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Para quem gosta de comparações

por Rui Rocha, em 18.10.11

Os acontecimentos recentes reacenderam o interesse sobre uma actividade que tem andado mais ou menos esquecida: a da comparação entre os salários do sector público e os do sector privado. O único estudo minimamente credível que conheço é o Wages and Incentives in The Portuguese Public Sector.  Vale a pena dar uma vista de olhos às suas conclusões. Em todo o caso, de acordo com as circunstâncias e os interesses, concluir-se-á sempre que se pretende comparar o incomparável. O perfil do quadro de pessoal de um lado e do outro é completamente diferente. Os esquemas de benefícios complementares apresentam grande diversidade (protecção na doença, política de atribuição de viaturas, esquema de cálculo de pensões, etc). E como medir, na verdade, dimensões que são praticamente intangíveis... Quanto vale a progressão de carreira que, provavelmente, será mais rápida no privado? E a garantia de emprego que será, tudo indica, mais fiável no público? Em todo o caso, para quem quiser persisitir neste caminho de descoberta, convém partir de um conceito de compensação total (valor global do salário e dos benefícios - se possível, com quantificação dos mais ou menos tangíveis). E o ponto de chegada deverá ser a remuneração total/hora. Tendo em conta que:

 

- período normal de trabalho na Adm. Pública: 35h00/semana;

- período normal de trabalho no sector privado: 42h30/semana (se bem percebi o que se pretende no OE 2012)

 

Para este efeito, penso que se poderá prescindir de considerar as já clássicas tolerâncias de ponto da função pública porque quero crer que estas estarão em vias de extinção.

 

 

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6 comentários

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De Vitor Pissarro a 18.10.2011 às 13:01

http://adoromoraremcascais.blogspot.com/2011/10/portuguese-budget-for-2012-we-are-aware.html

Onde está o "comandante " que motiva o país, de forma a ultrapassar esta crise?
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De Rui Rocha a 18.10.2011 às 13:04

Vítor, não tenha a certeza. Mas, consta que o Ricardo Salgado está ocupado a definir os termos da reestruturação da Banca.
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De Vitor Correia de Azevedo a 18.10.2011 às 14:11

Gostei do seu comentário ( ou da sua ironia). Realmente não está ao comando do país quem pensamos que deveria estar ( ou seja, o Primeiro-Ministro). Talvez por isso, as medidas são todas orientadas para as finanças e nada relativamente ao apoio ao crescimento da economia. Só nos resta rezar!
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De Rui Rocha a 18.10.2011 às 14:30

Talvez ainda escreva sobre o orçamento e o crescimento da economia, Vítor. Quanto a rezar, dá-me ideia que os deuses devem andar muito ocupados com outras coisas.
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De Carlos Cunha a 18.10.2011 às 14:22

achei curioso que tenha apresentado a versão em inglês do estudo. existe em português :
"SALÁRIOS E INCENTIVOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM PORTUGAL"

http://www.bportugal.pt/pt-PT/BdP%20Publicaes%20de%20Investigao/AB200906_p.pdf

mais curioso achei que tenha mencionado ser o único estudo credível que conhece sobre o assunto, sem explicar porquê. porque será o único que conhece?
porque não existem outros?
(não me pergunte, que não conheço nenhum. nem este que agora menciona).
numa sociedade "transparente" o pm já teria informado a opinião pública, directa ou indirectamente, das fontes onde se baseou para fazer a comparação que fez, entre a média dos salários da função pública e privados.
mas a verdade é que o pm fez essa declaração numa reunião "partidária", não a deu aos cidadãos, o que faz uma grande diferença, numa sociedade transparente.

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De Rui Rocha a 18.10.2011 às 14:42

Carlos,

linkei aquele que tinha nos meus arquivos. Creio que a versão em inglês não deve ter números diferentes dos que são apresentados em português. Em todo o caso, obrigado pela partilha. Tanto quanto sei, a matéria está pouco estudada. E devia estar mais. Creio mesmo que não existe nenhum estudo mais recente e um ou outro muito mais antigo. Foi objecto de crítica por Eugénio Rosa. Com argumentos tão reversíveis como aqueles que constam do próprio estudo e que procurei demonstrar no post (a comparação é praticamente impossível). Em todo o caso, e como tendência, diria que os funcionárîos públicos terão ainda "um prémio" se tivermos em conta a remuneração/hora. E, facto objectivo, trabalharão menos cerca de dois meses por ano. Imagino que o PM se referiria ao estudo a que nos referimos uma vez que não há outro (que eu conheça). O estudo está disponível para o público para discussão e contraditório.

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