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O essencial sobre o problema do país

por António Manuel Venda, em 01.11.11

Ditos e mitos

Por Paulo Morais

 

A mentira mais repetida na vida política portuguesa é a de que os portugueses vivem acima das suas possibilidades, trabalham pouco, ganham demasiado e deveriam poupar mais. Nada de mais errado: este conjunto de mitos constitui um embuste.

O primeiro mito é o de que os portugueses vivem acima das suas possibilidades, fazem férias caras e compram bens que não deviam. Um logro. Quando adquirem bens ou serviços, os cidadãos fazem-no ou com o seu dinheiro ou a crédito. No primeiro caso, estão no seu direito. Na segunda hipótese, a responsabilidade será sempre do cliente; ou, se resulta de má avaliação ou ganância por parte da banca, é por esta que deve ser assumido o prejuízo. Muito pelo contrário, quem vive muito acima das suas possibilidades é o Estado, a classe política, os gestores públicos e todos os que comem da manjedoura que é o orçamento do estado. O português comum, esse, infelizmente, tem vivido muito abaixo do nível médio do europeu.

O segundo mito, em Portugal trabalha-se pouco. Uma falsidade. Os nossos trabalhadores cumprem horários semanais dos mais extensos da Europa. Estão é mal enquadrados e são mal dirigidos. Na administração pública, a gestão é fraca, os dirigentes, "boys" partidários, são, na sua maioria, habilidosos caciques e organizadores de campanhas, mas péssimos gestores. Acresce que a incompetência se contagia às empresas privadas que vivem de favores do Estado e que, para isso apenas, contratam traficantes de influência. Com dirigentes destes, a produtividade só poderia ser fraca. E ganham demais? Não me parece que salários altos alguma vez tenham sido o problema de Portugal. Pelo contrário, é lamentável que tenhamos chegado a 2011 com um ordenado bruto médio de 900 euros, o que representa um rendimento líquido mensal de 711 euros. Isto é ganhar muito? Finalmente, é agora moda pedir aos portugueses que poupem. Mas vir pedir a um povo, que tem salários de miséria, para poupar é, no mínimo, ridículo e insultuoso. E inútil. Todo este chorrilho de mentiras e moralismos apenas servem para disfarçar a incapacidade dos políticos. O que os portugueses precisam não é de lições de moral, mas sim de governantes competentes e sérios.

 

(no «Correio da Manhã», aqui)

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4 comentários

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De Luís Reis Figueira a 01.11.2011 às 18:09

Eu, que já não acredito praticamente em nada nem em ninguém, continuo a achar que Portugal talvez fosse um país diferente se houvesse mais Paulos Morais. Não sei, é cá uma ideia que eu tenho...
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De jj.amarante a 01.11.2011 às 19:58

E mesmo para os poucos que poderiam poupar, a ganância dos bancos ao remunerar miseravelmente os depósitos a prazo afastará alguns potenciais aforradores. Querem mais poupança? Remunerem melhor os depósitos!
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De Pedro Ulrich a 02.11.2011 às 11:15

Os pressupostos do texto é que estão errados: O "país", no seu conjunto, é que vive acima das suas possibilidades, ou melhor, acima daquilo que deveria em função do que produz...
E o essencial não é se trabalhamos mais em quantidade, mas sim em indices de produtividade... no dia em que a balança comercial estiver mais estabilizada e conseguirmos produzir o suficiente para corresponder aos padrões de vida que pretendemos, aí já a conversa é outra...
that simple... e tentarmos contornar estas evidências não faz com desapareçam...
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De Javali a 02.11.2011 às 11:27

Nem mais.

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