Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Subsídios e outros quejandos

por Ana Margarida Craveiro, em 24.10.11

A propósito das subvenções e subsídios dos políticos, tenho lido por aí muita coisa. Dos discursos mais radicais do "eles são todos uns ladrões" ao "isso é subjugar a lei à ditadura do vox populi", passando pelo mais sensato "a política tem de ser recompensada, senão os bons fogem", já ouvi um pouco de tudo. Parece que agora até Aguiar Branco recusou o subsídio de alojamento, apesar de não ter casa em Lisboa. O ordenado que aufere permite-lhe arrendar uma casa, e portanto prescinde dessa ajuda. De todos os casos mencionados, tanto em relação à subvenção vitalícia como aos subsídios de alojamento, ninguém estava em violação da lei. Políticos e ex-políticos usufruíam de uma benesse permitida por lei. A benesse tem por justificação o reconhecimento da importância dos serviços ao Estado, sem que o político em questão saia prejudicado.

Como estamos cansados de saber, os tempos mudaram. Se antes o dinheiro parecia esticar, e o Orçamento do Estado chegava a todo o lado, agora temos uma peça de roupa tamanho S a ser desfeita por um corpo XXL. Os contribuintes sentem isso diariamente, e os beneficiários do sistema social também. Todos sofrem. Apesar dos cortes salariais que sofreu, a classe política ainda vive bastante acima do português médio. É natural e desejável que assim seja, por uma questão de independência. Mas é em tempos destes que a legitimidade é testada no terreno, e não chega a justificação de que a lei permite. É que, meus amigos, a lei também permitia um 13.º e um 14.º mês de salários, e esses já foram cortados. Os políticos têm a obrigação de dar o exemplo, bem para além da legalidade, para evitar perder a legitimidade. E não, isto não é uma demagogia, ou populismo do pior. É a simples constatação de que fica mal usufruir dessas benesses ao mesmo tempo que fazem cortes a quem ganha 600 ou 700 euros por mês. E, já dizia o provérbio, à mulher de César não basta ser séria, é preciso parecê-lo. O carácter, a idoneidade moral e a noção de justiça provam-se nestes tempos. Felizmente, ainda há quem esteja a passar com distinção o desafio (ao contrário de outros).

Autoria e outros dados (tags, etc)


8 comentários

Sem imagem de perfil

De singularis alentejanus a 24.10.2011 às 15:10

Já que falamos de provérbios, que tal este: quem parte e reparte, e não fica com a melhor parte, ou é doido ou não tem arte.
Qum partiu e repartiu não foram esses senhores?
Sem imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 24.10.2011 às 15:26

Ana Margarida,

Convém não confundir Aguiar-Branco com Miguel Macedo. A não ser que consideres natural ter casa própria e receber subsídio.
O normal teria sido que Macedo e todos os que têm casa própria na capital, não necessitando do subsídio para arranjarem um alojamento condigno, tivessem voluntariamente abdicado dele sem terem de ficar à espera das notícias dos jornais ou do eco destas na opinião pública.
Igual questão já se colocou em relação aos magistrados e que fez então o Governo?
Esta é uma boa oportunidade para o Governo tomar a iniciativa de corrigir a legislação de maneira a que só beneficiem da subvenção aqueles que efectivamente necessitam dela.

P.S. A subvenção não foi criada para que os que têm casa própria aumentem o seu pecúlio mensal, pelo que o normal seria que Miguel Macedo e José Cesário não só abdicassem do que a esse título recebiam como também que devolvessem ao erário o que receberam sem terem necessidade. Dizer que abdicam para não alimentar polémicas parece-me, para não dizer intelectualmente desonesto, pelo menos bizarro.
Imagem de perfil

De Ana Margarida Craveiro a 24.10.2011 às 16:30

Sérgio, julgava que tinha sido explícita. Na frase onde refiro Aguiar Branco, digo explicitamente que não tem casa em Lisboa. Logo, o caso nunca seria igual.
Sem imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 24.10.2011 às 17:23

Ana Margarida,

Fiquei com dúvidas, mas peço-te desculpa, seguramente que foi erro meu de interpretação.
Ainda bem que também não consideras as situações iguais. Obrigado pela clarificação.
Sem imagem de perfil

De Arame Farpado a 24.10.2011 às 16:49

Poupem-me à propaganda barata do governo.
O que faz falta é acabar com esta lei idiota e não arranjar forma de dar a volta a questão e tentar fazer de Aguiar Branco um mártir. Haja decência.
Ou se preferirem aplique-se a lei aos restantes funcionários públicos. Um professor que tiver que ir dar aulas a 300km ou mais de sua casa e de sua família, recebe algum subsídio?
Ai tanta hipocrisia...
Isto já me faz lembrar o governo do Santana. Oxalá tenha o mesmo fim.

Cumprimentos.
Sem imagem de perfil

De Torcato Guimaraes a 24.10.2011 às 17:47

Sinceramente considero uma tiririquice.

Num Estado de Direito, é a lei que impera.

Decisões de carácter pessoal são irrelevantes. E nem aquecem nem arrefecem.

Querendo, sendo vontade própria faça-se nova lei, e consagre-se excepções como o caso de o sujeito beneficiário viver a 10 kms.

Transtornado fico é com políticos que actuam à sobra da ventania que corre...
Sem imagem de perfil

De io a 24.10.2011 às 18:32

Estou absolutamente contra às pensões vitalícias.. Estou absolutamente contra o corte de subsidios de Férias e 13º mês, especialmente no caso de reformados e pensionistas que cumpriram a sua parte (descontos) no contrato que tinham com o Estado. Mas também e pelas mesmas razões sou contra o corte das referidas pensões "vitalÍcias " . Porque estou contra a leis com efeito rectoactivo , feitas à medida e de acordo com a "excitação" e as pressões do momento. Se não podemos confiar nas LEIS que raio de "estado" somos? Se as leis não servem...mudam-se. NÃO SE ANULAM ! Bem sei que é preciso dinheiro...mas essa necessidade não pode justificar a abolição do Estado de Direito. A seguir vem o PC e nacionaliza...Porque não'...é uma necessidade! Ou vêm outros e privatizam o que lhes aprover .. A confirmar-se o SAQUE aos reformados e pensionistas os " vitalícios " deviam sofrer cortes correspondentes e deviam ter vergonha muita vergonha!
Sem imagem de perfil

De Carlos Cunha a 24.10.2011 às 21:01

o aguiar tracinho branco é o maior abusador dos subsídios de residência.
como ministro da defesa, tem residência oficial, a qual, aliás, "não tenciona utilizar".
http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/ministro-da-defesa-decide-renunciar-ao-subsidio-de-alojamento-1517969.
pensaria a postadora que se tratava de solidariedade para com os outros abdicantes?por amor de deus.

Comentar post





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D