A avaliação das marchas dos indignados em Portugal fica condicionada pela comparação com os protestos de 12 de Março. Menos manifestantes num contexto social e economicamente mais degradado do que o de então permitem a conclusão de que se tratou de um relativo fracasso. Por outro lado, não faltarão as críticas relativas à falta de consistência da manifestação. Que objectivos, alternativas e caminhos têm os manifestantes para propor? Para além disso, confundir-se-á ainda a mensagem com o mensageiro: o Zé que nunca fez nada, o Alfredo que acredita que a violência é solução, os entusiasmadinhos da democracia directa (a deles) e tantos outros cromos e pintas também por lá andaram. Criticar-se-ão, ainda, todos os actos violentos e as faltas de respeito, o lixo e o despeito. Mas, para lá de tudo isso, das comparações, dos mensageiros, dos propósitos e do contexto, sobra uma mensagem que é impossível ignorar. A de que paira sobre nós um nevoeiro de injustiça, de desequilíbrio, de distribuição enviesada que não pode deixar-nos indiferentes. E, se os motivos, os percursos e as soluções não são consensuais ou mesmo aceitáveis, fica, apesar de tudo, um sentimento de indignação que merece ser partilhado e que tem muito mais adesão do que aquela que hoje foi visível nas nossas ruas.
Sem dúvida.
Indignam-se, agora!
Só agora, está quase pronto o ensopado!
Agarram-se à pele e choram o cordeiro, a pensar num casaco que o frio não tarda.
O lugar na mesa está marcado com a mala feita em Marrocos, cópia duma francesa.
Indignam-se agora, que a crise começou na Sexta-feira passava pouca coisa das oito.
O povo é quem mais ordena e é assim que ordena, em expressão plástica e teatrinhos de rua!
E a culpa é de todos nós...
Patetas.
De
Rui Rocha a 16 de Outubro de 2011 às 11:05
Os patetas também têm coração, José.
De AEfetivamente a 16 de Outubro de 2011 às 10:31
Eu tb estou indignada, sim. Sou professora do ensino secundário e pago sempre a fatura. Mas não fui a manif nenhuma, talvez por não me identificar com o estilo...talvez. De qualquer forma há que ler estas manifs (inclusivé a nivel mundial) como um sinal importante do descontentamento geral que cresce por razões mais que óbvias. Vamos ver...no que vai dar isto tudo.
De
Rui Rocha a 16 de Outubro de 2011 às 11:06
Pois, é isso mesmo Aefetivamente.
De Luís Reis Figueira a 16 de Outubro de 2011 às 12:42
Eu estou indignado, ou melhor, eu estou duplamente indignado. Por um lado, por assistir diariamente às condições de miséria e de autêntica escravização humana que, constantemente, nos estão a querer impor. Por outro, por ver a imensa lata, desfaçatez e desvergonha com que os nossos actuais “governantes” (à semelhança do que se passa um pouco com outros de todo o mundo, diga-se de resto,) nos querem impingir a grande mentira, o grande embuste do “défice”, da “crise”, dos “mercados” e de todas essas tretas que eles tão bem sabem papaguear a toda a hora desde há anos, querendo-nos fazer crer que não existe outro caminho que não seja o de fazer pagar - de uma maneira brutal e discriminatória – ressalte-se, com juros e alcavalas de toda a ordem, quem trabalha honestamente e apenas vive do seu salário e se vê agora obrigado a pagar a factura de uma crise que não provocou. A já velha, - clássica, mesmo,- “Os ricos que paguem a crise” era, até há pouco tempo, uma das palavras de ordem que trazia consigo a esperança de que algo iria ser feito no sentido de repor alguma justiça em todo este processo caótico que está instalado globalmente. Warren Buffet deu o lamiré, alguns leram e tocaram a partitura mas, no nosso pequeno jardim à beira-mar plantado, a tirada mais sonante e propalada que se ouviu, vinda da boca do homem mais rico destas paragens foi: - “eu não me considero rico, eu sou um trabalhador”. Brilhante, não é?
