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O pior cego é o que não quer ver

por Pedro Correia, em 05.11.11

 

Uma ilha inserida no habitual circuito turístico grego revela-se um caso digno de figurar no Guinness: 700 dos 35 mil habitantes de Zaquintos recebem pensões de invalidez por terem perdido a vista. A insólita cegueira, ocasionada talvez pela intensidade dos raios solares ou por inesperados efeitos da maresia das translúcidas águas jónicas, custa aos contribuintes gregos a módica quantia de 6,4 milhões de euros anuais. Menciono a expressão "contribuintes gregos" como flor de retórica: todos sabemos quem paga realmente esta factura no país que detém o recorde europeu de evasão fiscal.

Agora, devido à mais que provável pressão dos tenebrosos fiscais alemães, o Ministério da Saúde ateniense lembrou-se de pôr em prática aquilo que há muito se impunha: cada "invisual" terá de fazer prova prévia de invalidez antes de continuar a empochar a pensão. Uma maçada para aqueles que alegam serem cegos de nascença enquanto passeiam alegremente pela ilha sem necessidade de cão-guia nem bengala.

Aposto que todos votariam não no referendo que Papandreou anunciou sem nunca ter intenção de o levar à prática, como o próprio primeiro-ministro grego confessou à Sky News. O pior cego é sempre o que não quer ver.

 

Imagem: um dos belos areais de Zaquintos, a "ilha dos cegos"

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8 comentários

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De zedeportugal a 05.11.2011 às 13:12

Uma excelente oportunidade para os portugueses expulsarem, digo, exportarem o sinistro Macedo dos impostos antes que ele acabe definitivamente com o SNS por cá.
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De Pedro Correia a 05.11.2011 às 22:42

Que tem isso a ver com as falcatruas gregas, Zé?
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De zedeportugal a 06.11.2011 às 03:21

Então, Pedro, vamos lá pensar devagarinho.
Eles, os gregos, não querem pagar impostos. Logo, precisam de um cobrador sem escrúpulos. Não têm que temer que ele lhes destrua a Economia, como fez por cá, pois eles já se encarregaram de a destruir.
Por outro lado, os portugueses precisam, e muito, do SNS "tendencialmente gratruito". A população portuguesa é agora maioritariamente composta por velhos que auferem reformas exíguas. Qualquer dificuldade acrescida no acesso aos cuidados de saúde neste momento representa o fim, sublinho, o fim, para muita gente.
Finalmente, o dito indivíduo teria a suprema oportunidade de perseguir gente desobediente para o resto da sua vida. Um prazer intenso e continuado para um inquisidor, digo, cobrador.
Percebeu agora, Pedro? São só vantagens para todas as partes... É melhor ainda do que exportar jogadores de futebol com conta no "bés".
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De Pedro Correia a 06.11.2011 às 13:06

Agora percebi. O ministro a que se refere, caro Zé, distinguiu-se, como director-geral dos Impostos sob a tutela de três ministros das Finanças, na primeira linha do combate à fraude fiscal em Portugal. Um facto que é reconhecido até por alguns dos seus mais tenazes adversários políticos. Os gregos, campeões europeus da fuga aos impostos, estarão a precisar de alguém assim.
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De Carlos Faria a 05.11.2011 às 15:16

Lá, como cá, os abusos e aproveitamentos dos dinheiros do Estado para uma vida fácil em prejuízo de quem paga impostos é transversal a todas as classes sociais... embora alguns se limitem a denunciar excessos nos mais ricos (que existe) e outros não apenas acusem os aproveitamentos das classes mais baixas (individualmente menos onerosos mas em quantidade superior), mas todos contribuem para a situação a que a Grécia e Portugal chegaram.
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De Pedro Correia a 05.11.2011 às 22:46

É sempre mais fácil ver o argueiro no olho do vizinho.
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De Luís Reis Figueira a 05.11.2011 às 16:13

Pedro, eu diria que «o pior cego é o que recebe pensões de invalidez por não ter perdido a vista».
Que ironia do destino esta, de haver tantos 'cegos' numa ilha com tanta beleza para admirar como Zaquintos... Mas os maiores ceguinhos na Grécia não são estes, não... . O grande problema, é que a Grécia, a começar pelo PM, tem um "governo que é cego" e aqui, sim, voltamos ao título do post: "O pior cego é o que não quer ver".
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De Pedro Correia a 05.11.2011 às 22:46

Olhos que não vêem, coração que não sente.

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