Sábado, 28 de Março de 2009
por Pedro Correia | 28.03.09

 

A cineasta Raquel Freire concede hoje, ao semanário Sol, a mais hilariante entrevista que tenho lido na imprensa portuguesa de há muitos dias para cá. Fazendo um rasgado elogio dos "sistemas marxistas", onde "havia mais piscinas" do que no capitalismo, a realizadora de Rasganço compara os dois modelos alternativos de sociedade, centrando-se com nostalgia na Alemanha da era do Muro de Belim. E parece ver vantagens óbvias no comunismo: "O sexo na Alemanha comunista durava mais tempo e era melhor. As mulheres, como adoptavam as doutrinas feministas, achavam que também tinham que ter orgasmos, que não eram só os homens. Já as mulheres da Alemanha Ocidental faziam um bocado o papel de bonecas insufláveis, como as nossas mães e as nossas avós. Na Alemanha comunista usavam-se métodos contraceptivos e estava muito mais presente a ideia do sexo pelo prazer e não apenas com o objectivo da reprodução."

Certamente tão espantado como eu com esta torrencial associação entre sexo e ditadura comunista, o entrevistador, José Fialho Gouveia, pergunta-lhe: "O comunismo combate a ejaculação precoce?"

Raquel não se atrapalha: admite logo que sim. "Provavelmente, mesmo que os homens ejaculassem depressa eram obrigados a continuar a relação e a dar prazer às mulheres." Lembrei-me então daquelas célebres fotos dos beijos na boca entre Brejnev e Honecker - dois símbolos do anacrónico mundo comunista - destinados a selar a "solidariedade internacionalista" sob a foice e o martelo.

Nada melhor, com efeito, para combater a ejaculação precoce...

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16 comentários:
De Avante, Fornicanço a 28 de Março de 2009 às 16:59
Essa camarada não ter sido internada mostra à saciedade como o sistema de saúde dos países da simpatia dela era um caos imcomparável com o caos do SNS tuga, onde já estaria devidamente medicada.

De Adiante a 28 de Março de 2009 às 17:00
Perdão, incomparável.

De Anónimo a 28 de Março de 2009 às 17:03
Porra, e eu que imaginava que no sistema comunista o pessoal se fartava de trabalhar para o progresso do país, isto sem falar na nomenklatura, que passaria o tempo a imaginar maneiras de derrotar de vez o capitalismo e vai-se a ver passavam mas era os dias na marmelada...

De muitaxato a 28 de Março de 2009 às 17:51
Antes na Marmelada que na Marmeleira

De Oito e Meio, Quase Nove a 28 de Março de 2009 às 17:56
E à cineasta não terá ocorrido emigrar para a Coreia do Norte? Lá deve ser até partir!

Se ela fosse mais clarividente, perguntava ao Bernardino...

De Ana Vidal a 28 de Março de 2009 às 19:53
Tenho seguido algumas entrevistas do José Fialho Gouveia num programa da RTP 2 de que não me lembro agora o nome, e tenho gostado imenso: é incisivo nas perguntas, incómodo, corajoso. Uma das entrevistadas dele foi exactamente a Raquel Freire, que se definiu como "pansexual" (!!) mas não foi tão longe nessa tese das maravilhas eróticas do comunismo, que são realmente hilariantes! Estamos sempre a aprender... eu não fazia ideia de que a velha e soturna Alemanha de Leste era afinal uma espécie de sociedade de Amazonas, em que os homens "eram obrigados" a dar prazer às mulheres!






De José Gomes André a 28 de Março de 2009 às 20:21
Por acaso também li essa do "pan-sexual". Quanto pretensiosismo, meu Deus!

De mdsol a 28 de Março de 2009 às 22:55
As gotas que a senhora tomou deviam estar fora de prazo... OU então esqueceu-se de as tomar... Irra, que até dá vontade de rir...
Uma pergunta: porque será que entrevistarão estas pessoas? Por terem profissões catitas? Mas não era suposto entrevistarem pessoas interessantes e com alguma coisa de jeito para dizer?

Existem tantas ideias feitas, tantos lugares comuns a partir dos quais funcionamos sem os discutir minimamente...

Balhamedeus ...

:))

De Leonor Barros a 28 de Março de 2009 às 23:28
Mas que grande panca. Vou comprar um livro do Wladimir Kaminer cujo título é "Não havia vida sexual no Socialismo" para ver em que é que ficamos.

De dita dura a 29 de Março de 2009 às 03:14
O kamarada Estaline era um garanhão.

De Ah, pois era! a 29 de Março de 2009 às 09:28
Só a moda provocantemente sexy como as mulheres se vestiam nos países da ex-cortina de ferro punha qualquer um de vela permanentemente acesa.

De xinéfilo a 29 de Março de 2009 às 12:39
A Senhora Raquel devia realizar um filme pornográfico passado naqueles tempos e intitulado UM DIA O MURO VEIO ABAIXO

De João Espinho a 29 de Março de 2009 às 13:55
Destaquei na Praça.
"O comunismo combate a ejaculação precoce?". É a melhor pergunta que já alguém fez a um comunista.
A Raquel deveria ouvir os relatos do meu barbeiro em Berlim. E como ele descobriu o prazer do sexo depois da queda do Muro!
Obrigado Pedro, por partilhares estas pérolas.

De Pedro Correia a 29 de Março de 2009 às 14:01
Olá, João. Obrigado pelo destaque. Confesso que ainda me estou a rir desde ontem por causa desta entrevista.
Abraço

De João Espinho a 29 de Março de 2009 às 20:54
Não está disponível online, pois não?

De Pedro Correia a 29 de Março de 2009 às 22:23
Acho que não, João. Talvez só a partir de amanhã.

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