«O procurador-geral da República deu ordens para que toda e qualquer diligência de investigação criminal que envolva um político lhe deva ser comunicada pelos procuradores antes de ser executada. Invoca várias razões mas, sobretudo, motivos de "protocolo" e de "cortesia", até pelas muitas queixas já recebidas de ilustres eleitos incomodados com a acção do Ministério Público. Não podia haver expressão mais esplendorosa do miserável Portugal do respeitinho. A partir de agora a mensagem é clara para todo o Ministério Público: Não incomodem os senhores políticos. Desde logo, se não quiserem levar processos disciplinares. Pactuar com isto é regressar ao bafio salazarista do Estado Novo.»
Eduardo Dâmaso, no Correio da Manhã
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