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O estado social e os seus inimigos

por Pedro Correia, em 06.11.11

João José Cardoso, no Aventar, mostra-se cheio de azia por eu ter aqui mencionado o caso da ilha grega onde 700 putativos "cegos" recebem pensões de invalidez, sem atestado de cegueira, sugando de forma vergonhosa os cofres estatais de Atenas. Proclamando a sua imensa "falta de pachorra" para o debate destas questões, como se fossem tabu, JJC sustenta que o simples facto de se falar delas constitui uma prova de que "a direita" só pretende "vergastar o estado social".

É enternecedor verificar a extrema tolerância de uma certa esquerda perante quem suga fraudulentamente o dinheiro que resulta da contribuição de todos. Esses sim, são os inimigos do 'estado social' -- porque o sabotam por dentro, aproveitando-se dele para o sangrar. Os notórios abusos de uns impedem quem verdadeiramente precisa de ter acesso à protecção estatal.

Se a Grécia chegou ao ponto extremo a que chegou, hipotecando a sua soberania ao directório franco-alemão, foi devido à multiplicação de situações como a que refiro e à conivência das autoridades estatais perante casos deste género, impossíveis na generalidade dos países da União Europeia. Casos que, curiosamente, não recebem uma palavra de censura de quem por cá continua a mostrar vocação para coveiro do 'estado social' ao confundi-lo com os seus inimigos.

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12 comentários

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De lucklucky a 06.11.2011 às 21:16

Os militares estabeleceram a disciplina como uma das mais fundamentais estruturas de um exército.
Porque as armas são perigosas porque dão poder.
Muito Poder Destrutivo.
A esquerda e a maioria dos socialistas ainda não perceberam - ou não querem perceber- que a distribuição de dinheiro é também uma arma perigosa.
Dá Muito Poder Destrutivo.
Um Estado Social precisa de ser muito mais disciplinado que um Estado Liberal porque tem muito mais poder.
Ora tal coisa é uma impossibilidade porque o Estado Social com Disciplina Militar vai contra décadas de cultura que formaram o próprio Estado Social.
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De Pedro Correia a 06.11.2011 às 23:27

De acordo consigo, Lucky: «Um Estado Social precisa de ser muito mais disciplinado que um Estado Liberal».
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De jj.amarante a 07.11.2011 às 01:30

Eu presumo que a alergia a este tipo de evidência anedótica (ironicamente do grego anékdota) deriva da experiência que quando o governo começa a falar deste tipo de fenómenos é um prenúncio de que vai punir toda uma classe em vez de lutar contra os abusos. Exemplos:
- existem departamentos no Estado com utilidade duvidosa, mostrando a existência de gorduras que é necessário cortar, donde o remédio: tiram-se duas das 14 prestações anuais a todos os funcionários públicos uma vez que eles são uma cambada de inúteis;
- existem numa ilha grega uns pensionistas aldrabões que fingem que são cegos donde o remédio: diminuem-se as pensões de todos os pensionistas uma vez que ficou demonstrado que existem muitos que andam a aldrabar os contribuintes.
Lembro-me que quando o Ferro Rodrigues era ministro da Segurança Social se executaram e publicitaram com propósito dissuasor inspecções a baixas por doença. Não sei se entretanto essas acções caíram no esquecimento ou deixaram apenas de ser publicitadas.
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De Pedro Correia a 07.11.2011 às 18:28

Por causa destas e muitas outras "anékdotas" a dívida grega ascende hoje a 365 mil milhões de euros, J. J.
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De l.rodrigues a 07.11.2011 às 10:29

Os hipermercados têm uma categoria contabilística chamada "quebras". Designa tudo o que entra na loja, mas não sai pela caixa. Coisas que se partem, passam da validade ou são roubadas. É um prejuízo importante, e há o cuidado de alertar os funcionários para tudo o que possa contribuir para a sua diminuição. Mas nunca é eliminado. E mesmo com esses milhões, e são muitos milhões, de prejuízo, os hipermercados prosperam. Algum nivel de quebra é inevitável, e isso é simplesmente incorporado no preço.

Penso que isto se aplica ao Estado Social, há sempre um certo nivel de fraude e de "free riding". E há que minorar isso, sabendo que nunca se pode eliminar.

Resumindo, acho que o Blogger do Aventar tem razão...
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De Pedro Correia a 07.11.2011 às 18:34

Essa parece-me ser também a lógica de Alberto João Jardim na gestão das finanças madeirenses, meu caro: «há sempre um certo nivel de fraude e de "free riding".»
Porreiro, pá.
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De l.rodrigues a 08.11.2011 às 10:20

Uma coisa é um sistema que não consegue evitar que aqui e ali fujam uns milhares e toda a gente fique escandalizada por isso e outra coisa é um sistema que está enviezado para que sempre os mesmos façam fugir milhares de milhões.
Tem a certeza de ter o moralómetro bem afinado? Se calhar precisa de calibrar isso...
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De Pedro Correia a 10.11.2011 às 15:19

Tenho a certeza de que sem dinheiro não há "estado social" de espécie alguma. Tenho a certeza de que o "estado social" não subsiste num país onde uma larga faixa da sua população pratica essa inaceitável modalidade nada desportiva que é a fuga deliberada ao fisco.
Pode ser uma verdade chata, incómoda. Mas não deixa de ser verdade por causa disso.
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De J.M. Coutinho Ribeiro a 07.11.2011 às 13:02

Os que defendem o estado social a todo o custo, não percebendoque assim o matam, são os verdadeiros responsáveis pelo estado a que chegámos. Se mão percebem que o estado social só pode existir na medida do possível, vai chegar o tempo em que nem estado social nem Estado.
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De Pedro Correia a 07.11.2011 às 18:30

Todos os defensores do modelo social europeu devem estar na primeira linha das críticas aos abusos cometidos em seu nome, caro Joaquim. Só assim evitaremos que ele se pulverize.

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De João José Cardoso a 07.11.2011 às 16:23

Meu caro Pedro Correia, azia é exagerado. Este fim de semana fiquei com alguma mas teve epicentros no Funchal e em Olhão.
O resto são opiniões, e já agora chamo-lhe a atenção para a deste grego:

http://aventar.eu/2011/11/07/como-um-grego-ensina-a-um-alemao-a-historia-das-dividas/

que pelo menos historicamente me parece muito sustentável.
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De Pedro Correia a 07.11.2011 às 18:32

Estimo as melhoras, João José. E assinalo o 'fair play'.

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