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Sem filtros.

por Luís M. Jorge, em 31.10.11

A blogosfera em peso rasgou as vestes quando leu estas declarações do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto. Num país em que a palavra juventude serve de eufemismo a uma casta de adultos indolentes e primadonas agastadas da classe média urbana, e em que por desporto se toma o futebol — prática criminosa só debelável com a interdição — qualquer laracha que o burocrata responsável pelos dois buracos negros proferisse ao microfone teria potencial incendiário. Ainda por cima se fosse verdade.

 

E o que disse o homem? Que os nossos inúteis, se não encontrarem trabalho cá dentro, devem procurá-lo lá fora. Isto, na economia do euro, é uma lapalissada rudimentar, mas causou as apoplexias do costume.

 

E o que acrescentou o homem? Que depois de conhecerem as boas práticas dos países de destino poderão voltar à origem e realizar os seus projectos com outra segurança. Isto tem algum mal? Não tem. É o bê-á-bá da autonomia que uma sociedade civilizada deve exigir a maiores de dezoito anos.

 

Infelizmente, os nossos jovens ainda querem esta merda:

 

 

Tretas, corrupção e muita mama. E a mama, por agora, acabou.

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18 comentários

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De Rui Rocha a 31.10.2011 às 14:17

Nem mais, Luís.
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De José António Abreu a 31.10.2011 às 14:41

Eu, para não concordar contigo, concordo com o Rui.
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De Luís M. Jorge a 31.10.2011 às 16:33

Hehe, custa muito, não?
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De Anónimo a 31.10.2011 às 14:46

QUANDO O GOVERNO SO TEM ISSO PARA PROPOR ENTÃO QUE EMIGRE O GOVERNO
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De rita maria a 31.10.2011 às 14:51

Eu também gosto muito de mama pelo que nao quero discordar inteiramente da sua perspectiva, mas por acaso moro num país que está desesperado porque precisa de mais mao de obra qualificada jovem sob pena de o crescimento económico parar e a segurança social ir à falência.

Esse é o problema das declaraçoes do Secretário de Estado: se todos os jovens o levassem a sério, isso às tantas era muito bom para eles. O aborrecido é que era muito mau para o país.
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De Luís M. Jorge a 31.10.2011 às 16:34

Essa mão de obra qualificada deve aproveitar muito ao país tal como está, a coçar o dedão nas esplanadas.
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De rita maria a 31.10.2011 às 16:48

O primeiro país de que eu estava a falar é a Alemanha, onde moro (falha minha, devia ter sido mais clara). Mas nao é o único, a maioria dos países europeus já percebeu que lhes falta gente qualificada e que a segurança social vai à falência se nao entrarem urgentemente pessoas no início da carreira contributiva.

Acho que esta é a questao evidente, da perspectiva do Estado (e especialmente da perspectiva de um Estado que precisa de crescer).

Sobre a quantidade de mao de obra qualificada a coçar o dedao nas esplanadas, nao a conheço e parece-me melhor nao falar de coisas que nao conheço.
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De scriabin a 31.10.2011 às 15:07

Luis M. Jorge, em contrapartida, esse secretário de estado é muito útil. Mantém ou dá emprego a um ou dois motoristas, um chefe de gabinete e três assessores, o que é mais do que o que se pode orgulhar um inútil de um funcionário de guichet num centro de emprego, que se limita a dizer: "Pá, não temos nada para ti. Ouvi dizer que na austrália procuram tratadores de carneiros".
Mas fazem mais o quê na secretaria de estado? colocam no site deles os endereços dos centros de emprego dos outros paises? Ele aprendeu essas "boas práticas" de governação quando esteve emigrado, onde, exactamente? Quero ir para lá.
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De Luís M. Jorge a 31.10.2011 às 16:34

Não me peça para defender o Governo. Tenho os meus limites.
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De scriabin a 31.10.2011 às 17:31

