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O serviço público

por João Campos, em 16.10.11

Há duas noites, a RTP mandou uma jornalista encher chouriços num directo na rua onde vive o fugitivo americano que agora se encontra por cá em prisão domiciliária. Nada justificaria aquele directo - se a insólita história de George Wright é certamente notícia, nem a chegada do homem a casa seria motivo para um directo num canal de televisão sério, quanto mais uma rua vazia onde o máximo que a jornalista poderia dizer é "por trás de mim fica a casa onde o norte-americano vai ficar em prisão domiciliária". O que, convenhamos, é conteúdo de rodapé.

Logo de seguida, o noticiário da RTP passa para uma história passada no hospital, se não me engano, do Barreiro: uma senhora foi visitar o marido, que lá estava internado, e ao abeirar-se da cama reparou que ele estava morto. Entrevista na hora, com a viúva lavada em lágrimas. 

Estas duas notícias seguidas fizeram-me pensar que estava a assistir ao noticiário da TVI, e do período mais yellow da TVI. Mas não: a televisão estava mesmo sintonizada na RTP, no canal público, pago a peso de ouro por todos nós, que manda jornalistas encher chouriços para uma rua vazia à hora do jantar pelo mesmo motivo e faz entrevistas absolutamente sensacionalistas que não acrescentam nada à informação dada. A RTP faz isto apenas e só por um motivo: porque pode. Numa altura em que as inevitáveis medidas de austeridade tornam a vida de muitos portugueses extremamente complicada, nada - nada - pode justificar a manutenção de um canal público cuja programação é indistinguível da programação das emissoras privadas, e que nem acrescenta qualquer valor em termos informativos.

Se a programação da RTP 1 é serviço público - com conteúdos noticiosos sofríveis, concursos de qualidade duvidosa, "ficção nacional", tertúlias da manhã e da tarde insípidas, novelas brasileiras, filmes repetidos e futebol - então o "serviço público" já está mais do que assegurado pela SIC e pela TVI. Privatize-se, pois, o primeiro canal, e imediatamente, que já vamos tarde.

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3 comentários

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De João Carvalho a 16.10.2011 às 19:14

Muito bem.
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De João Campos a 16.10.2011 às 19:29

Ao menos o segundo canal tem uma programação variada - séries, documentários, programas de humor, programas culturais variados, talk shows, desenhos animados - que se pode entender como um serviço público (se o Estado deve ou não ter um canal televisivo, é outra conversa). A RTP1, como está, é uma imitação grotesca e muito cara dos canais privados de sinal aberto.
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De sampy a 16.10.2011 às 22:27

Manifesto a minha indignação por esta forma de tratar os funcionários públicos (da RTP). Ainda mais intolerável me parece sabendo que alguns deles são professores. Como disse alguém muito sábio, "um ataque contra os professores é um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro".

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