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As consequências do populismo.

por Luís Menezes Leitão, em 24.10.11

 

O Governo efectuou um ataque brutal aos funcionários públicos quando lhes retirou os dois subsídios a que legitimamente têm direito, não conseguindo apresentar qualquer justificação convincente para uma medida tão discriminatória, a não ser a afirmação populista de que os funcionários públicos são uns privilegiados. Ora, quem entra nesse tipo de discurso populista costuma provar do seu próprio remédio. Imediatamente começaram a surgir acusações de benefícios injustificados dos políticos. O Governo viu-se obrigado a cortar nas pensões dos políticos, que não têm qualquer subsídio, e agora até vários governantes se viram constrangidos a abdicar dos seus subsídios de residência. 

Entrou-se por um caminho muito perigoso. Agora a opinião pública vai exigir que sejam os governantes a dar o maior exemplo de sacrifícios. Já se ouvem vozes a exigir que os políticos passem a ganhar o salário mínimo. Com esta escalada no populismo dificilmente alguém estará disposto a abdicar de uma carreira no sector privado para assumir funções governativas. Fica assim demonstrado o enorme erro que foi este ataque do Governo aos funcionários públicos. Ao contrário do que parece julgar o Ministro das Finanças, um orçamento de Estado não é um exercício contabilístico, tendo que assentar em soluções de equidade. Sem uma justa distribuição dos sacrifícios, as políticas de austeridade serão consideradas ilegítimas pelos que são por ela afectados. Ninguém quer servir de bode expiatório em relação a culpas alheias.

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7 comentários

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De Luís Reis Figueira a 24.10.2011 às 13:25

Parece-me que bateu no ponto certo e estou inteiramente de acordo com o seu ponto de vista.
Esta divisão perfeitamente artificial, orquestrada pelo actual governo, entre privados e públicos, entre os «bons e os maus», foi perfeitamente (mal) calculada e intencional, já fez correr muita tinta e fará ainda correr muita mais. Pior do que isso, abriu um fosso longitudinal e profundo entre dois enormes sectores da sociedade portuguesa, suscitando rancores, criando invejas, levantando ódios que seriam de todo de evitar no actual momento de crise em que todos somos poucos para a combater.
Tal como refere, parece que os autores desta manobra mal arquitectada, já começam a "provar do próprio remédio". E que não restem dúvidas a ninguém que, independentemente da reparação ou não da injustiça anunciada, todos, mas mesmo todos, vamos pagar de um modo ou de outro a factura que agora nos foi apresentada.

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De a.m. a 24.10.2011 às 14:05

Só li ainda a primeira linha: retirou?
Retirou?
Tem a certeza?
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De Leonor Barros a 24.10.2011 às 14:28

Isso mesmo, Luís.
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De Rui Rocha a 24.10.2011 às 14:53

Um país "em que a opinião pública vai exigir que sejam os governantes a dar o maior exemplo de sacrifícios"? Em que os subsídios de alojamento não são pagos aos governantes que não têm acréscimo de despesas? Em que as subvenções são pagas apenas aos que não conseguiram colocação no público ou no privado? Isto é, apenas quando se justifica a sua atribuição, impedindo a acumulação? Em que o Estado, por uma vez, não resolve o desequilíbrio da estrutura remuneratória do seu quadro cobrindo a totalidade do défice com crédito e ainda mais impostos? Sim, onde é que tudo isto vai parar?
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De IsabelPS a 24.10.2011 às 17:06

Sim, onde é que isto vai parar?

Quem sabe a Inglaterra, onde houve deputados obrigados pela opinião pública (acicatada por uns bufos que passaram informações à imprensa) a pagar do seu bolso (do seu bolso, imagine-se!) a limpeza do fosso do seu castelo!
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De singularis alentejanus a 24.10.2011 às 15:19

O pR (presidente com p pequeno) já falou de equidade e igualdade, e se pusessemos os funcionários públicos a trabalhar o mínimo de 40 horas semanais?
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De rosa a 24.10.2011 às 23:44

E se pussesemos o Estado (que somos todos) a pagar aos seus funcionários, as horas extas que aqueles fazem? Parece que até na China as pessoas têm 1 retribuição pelo seu trabalho!
Irra D. Leonor, que isto irrita mesmo!

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