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Os enteados da Nação

por Laura Ramos, em 14.10.11

 

Na verdade, ninguém está verdadeiramente interessado em saber porque é que os funcionários públicos são tidos pelo que são.

Se estivermos em dia sim e tomados de complacência, vemo-los como uns pobres diabos.

São aqueles cromos queirosianos de sempre, alheados de qualquer chama, brio ou ambição. Uns mangas-de-alpaca empedernidos e previsíveis, tecnicamente desclassificados e com cara de fraco ordenado (que em absoluto merecem).

Mas se estivermos em dia não e tomados pelos azeites, o julgamento enfurece-se e vemo-los com as cores fortes de uma caricatura de Bordalo.

São os agentes do atraso nacional; a corja de incompetentes do costume; os oportunistas com ideário de pacotilha; os abusadores do erário público, bafejados pela sorte imerecida de um dolce far niente que o tesouro nacional sustenta.

 

É uma vexata quaestio que reproduz o timbre das nossas relações com o Estado, enquanto cidadãos.

Mas o facto é que quem por lá está- ou esteve - sabe bem como as coisas são na realidade.

Um universo laboral igual a muitos outros, onde coexistem bons e maus profissionais; possuídos de espírito de missão ou de puro mercenariado; gente brilhante ou de uma limitação confrangedora; homens e mulheres sérios e 'menos sérios'.

E quem por lá está sabe também que isto acontece a qualquer nível.

Quer quanto aos trabalhadores do fundo da pirâmide, quer quanto aos directores e sub-directores gerais nomeados pelos governos. Porque se estes lá calharam muitas vezes pelos melhores motivos (a competência técnica) não se livram de ombrear com criaturas incapazes e oportunistas.

 

Cá de fora, vislumbramos sempre a sombra do pecado evidente, os sinais de parasitismo, as garantias especiais (na verdade, lendárias, na pura acepção da palavra).

Presos destes atavismos pré-democráticos, se não conhecemos a realidade, como poderemos sequer apreciá-la?
E perceber os seus efeitos benéficos (ou os seus fundamentos)?

 

Há uma falta de cultura gritante nesta reprovação social: entendem isto?

Tão confragedora que nem permite alcançar o quanto se reflecte negativamente sobre os todos os cidadãos em geral, e não só sobre os membros da dita classe maldita.

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22 comentários

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De lucklucky a 14.10.2011 às 14:18

Porque é que os Funcionários Públicos não querem concorrência?
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De Laura Ramos a 15.10.2011 às 11:37

O acesso aos cargos da administração pública é livre e universal. Concorra, lucky!
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De Anónimo a 24.10.2011 às 10:38

Será mesmo?
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De Sei quem ele é... a 14.10.2011 às 14:29

Apetece-me, e como dizem os brasileiros, "parabenizá-la" pelo texto enxuto e oportuno. No more, no less...
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De Laura Ramos a 15.10.2011 às 12:29

Sei quem ele é - que não sei quem é... - muito obrigada.
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De Zélia Parreira a 14.10.2011 às 15:59

Sou funcionária pública desde os 17 anos, tenho agora 41. No próximo ano completarei 25 anos de serviço público. Desde o meu primeiro dia de trabalho procurei sempre dar o meu melhor.

Foi o meu salário de funcionária pública que me permitiu pagar os estudos, frequentar a universidade, tirar a licenciatura, a pós-graduação, iniciar o mestrado e agora o doutoramento que tenho de repensar porque provavelmente não vou conseguir pagar as propinas.

Tenho 3 filhos, com os quais vivo sozinha. Na minha casa só entra um ordenado, que é o meu. É pouco mais de mil euros, por isso tenho vindo a ser roubada ininterruptamente desde há alguns anos. A expressão "incentivos a famílias numerosas" tem a vaga conotação de piada de mau gosto. Até agora ainda tinha direito ao abono de família (caramba, sou mesmo pobre!!!), mas esse privilégio extraordinário deve estar a acabar.

A minha casa é só parcialmente minha. A esta altura devo ser a feliz proprietária da entrada, do corredor e talvez do quarto da minha filha mais velha. O resto ainda é do Banco. Quando pensava que ia começar a ser dona dos degraus das escadas, um a um, vejo-me confrontada com a hipótese de vir a perder os metros quadrados que já conquistei.

Em 10 anos, fui 4 vezes de férias. Normalmente, gasto esses dias a dar formação especializada proporcionada pelos meus conhecimentos académicos e enriquecida pela experiência do trabalho que desenvolvi ao longo destes 25 anos. É esse rendimento extra que me permite enfrentar batalhas como a do início do ano escolar ou das mudanças de estação.

