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A lógica dos eurobonds aplicada ao consumidor médio

por José António Abreu, em 19.09.11

Adquiri um montão de coisas no Continente e na Worten, recorrendo a créditos que fui pagando com novos créditos. Durante uns tempos correu tudo bem mas agora ninguém – bancos, empresas de crédito rápido, familiares, amigos – aceita emprestar-me mais dinheiro. Cheguei a preocupar-me mas já descobri a solução: enviei uma mensagem de correio electrónico para a Sonae propondo que solicitemos crédito em conjunto. Ainda não responderam mas não podem recusar – afinal, quem é que lucrou com as minhas compras?

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9 comentários

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De Hugo da Graça Pereira a 19.09.2011 às 14:46

A única diferença é mesmo o de comparar uma empresa com um Estado. No paradigma moral vigente (ou seja, não esta necessariamente a minha opinião), não faz sentido o seu exemplo porque não se espera que uma empresa seja moral, mas sim que seja amoral (e não, amoral e imoral não são a mesma coisa). Já de um estado com acordos de solidariedade assinados não será bem assim. Os argumentos ab absurdo (como o que usou) são sem dúvida excelentes para expor o ridículo de uma linha de pensamento, mas também facilmente caem na falácia da conclusão irrelevante face às premissas.

Pessoalmente, também não concordo com as eurobonds , mas por motivos menos morais e mais pragmáticos: não acho que resolvam a situação actual.
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De José António Abreu a 19.09.2011 às 15:35

Hugo: as relações entre Estados tendem a ser tão amorais como as relações entre empresas e clientes. O que mantém os "acordos de solidariedade" são os interesses em comum.

Quanto aos eurobonds, eu também acho que não funcionarão. Das duas, uma: ou os países com baixo risco ficam responsáveis pelo pagamento da totalidade dos encargos e então não passam de transferências puras de dinheiro do Norte para o Sul da Europa, à custa dos contribuintes alemães, holandeses, etc, ou, ficando os países que não conseguem financiamento por si mesmos responsáveis pelo pagamento de uma percentagem do encargo, o risco de incumprimento parcial existe e tem, por isso, a Standard & Poors toda a razão em ameaçar atribuir-lhes a notação do país pior classificado.
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De Hugo da Graça Pereira a 19.09.2011 às 16:29

"as relações entre Estados tendem a ser tão amorais como as relações entre empresas e clientes. O que mantém os "acordos de solidariedade" são os interesses em comum."
Muitíssimo verdade. Mas repare que essa não é a percepção da opinião pública. Portugal viu a adesão à CEE efabulada e marchetada a ouro e diamantes pela retórica socialista. Ademais, a UE tem funcionado como banco de empréstimo a fundo perdido no nosso país e na comunicação social só ouvimos falar na "solidariedade europeia", esse chavão tão soarista. Daí que, como refere abaixo na resposta ao Vincent, haja uma proliferação de opinion-makers que procuram sustentar nessa lógica uma pseudo-moral que justifique a criação de eurobonds.

Concretizou sumariamente a questão. A primeira opção nunca será aprovada nos parlamentos nacionais e a segunda deixa tudo na mesma...
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De Vincent a 19.09.2011 às 15:05

Concordo plenamente com o HGP, embora o seu exercício académico tenha o mérito de fazer reflectir, simplificando, a questão das "eurobonds".
Penso, todavia, que não deve haver uma posição dogmática contra porque as alternativas não abundam.
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De José António Abreu a 19.09.2011 às 15:42

Vincent: eu não tenho uma posição dogmática contra. Acho é que provavelmente não funcionarão (por favor, veja a resposta ao Hugo). De qualquer modo, mais do que um ataque aos eurobonds, o post é um alerta contra um certo sentimento que grassa por aí de que os eurobonds são algo que nos é devido porque nós endividámo-nos a comprar carros alemães. (Surpreende-me até que não exijamos apoio financeiro aos EUA por termos comprado muitos iQualquerCoisa e à Coreia por causa dos Samsung e LG.)
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De Vincent a 19.09.2011 às 18:05

Plenamente de acordo jaa!
E a questão do dogmatismo era genérica e não o tinha a si por destinatário específico.
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De lucklucky a 19.09.2011 às 16:46

Eu sou dogmático. É imoral.

Eurobonds é ainda o assumir que os PIGS não podem ter défice zero. Ou seja serão insustentáveis sempre.
Ou vocês julgam que se pode ter 3% de défice* ad eternum?

Note-se que estou a falar de 3% e não de 7, 10, 12% que contece no presente.


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De João Carvalho a 19.09.2011 às 17:07

Ainda bem que V. diz que é dogmático. Pela qualidade habitual dos seus comentários, alguém algum dia haveria de dizer isso de si, não é verdade?
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De José António Abreu a 19.09.2011 às 20:56

Lucklucky: eu não gosto da ideia; não gosto do facto de andarmos de mão estendida, pedindo ajuda a quem tem mais sentido das responsabilidades. Mas se estivesse convencido de que os eurobonds funcionariam (isto é, que nos permitiriam equilibrar as contas a um ritmo menos violento) até os apoiaria. O problema é que acho que seriam apenas uma forma de prorrogar o laxismo.

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