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O país em part-time

por Leonor Barros, em 01.11.11

Não é de hoje nem de ontem. São anos e anos de sucessivos desmiolanços na Educação deste país. Depois do Ministério da Educação do Governo anterior se ter lembrado de tornar a escola obrigatória até ao 12 º ano, eis que surge uma ideia verdadeiramente brilhante: a escola em part-time. Uma maneira airosa de abandalhar ainda mais o sistema. Prevejo planos dos planos dos planos de recuperação e planos individuais de trabalho para quem estuda a part-time com 16 anos. Há que ter medo das cabeças brilhantes que nos (des)governam. Muito medo.

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25 comentários

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De fernando antolin a 01.11.2011 às 11:15

Medidas avulso,desarrincadas por gente em part-time de um País que também o é...

(ai, que os aeroportos não fecham nos dias santos...)
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De Leonor Barros a 01.11.2011 às 11:19

Esta medida não tem sentido nenhum. Espero que desistam da ideia.
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De IsabelPS a 01.11.2011 às 11:18

Sei não. (Aviso já que, aparte ter feito parte do corpo discente há já várias décadas, não sei nada de educação).

Nos últimos tempos tenho falado com muitos pequenos empresários (carpinteiros, cabeleireiras, instaladores de painéis solares, etc.) e um dos problemas recorrentes parece ser a dificuldade de encontrar aquilo que se talvez se chamasse antigamente de "aprendizes". Ou seja, alguém que entra para uma empresa para fazer os trabalhos mais básicos, com o salário mais baixo, e que vai aprendendo "sur le tas" como dizem os franceses. E os belgas, que me estou agora a lembrar duma conversa com uma cabeleireira belga que me explicou que o sistema lá é a pessoa começar, por exemplo, aos 14 anos umas horas por dia, tendo o resto do tempo ocupado com a escolaridade obrigatória.

Claro que uma das razões desta dificuldade de arranjar trabalhadores "não qualificados" é o salário mínimo ser tão baixo, tão próximo dos subsídios de desemprego, subsídios de inserção, etc que, um agente económico racional (como os economistas gostam de imaginar) toma a decisão racional de ficar em casa em vez de ir gastar tempo e dinheiro para ir trabalhar, que não compensa. Mas outra das razões é que, na cabeça dos hipotéticos candidatos a emprego, eles não são trabalhadores não qualificados uma vez que têm 12 (são 12?) anos de escolaridade obrigatória mais N cursos de formação. Além de 20 e tal anos muitas vezes, claro.

Eu sou o mais possível a favor do aumento do nível da educação do povo português. Mas acho que andamos há décadas às aranhas, numa enorme confusão mental entre o tempo de escolaridade obrigatória, o ensino tipo tamanho único, o saber só de experiência feito... e o pecado original da lusa pátria, o desprezo total pelo trabalho manual. E outras coisas mais que agora não me ocorrem.

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De Leonor Barros a 01.11.2011 às 11:47

Há que apostar mais nos Cursos Profissionais e aumentar-lhes a parte prática. Nesses cursos os alunos fazem estágios (formação em contexto de trabalho) e começam no 2º ano do curso, 11º ano. Parece-me muito bem aumentar a componente prática e diminuir a teórica. Há uma ligação mais estreita com o mundo do trabalho, uma vez que a empregabilidade é o objectivo no fim dos 3 anos.
O que se está a falar aqui não é de dar um vertente prática aos cursos, é permitir que um aluno com 16 anos estude em part-time. A perspectiva é muito diferente. Acresce que hoje em dia é muito difícil excluir um aluno por faltas, os mecanismos são burocráticos e sem sentido. Quando chegarmos a este ponto nem imagino o absentismo por parte dos alunos e, em consequência, o fraco nível de desempenho. Se agora se queixam que os alunos não sabem nada, imaginem depois. A componente presencial do ensino é fundamental e não deve ser menosprezada.

E ainda em relação aos cursos profissionais, noto que há um enorme preconceito. Os Cursos Profissionais são muito diferentes dos Científico-Humanísticos : a carga horária, programas e perfil dos alunos não têm nada a ver uns som os outros. E ter um Curso Profissional devia constituir uma qualificação numa área específica. Constato que para alguns pais estes cursos têm uma carga social depreciativa. Não ir para a Faculdade e ter um Curso Profissional não deve ser vergonha para ninguém. É apenas uma outra via de qualificação.
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De IsabelPS a 01.11.2011 às 12:27

Não vejo problema nenhum em que um aluno estude em part-time aos 16 anos (no exemplo que dei, na Bélgica, é permitido a partir dos 14). O problema é o incentivo, tanto do estudo como do trabalho, ou seja a qualidade e as condições de um e de outro, a seriedade do presente e a segurança do investimento no futuro.
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De Leonor Barros a 01.11.2011 às 12:48