No país dos funcionários públicos que ouvimos descrever nos meios de comunicação social, já estaria no topo da carreira. Não se iludam. Em 14 posições, estou na 5ª, e preciso de trabalhar talvez mais 100 anos para conseguir chegar ao topo.

Nos últimos 5 anos obtive a classificação de Muito Bom, mas este ano nem sequer vou ter avaliação, porque não me chegaram a ser atribuídos objectivos. Não me fez grande diferença, porque há um objectivo que me norteia desde miúda: dar o meu melhor todos os dias. E é isso que continuo a fazer, mesmo hoje, em que vejo os meus direitos serem roubados desta maneira. Mesmo hoje, quando vejo que, 25 anos e muito trabalho depois, provavelmente nem vou conseguir suportar as despesas inerentes a ter filhos na universidade e vou ter de engolir em seco milhões de vezes para arranjar coragem de lhes pedir que consigam o milagre de arranjar um trabalho para poderem estudar,como eu fiz. Só que eu fi-lo na convicção de que estava a lutar para poder dar um futuro melhor aos meus filhos, como o meu pai, que só tirou a 4ª classe mas é o homem mais íntegro que eu conheço, fez comigo. E agora, sou obrigada a reconhecer que não consegui.

Sou funcionária pública, não consigo fugir aos impostos nem às deduções, nem a nada. Sou funcionária pública e trabalho para o meu país, para a minha comunidade, imbuída dum espírito de missão que só quem o tem pode compreender.

Não me interpretem mal, mas não se atrevam a ter pena de mim. Sou uma pessoa muito forte. Tão forte que, mesmo sendo funcionária pública em Portugal, estou decidida a sobreviver.
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De cenas underground a 14.10.2011 às 17:38

Pois bem, eu também sou um "funcionário publico", nome que já de si indicia uma leve inclinação para o "não faço nada de especial", pois "os outros" não são "funcionários privados", têm profissões: São professores, advogados, lojistas, recepcionistas, sapateiros, operários fabris.
Os funcionários públicos não. São funcionários públicos, e basta.

Sou administrativo. Sou daqui das pessoas mais bem formadas (tirando o director de serviço e mais duas ou três pessoas). Ao dizer isto, não quer dizer que seja alguma coisa de especial, simplesmente tirei um curso superior, sei trabalhar bem com o excel, e falar/escrever inglês...

Ouço, diariamente, toda a gente que aqui trabalha queixar-se de que "não há condições", que "nem dá vontade de vir trabalhar", que "o salário é miserável".

Nunca ninguém lhes disse, mas provavelmente, se saíssem da função pública, nunca mais iriam encontrar um trabalho com tão boas condições, e tão bem pago, como este, para o que eles sabem fazer.

Eu que, depois da licenciatura, tive de trabalhar em shoppings, e em trabalhecos a recibos verdes. Para mim, isto é um emprego de sonho! E é o emprego mais bem remunerado que tive! (700 e picos euros).
Dos meus amigos de faculdade, eu sou dos que melhor está na vida (!!)

As condições são fabulosas. Tudo novo, tudo conforme a lei. Quero tirar férias, tiro, quando quero (e não quando a empresa fecha para férias). Pontes nos feriados (e ainda ouvi malta a reclamar do dia 23/12/2010 ter de vir trabalhar). Se quiser ir tirar um mestrado/doutoramento, até pode ser que tenha direito a redução de horário para estudar e ir aos exames (tente fazer isso no privado). Saio a horas (esta é o mais espectacular... chega a hora os telefones deixam de tocar, o chefe também vai embora, fica tudo vazio...). Quando trabalhava no privado.. o dia acabava quando o trabalho acabava... raras vezes saí a horas. Caramba, até no shopping, era pago até à hora de fecho da loja, e depois tinha de ficar lá a arrumar a loja.

Obviamente somos todos iguais, mas uns mais iguais que outros. Falo dos outros, dos "25 anos de serviço", que para os despedir só se for por serem apanhados a traficar cocaína dentro do serviço. Desses, que não trabalham 40 horas por semana, mas sim 35. Desses que têm mais um dia de férias quando chegam a determinada idade, e mais outro, quando chegam ainda mais longe.
Para esses a avaliação é apenas uma reunião onde se tem de parecer que se dá algum valor aquilo.
As metas dos meus objectivos, numéricos, foram o triplo dos objectivos da pessoa que ocupava este posto, no ano anterior, e que nunca os cumpriu (para quê?). E eu acho que vou conseguir chegar lá, estando aqui há nem um ano.

