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Uma crise diferente

por José Maria Gui Pimentel, em 01.11.11

Vem este texto a propósito de mais um interessante vídeo do TED Talks, desta vez com a intervenção de Richard G. Wilkinson, cientista-social britânico autor do livro "The Spirit Level: Why More Equal Societies Almost Always Do Better". Wilkinson traça uma interessantíssima - e dificilmente negável - causalidade entre a desigualdade de rendimentos nas economias avançadas e os mais diversos problemas sociais, desde a saúde, à violência, passando até pela confiança que temos uns nos outros. Posto isto, há um factor adicional torna este vídeo particularmente importante para nós, portugueses, principalmente numa altura em que o país pretende sair por cima da crise. Wilkinson nem sempre - felizmente - o realça, mas em quase todos os gráficos que vão sendo apresentados, ilustrando a relação da desigualdade de rendimentos com várias medidas de desenvolvimento humano, Portugal aparece invariavelmente na cauda das economias avançadas. Bem na cauda. Somos, por exemplo, penúltimos (apenas atrás dos EUA) num índice de problemas sociais e de saúde, e somos também aqueles que menos confiam uns nos outros. Não constamos num gráfico sobre mobilidade social, mas não acho difícil adivinhar o resultado, num país onde o principal meio de mobilidade social é a política.

 

São, em suma, dados que deveriam estar mais presentes no debate do estado do país, pois não são nada animadores. Tratam-se, note-se, de valores relativos, pelo que a nossa condição de economia pequena em nada influi. Importa, pois, alterar o senso comum. Não somos "os pobres dos ricos", fado facilmente associável à nossa reduzida dimensão - demográfica e populacional -, mas sim os desiguais dos ricos. E isso é um problema que urge corrigir.

 

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2 comentários

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De Rui Rocha a 01.11.2011 às 16:06

Post pertinente e oportuno, José Maria.
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De IsabelPS a 01.11.2011 às 18:53

"Não somos "os pobres dos ricos", fado facilmente associável à nossa reduzida dimensão - demográfica e populacional -, mas sim os desiguais dos ricos. E isso é um problema que urge corrigir."

Absolutamente de acordo.

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