Por outro lado, é confrangedor assistirmos à maneira simplista (simplória, até,) pouco elaborada, querendo fazer-nos passar por imbecis, com que o nosso actual PM apresenta a justificação de algumas das medidas injustas e absolutamente discriminatórias tomadas pelo governo a que preside. Ontem, a tentar justificar o injustificável, soltou esta “pérola”: «…A justificação para o governo ter optado por proceder ao corte dos subsídios do Natal e de férias durante 2012 e 2013 (e o que mais se verá, aparte meu,) apenas dos funcionários da administração pública e das empresas públicas e não dos trabalhadores do sector privado, deve-se ao facto de estes encargos serem da responsabilidade do Estado e, no caso dos segundos, serem um encargo das empresas, o que não iria resolver qualquer problema do défice. Por outro lado, verifica-se que os vencimentos no sector público são em média 10 a 15% mais elevados do que no privado...» Serão mesmo? Ora, Senhor PM, embora nunca tenha acreditado em si, sempre o julguei pelo menos capaz de fazer e de dizer algo um pouquinho melhor do que isto.
Passo então a explicar: o corte anunciado dos subsídios dos funcionários públicos é, nada mais, nada menos, do que um imposto puro e simples, certo? Um corte com as mesmíssimas dimensões e limites (e é isso apenas e tão-só que é exigível, em nome da equidade) no sector privado, não seria, como é óbvio, e ao contrário daquilo que V. Exa. pareceu querer sugerir, um bónus às empresas para deixarem de pagar esses montantes, embolsando-os nos seus cofres. Nada disso, como é evidente. As empresas teriam, isso sim, era de entregar ao Estado essas quantias, contribuindo assim desta forma também o sector privado para o pagamento da “tal” dívida da qual, sem excepção, todos seremos (supostamente, pelo menos,) responsáveis. Se isto fosse feito (como estou certo, será), talvez em vez de se sacrificarem mais uma vez durante 2 anos consecutivos os mesmos de sempre, os “suspeitos do costume”, fosse apenas necessário sacrificar durante apenas 1 todos os trabalhadores - públicos e privados - em plena igualdade de circunstâncias, que é como deve ser.
Vá lá, Senhor PM, perca de uma vez por todas esse autêntico “pavor” que tem em tocar nos privados, essa postura perfeitamente rígida e reverencial e em nome de uma verdadeira igualdade e justiça, comece a tratar os portugueses todos por igual, que não faz mais do que a sua obrigação.
De
Rui Rocha a 18 de Outubro de 2011 às 00:13
Luís, percebo a sua indignação. Mas, não partilho as suas soluções, como já tive oportunidade de referir noutros posts que aqui fui escrevendo por estes dias.
De lucklucky a 16 de Outubro de 2011 às 18:05
Que confusão...Luís Reis Figueira
Caso não tenha notado o Estado teve no primeiro semestre 8,3% de défice em relação ao PIB ou seja o Estado pediu emprestado 16,6% do que gastou.
Se é funcionário publico 16,6% do seu ordenado foi pedido aos mercados.
Uma vez que o Orçamento é metade do PIB.
Ou seja isto que diz: "pagamento da “tal” dívida"
É uma falsidade.
Não há pagamento de dívida nenhuma.
Há mais dívida só que cresce a menos velocidade.
Começaremos a pagar a dívida quando tivermos défice zero.
4,5% de défice é o previsto após estas medidas...
De
Rui Rocha a 18 de Outubro de 2011 às 00:13
Pois é.
Citado aqui:
Portugal: 15 de Outubro em Vídeos e Imagens dos Indignados
http://pt.globalvoicesonline.org/2011/10/17/portugal-15opt-fotos-videos/
De
Rui Rocha a 18 de Outubro de 2011 às 00:14
Obrigado pelo destaque, Sara.
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