Provavelmente perderei o emprego dentro em breve, pois o funcionário publico que eu vim substituir deve voltar da sua comissão de serviço (outra coisa espectacular, quando não se gosta do trabalho, pode-se ir saltando de um lado para o outro, sempre na teta do nosso grande patrão, o Estado). "Lá fora", quando se quer trocar de emprego, arrisca-se. Aqui não. Até um chefe que faça 30 por uma linha, na pior das hipóteses, perde o seu posto de chefe, voltando ao posto inicial.


Vocês, não fazem a mínima ideia do que é, viver com o coração nas mãos de um dia, na ansiedade de um dia, de um momento para o outro, vindo não se sabe de onde, ficar sem emprego.

Em cima disso, também não fazem a mínima ideia do quão competitivo, para não dizer cruel e injusto, está o mercado de trabalho. E de como na função pública, só o facto de se cumprir as leis, e os horários de trabalho já é uma coisa incrível!

Por isso "sobreviver", "sacrifícios" são palavras quase profanas quando saídas da boca de um funcionário público.
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De Zélia Parreira a 14.10.2011 às 18:44

Meu caro
Quase não vale a pena comentar o seu texto, porque ele fala expressivamente por si.
No entanto sempre lhe digo que se me quiser julgar, primeiro tem de vir trabalhar comigo. Mas trabalhar mesmo comigo, o mesmo número de horas, o mesmo tipo de tarefas, as mesmas responsabilidades e as mesmas preocupações. Depois fala, ok? É que como você diz, somos todos iguais, mas uns mais iguais do que outros. E é por isso que o rótulo de funcionário público, como diria o outro, a mim não me assiste. Foi o que tentei explicar no comentário que pelos vistos não percebeu.
Ah, já agora, 700 e tal euros só para si? O seu rendimento per capita é o dobro do meu...
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De Laura Ramos a 15.10.2011 às 12:58

Coitado de si, cenas. Eu a si não saía do underground: só assim pode ter sobrevivido, sem darem por si.
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De Isabel T. a 14.10.2011 às 17:53

É de mais pessoas como a Zélia que este pais precisa.
Parabéns Zélia .
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De Laura Ramos a 15.10.2011 às 12:44

Zélia: grande mulher. Compreendo o seu testemunho e acredito, sem hesitação, no seu espírito de missão. Não me espanta: ainda há muita gente assim na administração pública e esse deveria ser o padrão. 'Shake hands'.
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De Laura Ramos a 15.10.2011 às 23:34

Zélia: já sei que é de Moura. Lá vai Serpa, lá vai Moura...;) Conheço muito bem o distrito de Beja, onde durante muitos anos me desloquei em trabalho regularmente. Avalio bem as suas palavras, vividas nessas paragens onde não há sequer alternativas ao serviço público quando se detêm funções qualificadas. Quanto mais, pior... E comparada com Serpa (que adoro e visitei muitas vezes, algumas delas por causa de um certo e destemido autarca), Moura é uma movida permanente. Continue: de nariz empinado e em frente! ;)
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De Zélia Parreira a 16.10.2011 às 13:54

Laura, muito obrigada pelo seu interesse e pelas suas palavras. Sou de Moura, de facto, e fico à espera de uma visita. Adoptei esta terra aos 4 anos, embora ela nem sempre seja simpática para os seus filhos...

De facto, a alternativa ao público aqui não abunda. A Câmara é a maior entidade empregadora do concelho, como forma de minimizar o desemprego e todas as suas consequências.

Mas tenho de confessar que, na realidade, sempre quis prestar serviço público, sempre tive uma enorme vontade de contribuir com a minha parte. Sei que quem está no privado também o faz, mas eu queria participar activamente.

Mesmo agora, em que pondero a hipótese de procurar outras alternativas (trabalhar numa cidade onde os meus filhos possam estudar, fazendo desse local a nossa casa), a minha atenção vira-se sempre para o serviço público. Felizmente até tenho ofertas de emprego no privado (deve ser porque sou uma incompetente funcionária pública) que surgiram no decorrer da minha actividade, vindas de empresas que consideraram a minha contribuição uma mais valia, mas só irei por essa opção em último caso.

Este comentário (e o outro também) começa a parecer um exercício de auto-elogio que não me interessa nada fazer e pelo qual peço desculpa. Só que cada vez mais sinto a necessidade de me defender, de nos defender, de não engolir insultos, injúrias e roubos só porque tenho a sorte de ser funcionária pública, como se nunca tivesse estado em causa qualquer pitada de mérito.

