PS– O resultado nas urnas confirmou um descalabro que só José Sócrates e a gente que tomou conta do partido não viu e que há muito era previsível. Enquanto no PS se considerar toda a crítica interna como falta de solidariedade e se confundir o interesse nacional e o do partido com os interesses de cada grupo, enquanto se pensar que um partido domado e manietado é prova de solidez e todos, por interesse e egoísmo, correrem atrás do primeiro que aparece só porque tem boa presença em palco e diz umas graçolas, ignorando que no silêncio de uma cabine de voto e com uma caneta na mão os eleitores têm muitas alternativas, mesmo que antes batam palmas e sorriam mansamente, será difícil construir alternativas sérias, consistentes e fiáveis. O demissionário primeiro-ministro disse que não perderia um minuto a reflectir sobre o passado. Se o PS for atrás dele e enveredar por essa posição será natural que daqui a quatro anos volte a perder nas urnas. Perdeu o PS, embora aqui não considere que José Sócrates tivesse perdido. A razão é simples e já então eu escrevi: José Sócrates foi um dos derrotados de 2009 quando escaqueirou a maioria absoluta e se deixou inebriar pelos aplausos que vinham de dentro do partido e do bando de interesseiros de que se rodeou e o convenceu de que era um ás.
Bloco de Esquerda– Tal como aqui vaticinei, o BE fez tudo para se suicidar nestas eleições e estas foram a certidão de óbito que eu antecipei. De Francisco Louçã, Miguel Portas e Fernando Rosas os portugueses e os seu eleitores esperavam muito mais. Com um grupo parlamentar reduzido a metade, não é provável que alguma vez volte a atingir a votação das últimas eleições. Os eleitores não lhe perdoaram tanta irresponsabilidade perante a crise.
Sondagens - As sondagens perdem sempre. Até quando acertam. Já estamos habituados. Normalmente acertam em cima da hora e à boca da urna quando seria bom que começassem a acertar mais cedo. A culpa não é delas. É dos indecisos. Daí que fosse oportuno deixar de publicitá-las a partir do momento em que começa a campanha eleitoral. Para terem algum sentido, deixarem espaço às campanhas, permitirem que os eleitores decidam por si e que estes não fiquem reféns delas.
Adolfo Mesquita Nunes (perfil)
Ana Margarida Craveiro (perfil)
Helena Sacadura Cabral (perfil)
José Maria Gui Pimentel (perfil)
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