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O Munique grego.

por Luís Menezes Leitão, em 03.11.11

 

Papandreou jogou a última cartada que lhe permitia assegurar a sua sobrevivência pessoal e política: decidiu perguntar aos gregos se efectivamente queriam o destino que os europeus lhes davam e que passa pela perda total e a absoluta da sua soberania, com o país ocupado em permanência pela troika. Era evidente para todos que a resposta iria ser negativa. As ondas de choque que um não da Grécia ao destino que lhe propõem provocaria na Europa foram de tal ordem que o eixo franco-alemão e os seus lacaios impuseram à Grécia o seu Diktat, rejeitando sequer a possibilidade de decidirem livremente o seu destino. A democracia, essa maravilhosa invenção grega, foi abolida na Grécia, que hoje acaba de ter um destino semelhante ao da Checoslováquia nos acordos de Munique. Os outros países decidem do seu destino, sem que os cidadãos, ou mesmo os seus governantes, tenham sequer a possibilidade de se pronunciar. E já hoje surgiu o recado, dado não apenas aos gregos, mas também aos portugueses, de que se devem preparar para mais medidas de austeridade. Os PIIGS já não têm governos, mas apenas mandatários de governos estrangeiros. Não haja dúvidas de qual será o resultado destas políticas. Como disse Churchill perante os acordos de Munique: "A crença de que se consegue a paz na Europa atirando aos lobos um pequeno Estado constitui um erro fatal".

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2 comentários

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De s o s a 03.11.2011 às 20:55

Realço a conclusão !!! Todavia a realidade é que tudo se fala e portanto nesse tudo está a verdade, mesmo se os acontecimentos a precipitam ou retardam. Quero dizer que andamos sempre a apanhar foguetes, sendo que pouco ou nada mais podemos fazer. E raramente nos ocorre, tal é velocidade desta coisa jornalistica, que haja algures alguém munido de regua e esquadro a mexer os cordelinhos, a dirigir os acontecimentos. Falamos á boca cheia que a libia é o petroleo. Mas não sabemos se tudo foi subterraneamente elaborado, até mesmo como surguiu a ideia de bombardear o país. Será a grécia um laboratorio ? O esquema é mais amplo ? E porque as democracias se envolvem nas grandes questões mundiais (como bombardeamentos de terceiros) , á rebelia, sem mandato democratico ?
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De zedeportugal a 03.11.2011 às 23:46

Excelente.
Há uma expressão de Johannes M. Simmel que venho recordando persistentemente:
"criminoso parque infantil europeu"

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