O emprego garantido para a vida é um mito que já nos foi tirado há muito tempo, mas como atingia os funcionários públicos, ninguém reparou... A famigerada avaliação não passa de um exercício de lambe-botismo que beneficia os que passam discretamente entre as gotas da chuva ou que acenam sempre à voz do chefe. A atribuição dos objectivos, que é condicionante para a classificação final, é feita de forma injusta e pouco ética e as reclamações são um exercício possível mas quase sempre inútil. É preciso haver erros gritantes para que a justiça seja minimamente reposta.
E claro, estamos sujeitos e dependentes das reviravoltas políticas a cada domingo eleitoral.

É verdade que ainda temos emprego e isso pode parecer quase ofensivo a quem o perdeu. Mas não sou só eu que (ainda) tenho emprego, há milhões de pessoas no privado que também o têm e não são achincalhadas diariamente na praça pública por isso... É certo que a maioria ganha menos de 500 euros, mas na função pública acontece o mesmo. A diferença está mesmo ao nível dos técnicos qualificados, que na função pública não ultrapassam a casa dos mil euros e no privado ganham dezenas de milhar...

Na biblioteca onde eu trabalho somos 14. É uma equipa extraordinária, dedicada, empenhada, que nunca se deixa limitar por horários ou constrangimentos burocráticos. Só eu recebo acima dos 1000 euros. Tenho 6 colegas licenciados, só 2 ganham mais de 500 euros. É a maravilha da função pública...

Um beijo para si, obrigada pelo tempo de antena.
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De Laura Ramos a 16.10.2011 às 16:22

«O emprego garantido para a vida é um mito que já nos foi tirado há muito tempo, mas como atingia os funcionários públicos, ninguém reparou... ». Precisamente, Zélia. Há de facto um grau de ignorância de que (olhe!) temos de nos rir. Desde 2001 ninguém tem nada certo na administração pública e houve gente excelente que foi 'encaixotada' e dispensada na fúria cega da (pseudo)racionalização. Ainda se dispensassem os irrelevantes... Mas não, foi só para inglês ver, pelos vistos: porque dados recentes comprovam que foi já depois dessa 'matança' (PRACE e etc.) que se atingiu o pico de admissões na função pública, sabia? Mais precisamente em 2005... Nunca se praticou tanto como nestes últimos anos a detestável venialidade da 'aparelhização' do emprego estatal. E o povo a avalizar, sem querer saber, embalado pelo marketing político. Serão certamente os que aplaudem agora a dura lex...
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De operario a 14.10.2011 às 21:17

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Troco o meu TRABALHO na Fabrica Textil Carvalho da Silva& Proença, SA -- por um modesto EMPREGO no funcionalismo público.

Gratifico bem.

91 91 91 91 91
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De Laura Ramos a 15.10.2011 às 12:48

operario, mande-me as habilitações literárias, formação complementar, avaliação dos últimos 3 anos, experiência profissional. Não posso fazer nada, mas posso dizer-lhe que expectativas teria. Serve?
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De Dylan a 15.10.2011 às 09:34

Incrível como, de um texto tão sentido e tão bem escrito, se passe logo para uma série de comentários ranhosos, invejosos e generalizados. Como se em todas as profissões não houvessem chicos-espertos e maus profissionais. São os chamados justiceiros da treta, ressabiados, satisfeitos com as medidas tomadas contra os funcionários públicos mas não se apercebendo que estamos todos no mesmo barco.
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De Laura Ramos a 15.10.2011 às 12:55

Dylan, (Bob?) deixe... É o chamado efeito espelho: esse tipo de reacção/leitura revela muitíssimo acerca da cultura de cidadania de cada um. Cabeças cheias de preconceitos e anacronismos balofos. É como bem refere: estão satisfeitos. E isso diz tudo, não é?
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De Loca.... a 17.10.2011 às 00:36

Laura
Vou partilhar. Excelente!
Os comentários da Zélia animaram-me.
Obrigada às duas por tão bem exporem esta questão. Falta, de facto, algum sentido crítico a uma grande parte da população que, sem saber do que fala, é rápida em apontar dedos acusadores para atribuir todos os pecados deste mundo aos funcionários públicos.
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De Laura Ramos a 17.10.2011 às 02:01

Loca, obrigada. Nunca devemos deixar de ser lúcidos e auto-conscientes mas... irmo-nos abaixo é que nunca.

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