempos"? O mal vem de trás e estes tempos não auguram nada de bom, mas começaram a abrir-nos os olhos. Ninguém sabe se os abrimos a tempo, mas podemos ver como parece estar a cair a geração de políticos europeus que não deixarão saudades.
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De Eduardo Pereira a 12.11.2011 às 21:22

Não percebo porque se recusa a aceitar aquilo que diz nos seus próprios comentários.
"A UE está em crise e o seu futuro é incerto" não significa que estamos a viver "novos tempos"? Não necessáriamente cronológicos mas sobretudo ideológicos e civilizacionais?
O eixo franco-alemão "querem conduzir os restantes"..." sem perder tempo com os processos democráticos" não é o mesmo que dizer que a democracia está a ser desprezada sem qualquer preocupação populista de fingir o contrário?
Quando caraceriza de forma tão precisa a forma como os tecnocratas nos têm governado não está a dizer que é o poder financeiro que está a decidir "quem fica ou sai dos governos"? "Tal como se advinhava e hoje se prova"!
A saída do Sr. Berlusconni (que me deixou naturalmente satisfeito) não foi uma vitória do povo italiano, foi uma vitória dos mesmos poderes que mataram o Saddam e o Kadaffi. Eles, em nome da liberdade e democracia, quando chegou a altura de sairem de cena. Entre nós, quando os riscos do não pagamento de dividas justifica o estrangulamento dos povos e a anulação dos processos democráticos. Que os Berlusconnis deste mundo saiam de cena seria promissor de uma mudança "nestes tempos que não auguram nada de bom" se não tivessem na sua origem a subida das taxas de juro. Subida resultante das movimentações nos mercados e da agiotagem das forças representadas nas agências de rating.
Todos sabiamos que a divida italiana atingia os 120% do PIB. De repente o mesmo individuo que governou, conviveu e foi aceite pelos poderes europeus, incluindo França e Alemanha, tem de sair de cena?
O Berlusconni não deixa saudades. Vamos a ver se um dia não iremos ter saudades da democracia.
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De João Carvalho a 12.11.2011 às 21:35

Tentei fazer-me entender: a crise, por ser crise, não deve considerar-se como "novos tempos", no sentido ideológico (que era o que estava aqui em apreço), visto que se trata, por definição, de uma temporada precária e, à partida, descontínua. Por outras palavras: a crise não é (ou não tem de ser) um momento de ligação óbvia ou necessária entre o antes e o depois.

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