A Bélgica não é Portugal, Isabel. O problema é como é que vão operacionalizar tudo isto.
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De H.R. a 01.11.2011 às 16:59

Ah! Não tem mal nenhm, mas....o problema é que já conta que vão fazer mal. E vai daí, toca de começar já a deitar abaixo e sentenciar que é : "Uma maneira airosa de abandalhar ainda mais o sistema."
Então, está bem. Com fundamentos destes... fico plenamente esclarecida.
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De Leonor Barros a 01.11.2011 às 17:08

Porquê? Devo contar que vão fazer bem? Ainda bem que ficou esclarecida. Estava difícil.
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De H.R. a 01.11.2011 às 14:18

E há que conhecer um pouco melhor a realidade educativa sobre que se opina e as eventuais vantagens e inconvenientes de medidas ainda nem esclarecidas porque ainda em planificação, não?! Ou fica tudo no "eu acho que..." do costume.
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De Leonor Barros a 01.11.2011 às 14:55

Eu conheço bem a realidade educativa. Por isso é que falo. Se o Governo fosse uma pessoa de bem até aceitaria eventualmente que esta medida pudesse ser boa. Tendo em conta o que mandam fazer para subir as estatísticas deixei de acreditar.
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De H.R. a 01.11.2011 às 16:19

Que eu saiba, ESTE governo, o mesmo contra cujas medidas, ou hipóteses de medidas, a senhora aqui se insurge, o que é que mandou fazer para subir as estatísticas?! Ou é apenas a conversa do "são todos "iguais" e "se os outros fizeram estes também vão fazer"? Bom, eu, pelo menos, não gosto mesmo nada que me julguem pelo que outros fizeram antes de mim. Mas isso sou eu, claro...
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De Leonor Barros a 01.11.2011 às 16:30

Se leu bem o meu texto percebeu que eu me insurjo contra as políticas de educação deste país, é assim que começa o post. O que este Governo vai fazer pela educação ver-se-á ao longo dos anos. Se eu tenho motivos para desconfiar? Eu não tenho motivos para confiar, o que é diferente.
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De H.R. a 01.11.2011 às 16:26

E será bom não esquecer que há jovens, e muitos, a trabalhar aos 16 anos. Basta dar uma voltinha por esse país fora... Recomenda que sejam impedidos de o fazer, é isso?!

Quanto a planos de recuperação e planos individuais de trabalho....melhor nem falar. Uma fraude pura e dura! Salvo honrosas excepções, naturalmente.
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De Leonor Barros a 01.11.2011 às 16:33

E então? Qual é o problema? O que eu disse foi que não concordo que haja estudantes em part-time no Secundário, é diferente, não desvirtue o meu post. E não, não concordo com a escolaridade obrigatória até ao 12º ano.
Concordamos em relação a PITs e quejandos.
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De H.R. a 01.11.2011 às 16:53

Não percebo, de todo, qual é o mal de permitir que um jovem de 16, 17, 18 anos, que anda já a ganhar a vida a trabalhar, tenha oportunidade de estudar, fazer o secundário e ir para a universidade tirar o curso que quiser, em vez de ser obrigatoriamente, como parece ser a sua proposta, empurrado para um desses cursos profissionais. É perfeitamente legítimo que queiram ser drs e engs, com o mesmíssimo direito dos outros que se podem dar ao luxo (ou à preguiça) de não trabalhar nessas idades. Não o permitir é não só ignorar a realidade social portuguesa como ainda por cima condenar esses jovens que precisam e querem trabalhar a uma desigualdade de oportunidades no acesso ao mercado de trabalho. Os electricistas, canalizadores, marceneiros, pedreiros, cozinheiros, etc e tal, de que a sociedade obviamente precisa, foram anos demais, no antigamente, condenados a sê-lo porque alguém achava que os cursos técnicos eram os mais indicados para os menos iguais enquanto os drs e engs se reproduziam quase sempre, com magníficas excepções, em castas de mais iguais... tudo em nome dos pátrios interesses e do amor pelas criancinhas, evidentemente...
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De Leonor Barros a 01.11.2011 às 17:05