A malta rasgou as vestes porque ficou aborrecida por ter eleito a Lili Caneças para o governo. Acho que é um motivo de aborrecimento legitimo. Por acaso, já há cada vez mais jovens a emigrar e não esperaram pela ordem de marcha da lili e só não emigram mais porque até para emigrar é preciso ter dinheiro para lá aguentar sem dinheiro um tempo, em paises onde não existem meias dozes a cinco euros. E os que cá ficam, estudantes ou não, já enchem os call center a ganhar 200 e 300 aéreos ao mês. E vendedores de rua, sobretudo da meo e da zon, todos as semanas me batem à porta dois ou três. Isso da malandragem e de coçar os to... dedões nas esplanadas, não me parece uma história lá muito bem contada completamente.
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De Luís M. Jorge a 31.10.2011 às 17:50

Tem razão: completamente não é, mas conheço muitos.
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De Monti a 31.10.2011 às 19:23

"Secretário de Estado da Juventude e do Desporto"

Quanto ao emigrar, está a acontecer há muito, logo, Sexa parece ter falado demasiado, do que não sabe.
Dilema do Regime:
Justificar uma Secretaria destas.
a) A Juventude, está e devia estar nas escolas, Ensino e Formação profissional, Desporto amador.
O anterior regime, dispunha de uma boa Organização desportiva na escolas.
b) O chamado desporto que alimenta multidões, devia estar na ASAE.
c) Quanto aos emigrantes portugueses, poderiam ter nas embaixadas portuguesas, uma Secção dedicada na ajuda ao emprego no estrangeiro - MNE.
Logo, uma Secretaria de Estado...a eliminar da orgânica do Governo.
PS: há anos que subindo a Av da Liberdade em Lisboa, me perguntava: Instituto de Apoio à Juventude.
Para quê, para inventar umas iniciativas e actividades com uma finalidade.
Justificar a sua existência, garantir aos partidos no governo, a colocação de alguns dos seus sócios.
Uma ajuda no combate ao desemprego. Pois.
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De Luís M. Jorge a 01.11.2011 às 12:56

Tem toda a razão.
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De Tiago Órfão a 31.10.2011 às 19:50

Para além da infeliz escolha de palavras, este post parece-me mal direccionado e uma péssima defesa das declarações do Secretário de Estado, que de facto, até falou bem.
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De Reflexos a 31.10.2011 às 20:20

Acho bem! E já viram o quanto vão ficar orgulhosos quando virem nas notícias: Português a viver nos EUA ganhou Nobel... ou descobriu cura para... ou fez forttuna a...
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De André Miguel a 01.11.2011 às 12:02

Eu emigrei e senti-me revoltado com as palavras do Secretário de Estado.
É que é lixado (com F) termos que ser reconhecidos lá fora enquanto em Portugal não passamos de "primadonas agastadas".
Quando um gajo sua as estopinhas, trabalha desde os 18 anos e estuda ao mesmo tempo, para ganhar 700 euros, enquando ao emigrar vê os zeros na folha de salário multiplicarem-se, assim como o reconhecimento pelo seu trabalho, desculpe a expressão, mas só pode ficar fodido com o país que o viu nascer! Você tem noção que há jovens emigrantes que aí não passavam de administrativos e lá fora são Directores?!
Definitivamente Portugal é um país para velhos, pois lá diz o ditado que a velhice é um posto.
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De Luís M. Jorge a 01.11.2011 às 12:58

André, porque é que os ingleses, italianos, franceses e australianos emigram? Exactamente para multiplicarem as suas folhas d salários. Porque é que isto há-de revoltar alguém, a menos que esteja viciado na lógica de uma economia fechada? Há quantos anos fazemos parte da união europeia?
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De Sara a 01.11.2011 às 19:07

"inúteis", "adultos indolentes e primadonas agastadas", "Essa mão de obra qualificada deve aproveitar muito ao país tal como está, a coçar o dedão nas esplanadas".

Muito bem. Pensei que este tipo de asneirada só se dissesse nos jardins públicos, onde os idosos jogam ao dominó e opinam sobre o que sabem e o que não sabem, e onde falar mal da juventude é uma espécie de código de aceitação no grupo. Enganei-me. Também se exibe ignorância num blogue de qualidade. Mas o título não engana, é um post realmente sem qualquer tipo de filtragem... A todos os níveis.

De qualquer maneira, esta será, até agora, a melhor (única?) medida de combate ao desemprego tomada por este governo. Pode ser que se saírem todos a taxa de desemprego seja nula... Brilhante.

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