Segunda-feira, 6 de Junho de 2011
por Sérgio de Almeida Correia | 06.06.11

PS– O resultado nas urnas confirmou um descalabro que só José Sócrates e a gente que tomou conta do partido não viu e que há muito era previsível. Enquanto no PS se considerar toda a crítica interna como falta de solidariedade e se confundir o interesse nacional e o do partido com os interesses de cada grupo, enquanto se pensar que um partido domado e manietado é prova de solidez e todos, por interesse e egoísmo, correrem atrás do primeiro que aparece só porque tem boa presença em palco e diz umas graçolas, ignorando que no silêncio de uma cabine de voto e com uma caneta na mão os eleitores têm muitas alternativas, mesmo que antes batam palmas e sorriam mansamente, será difícil construir alternativas sérias, consistentes e fiáveis. O demissionário primeiro-ministro disse que não perderia um minuto a reflectir sobre o passado. Se o PS for atrás dele e enveredar por essa posição será natural que daqui a quatro anos volte a perder nas urnas. Perdeu o PS, embora aqui não considere que José Sócrates tivesse perdido. A razão é simples e já então eu escrevi: José Sócrates foi um dos derrotados de 2009 quando escaqueirou a maioria absoluta e se deixou inebriar pelos aplausos que vinham de dentro do partido e do bando de interesseiros de que se rodeou e o convenceu de que era um ás.

 

Bloco de Esquerda– Tal como aqui vaticinei, o BE fez tudo para se suicidar nestas eleições e estas foram a  certidão de óbito que eu antecipei. De Francisco Louçã, Miguel Portas e Fernando Rosas os portugueses e os seu eleitores esperavam muito mais. Com um grupo parlamentar reduzido a metade, não é provável que alguma vez volte a atingir a votação das últimas eleições. Os eleitores não lhe perdoaram tanta irresponsabilidade perante a crise.

 

Sondagens - As sondagens perdem sempre. Até quando acertam. Já estamos habituados. Normalmente acertam em cima da hora e à boca da urna quando seria bom que começassem a acertar mais cedo. A culpa não é delas. É dos indecisos. Daí que fosse oportuno deixar de publicitá-las a partir do momento em que começa a campanha eleitoral. Para terem algum sentido, deixarem espaço às campanhas, permitirem que os eleitores decidam por si e que estes não fiquem reféns delas.

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1 comentário:
De Rogério M a 6 de Junho de 2011 às 18:31
De facto, a saída "humana" e "à Estadista" de Sócrates, é mais um dos seus truques de propaganda e manipulação, e em que ele de facto é mestre. Nem se esqueceu de acrescentar uma chamada ao diálogo (olha quem!). O seu "não perder nem mais um minuto a olhar para trás", e a "orientação" que deixa ao PS de fazer o mesmo e confiar no julgamento da História, deixam de facto vislumbrar que o engenheiro percebeu muito bem o desastre em que deixou mergulhado o país, e a nódoa que deixa para sempre no ADN do PS. Curioso é que seria do interesse do PS que o governo que lhe vai suceder tivesse todo o sucesso possível, de modo a assim branquear um pouco esta profunda nódoa na História do PS. É que o pior está para vir! E se o futuro governo há-de também ser responsável por aquilo que fizer, como é justo que o seja, pelo menos no curto prazo (1/2 anos) o PS não se pode desresponsabilizar por aquilo que de menos bem vier a suceder. As voltas que o mundo dá: o PS/Sócrates conseguiu como nenhum outro trazer à memória as palavras do oportunista Barroso, quando disse que o país estava de tanga. Agora está nu!

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