Devemos andar a ler coisas diferentes certamente. Mas onde é que eu empurrei os alunos para os profissionais? Os Cursos Profissionais vieram a propósito de uma outra conversa que nada tem a ver com estudar em part-time. Cursos Profissionais e Científico-Humanísticos são diferentes na sua essência. Cada um deve optar pelo que melhor lhe convier. Mas que Drs e Eng.? Onde é que falei disso?
Se no Científico-Humanístico só vai ser possível conciliar trabalho e estudo se o Governo inventar mais uma dessas formas harmoniosas de passar os alunos sem pôr os pés na escola, no Profissional é impossível porque os alunos têm de cumprir obrigatoriamente x número de aulas e a carga horária é muito pesada. Não desvirtue o que eu disse.
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De H.R. a 01.11.2011 às 17:21

Minha senhora, não pretendo desvirtuar nada e andamos certamente a ler coisas diferentes e, seguramente, a pensar de modo muito diferente. Apenas pretendi responder, com algum fundamento, à sua sentença, que considero, no mínimo, leviana: "Uma maneira airosa de abandalhar ainda mais o sistema." - palavras suas sobre uma medida apenas ainda em estudo e que, reconhece numa resposta a outro comentador, de que desconhece contornos definidos e modos de operacionalização, mas, ao que parece, lhe merece desde já tal condenação, porque, como diz, não vê razões para confiar. Fraquinho, minha senhora, muito fraquinho! Só espero que não seja professora! Ainda confio que sejam, muitos deles, apesar de tudo, bem mais elaborados nos seus raciocínios e na argumentação. Muito obrigada pelo espaço que me concedeu.
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De Leonor Barros a 01.11.2011 às 18:48

O que eu não gosto é das palas que tem e que a faz não ver o que é óbvio. A partidarite é uma doença grave. Trate-se e deixe-se de ofensas gratuitas.
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De Leonor Barros a 01.11.2011 às 19:04

Vergonhosas as suas ofensas e insinuações.
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De H.R. a 01.11.2011 às 18:16

eu respondi a este seu último comentário....não terá recebido? Seria uma pena...
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De Leonor Barros a 01.11.2011 às 18:46

Tenho mais que fazer do que passar o dia a libertar comentários. Não gosto das suas insinuações.
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De H.R. a 01.11.2011 às 20:41

A senhora é livre de gostar ou não gostar dos comentários de quem aqui acede a ler opiniões e notícias e, pelo historial do blogue, fá-lo na ilusão de poder comentar livremente o que lê, desde que, obviamente, respeitando as elementares regras de boa educação. Não tem a senhora, seguramente, o direito de atacar quem é bem educado e lhe responde com argumentos que, pelos vistos, não sabe refutar de outro modo que não por este seu ridículo exemplar de raivinhas imbuídas de contaminações politiqueiras que em tudo vê partidarites: "palas que tem e que a faz não ver o que é óbvio. A partidarite é uma doença grave. Trate-se e deixe-se de ofensas gratuitas." (sic) Patético!
Repito, sem insinuações, que não fazem o meu jeito, pois gosto de dizer tudo clarinho para ser bem entendido, o desejo expresso em comentário anterior: Oxalá não seja professora! Se isso a ofende, a senhora lá saberá porquê. Não tenho nada com isso. Mais uma vez, muito obrigada pelo espaço concedido e também pelo tempo que lhe ocupo a libertar os meus comentários. Pode ter a certeza que é, definitivamente, o último que me merece o que quer que a senhora venha a escrever aqui ou em qualquer lugar. Deixou de me interessar. Continuarei, espero, a ler os seus colegas de blogue, alguns dos quais me merecem, além do natural respeito, alguma admiração pela qualidade da escrita e pela lucidez da análise. Tenha uma boa noite!
Maria Helena Rodrigues
PS- Reservo-me, naturalmente, o direito de tornar pública esta troca de comentários. Não é uma correspondência privada e o Delito de Opinião tem sido, até agora, pelo menos, de livre acesso.
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De Leonor Barros a 01.11.2011 às 22:10

Não me venha falar regras de educação. Insinuações rasteiras e desvirtuar permanentemente tudo o que fui argumentando nestes comentários não é só falta de educação, é desonestidade intelectual. É claro que sou professora, sabe muito bem disso. Não lhe admito mais ofensas. Passe bem,
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De Aefetivamente a 01.11.2011 às 21:10

Por causa disto e de coisas assim e de coisas ainda piores tenho dias em que estou farta. Estou farta do ensino, naquilo em que se tornou. Ainda há alunos que valem a pena, é verdade, e ainda trabalho ( e muito)com alguma motivação por causa deles, mas tirando isso acredite que é dificil estar neste barco. Vai tudo, estamos esvaziados.
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De Leonor Barros a 01.11.2011 às 22:12

O trabalho envolvente e tudo aquilo que inventam para ludibriar as pessoas desmotiva, é verdade, mas os alunos continuam a valer a pena. Eu continuo a gostar de ser professora.

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