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Um jogo muito perigoso.

por Luís Menezes Leitão, em 03.11.11

 

Esta notícia demonstra que Papandreou está a lutar pela sua própria sobrevivência física, e que a estratégia completamente disparatada dos líderes europeus vai empurrar a Grécia para um golpe militar. Efectivamente, as chefias militares gregas podem ter sido destituídas na vigésima quinta hora, mas os militares têm fidelidades e não é seguro quanto tempo vão tolerar a humilhação do seu país associada à exigência de sacrifícios intoleráveis aos seus cidadãos. Com este tipo de medidas, o terreno fica maduro para a chegada de um caudilho qualquer. Pinochet também assumiu o poder no Chile depois de uma onda de greves e manifestações de panelas vazias.

 

A tragédia grega devia servir de exemplo para Portugal perceber que não pode seguir o mesmo caminho. Ninguém compreende que se cortem salários para recapitalizar bancos no quadro de um discurso de engenharia social, a defender o ajustamento salarial dos funcionários públicos ou o empobrecimento colectivo do país. E muito menos são aceitáveis discursos culpabilizadores em relação a pessoas que não têm qualquer responsabilidade no descalabro financeiro a que o país foi conduzido e que vão sofrer na pele essas medidas.

 

Os líderes europeus não estão manifestamente à altura da situação. A ideia de fazer a população de um país sofrer pela actuação do seu Governo já tem um precedente histórico: as humilhantes exigências de indemnizações de guerra que foram feitas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes e que a levou a declarar a bancarrota. Também na altura se defendia que os cidadãos alemães tinham que sofrer pelo comportamento do seu governo. Viu-se onde isso conduziu. Um povo em desespero aceita tudo o que o possa tirar dessa situação.

 

É tempo de acabar de vez com os governos de economistas, que não vêem mais nada para além da lógica dos números, e arranjar políticos que saibam criar soluções políticas para o sarilho em que estamos metidos. Se não, receio que estejamos a preparar o apocalipse.

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5 comentários

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De Samuel de Paiva Pires a 03.11.2011 às 11:43

Nem mais. Uma nação humilhada é uma nação perigosa. Os alemães melhor do que ninguém deviam sabê-lo. Já vai sendo altura de os medíocres líderes europeus enfrentarem a realidade.
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De zedeportugal a 03.11.2011 às 12:32

Um povo em desespero aceita tudo o que o possa tirar dessa situação.

É exactamente como diz.

É tempo de acabar de vez com os governos de economistas,

Correcção: Economistas não, contabilistas e ao serviço dos interesses da Finança internacional.
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De Luís M. Jorge a 03.11.2011 às 12:53

Exactamente. Muito bom post.
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De paulo oliveira a 03.11.2011 às 21:49

excelente post.
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De lucklucky a 03.11.2011 às 22:28

Fantástico pelos vistos defende-se neste texto quem tenha direito de pernada sobre õ dinheiro dos outros ad infinitum.
Ou o caso é pior e não não sabe fazer contas?

"E muito menos são aceitáveis discursos culpabilizadores em relação a pessoas que não têm qualquer responsabilidade no descalabro financeiro"

Esta é mais uma a juntar ao gozo. Acaso não votaram? Acaso os políticos Gregos não são Gregos. Ou Portugueses para o nosso caso.
Os Portugueses, a maioria, são culpados pelo estado do seu país.
Mais ninguém.


"Também na altura se defendia que os cidadãos alemães tinham que sofrer pelo comportamento do seu governo. Viu-se onde isso conduziu."

Então você que defende inflação vem falar da inflação da Republica de Weimar como algo mau?

Não é já demasiada ignorância histórica?
Vale tudo?Tal com o argumentar uma coisa e o seu contrário?

Estou simplesmente seguindo o seu argumento.
Pois já agora, a que conduziu Versalhes?
Vamos supor que conduziu a algo mau? Quer dizer que um criminoso não deve ser preso porque ameaça?

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